Máscaras da crueldade: O sinistro paralelismo entre o caso Ruby Franke e o abandono de Alcácer do Sal
A 'manipulação' do casal francês que espelha o terror da dupla Ruby Franke
A mãe que abandonou os filhos em Portugal apresentava-se como terapeuta de libertação emocional, um perfil que recordou o escândalo da conselheira norte-americana condenada por torturar crianças.
O choque provocado pelo abandono de duas crianças francesas, de três e cinco anos, numa zona de mato em Alcácer do Sal, conheceu o seu desfecho mais recente com o Tribunal de Setúbal a decretar a prisão preventiva para Marine Rousseau e Marc Ballabriga.
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No entanto, nas redes sociais alguns internautas levantaram suspeitas ao compararem dois casos pois, o perfil profissional da progenitora e os contornos de profunda manipulação psicológica deste crime têm suscitado comparações inevitáveis com um dos casos de abuso infantil mais mediáticos e perturbadores dos Estados Unidos: a sinistra aliança entre a YouTuber Ruby Franke e a terapeuta Jodi Hildebrandt.
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Segundo o que os internautas comentam, à semelhança do caso norte-americano, também em Portugal os protagonistas tentaram esconder a sua verdadeira face atrás de uma capa de respeitabilidade ligada à saúde mental e ao bem-estar.
Marine Rousseau, de 41 anos, promovia-se nas plataformas digitais como psicomotricista, sexóloga e praticante de técnicas de libertação emocional onde, prometia curar os traumas alheios, mascarando a atrocidade que estava prestes a cometer contra os próprios filhos. Um cenário assustadoramente familiar para quem acompanhou a queda de Jodi Hildebrandt, uma conselheira e coach de parentalidade que, através da sua empresa “ConneXions“, manipulou a famosa vlogger Ruby Franke até a convencer de que torturar as crianças da família era um ato de salvação.
Parece que, o ‘requinte de maldade’ na execução dos crimes é outro traço doentio que une estas figuras pois, em Alcácer do Sal, os dois irmãos foram deixados ao abandono numa berma da Estrada Nacional 253, com mochilas e os olhos vendados, para que não pudessem seguir o rasto da mãe e do padrasto que encetaram a fuga para Fátima.
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Do outro lado do Atlântico, no estado do Utah, a crueldade assumiu foros de tortura medieval: os filhos de Ruby Franke foram privados de comida, amarrados e submetidos a trabalhos forçados debaixo de calor extremo, tendo o rapaz de 12 anos conseguido escapar por uma janela apresentando sinais de severa desnutrição, “feridas abertas e fita adesiva à volta das extremidades“. Em tribunal, Franke e Hildebrandt justificaram as agressões como um método doutrinário cego para ensinar as crianças a arrependerem-se e para “expulsar o mal dos seus corpos”.
Se as criminosas americanas usaram o extremismo religioso como escudo impenetrável para justificar a barbárie, o casal francês detido em Portugal parece ter optado, segundo os internautas, pelo teatro do absurdo para baralhar a investigação.
O documentário sobre o caso da Ruby Franke & Jodi Hildebrandt está disponível na Netflix.
À chegada ao tribunal, Marine e Marc exibiram um comportamento deliberadamente errático pois, a mulher cantava de forma bizarra, enquanto Marc – um antigo polícia com histórico de violência doméstica e transtornos psiquiátricos referenciados – berrava “amo-vos, amo-vos” para os guardas e jornalistas. Contudo, as autoridades não se deixaram enganar pelo espetáculo. “Aquilo é fita. Fizeram-se de maluquinhos. Primeiro começou ele a gritar, só depois é que ela começou“, revelou fonte da GNR à imprensa, sublinhando que os arguidos terão concertado esta atuação cirúrgica através das paredes dos calabouços.
Este é um artigo de opinião e com base em comentários feitos por internautas atentos a casos de crimes.
A queda destas ‘fachadas’ mediáticas prova que a perversidade humana muitas vezes se disfarça de evolução espiritual e aconselhamento terapêutico.
Ruby Franke e Jodi Hildebrandt cumprem agora pesadas penas que podem chegar aos 30 anos no rigoroso sistema prisional norte-americano, após se declararem culpadas de múltiplos crimes de abuso infantil agravado. Por cá, Marine Rousseau, que optou pelo silêncio em tribunal, e Marc Ballabriga aguardam agora o desenrolar da justiça portuguesa atrás das grades, indiciados pelos crimes de ofensa à integridade física agravada e exposição e abandono.