Passado sombrio: O histórico de violência, abandono e depressão do casal que isolou menores em Alcácer do Sal
"Pessoas discretas" com passado conturbado: Os segredos de Marine Rousseau e Marc Ballabriga
O casal de cidadãos franceses, que montou uma encenação sádica para deixar os menores na mata, já acumulava episódios de instabilidade emocional e ruturas com outros filhos no passado.
O crime que envolve duas crianças francesas continua a chocar a opinião pública em Portugal e a levantar sérias dúvidas sobre as motivações dos suspeitos. Barthelemy, de cinco anos, e Zacharie, de três anos, foram deixados à sua sorte na última terça-feira, dia 19 de maio, numa zona de matagal densa situada junto à artéria rodoviária que estabelece a ligação entre a Comporta e Alcácer do Sal.
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A progenitora, Marine Rousseau, preparou os filhos para o desfecho ao colocar-lhes mochilas equipadas com mudas de roupa, água, bolachas e fruta e, antes de empreender a fuga na companhia do namorado, Marc Ballabriga, de 55 anos, a mulher terá vendado os olhos aos menores, acentuando a gravidade do cenário de desamparo.
A investigação em curso tenta agora mapear o historial deste casal, cujo relacionamento amoroso será relativamente recente. Existem indicadores de que, em 2024, a suspeita ainda utilizava profissionalmente o apelido Delion, pertencente ao seu anterior cônjuge e pai dos menores, de quem se divorciou em moldes conturbados.
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De acordo com o testemunho de Éric Straumann, presidente da Câmara de Colmar, a autarquia francesa onde o casal estava radicado desde o verão de 2025, ambos mantinham uma rotina quotidiana sem alarmismos. Os residentes locais descreviam-nos como indivíduos “discretos, com bons níveis intelectuais” e sem registo de conflitos institucionais ou comunitários na região.
No plano profissional, Marine Rousseau apresenta-se nas plataformas digitais como sexóloga, psicomotricista, formadora e especialista em terapias de libertação emocional, acumulando consultas e conferências em países como a França, Bélgica, Suíça e Alemanha e, com uma presença assídua e estruturada nas redes sociais, a francesa focava a sua atividade na promessa de “ajudar a desenvolver o potencial erótico de pessoas traumatizadas“.
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Todavia, a sua vida familiar esconde outras fraturas: além das duas crianças resgatadas em solo português, a terapeuta é mãe de um jovem de 16 anos, cuja identidade é protegida por segredo, que terá sido igualmente abandonado no passado e com o qual Marine não mantém qualquer tipo de ligação afetiva ou civil na atualidade.
Por sua vez, o padrasto das vítimas, Marc Ballabriga, carrega um registo pessoal e profissional igualmente pautado por episódios de contornos criminais pois, o homem exerceu funções como sargento da polícia francesa, tendo sido afastado da corporação e condenado, em 2010, a uma pena suspensa de nove meses de prisão após ser considerado culpado do crime de violência doméstica.
A denúncia partiu da sua ex-mulher e mãe da sua filha, atualmente com 18 anos e, no seguimento deste veredito, o ex-policial enfrentou um quadro de depressão profunda. Em 2012, Ballabriga avançou com um processo judicial contra o atual padrasto da sua filha por suspeitas de abusos sexuais à menor – uma queixa que viria a ser arquivada pelas instâncias jurídicas por falta de provas.
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O suspeito viria a protagonizar outro diferendo grave quando se recusou a entregar a filha à progenitora no final de um período de visitas reguladas.
Pai e filha não partilham qualquer contacto há cerca de 12 anos, sabendo-se ainda que o cidadão francês transpôs as suas vivências e frustrações com o sistema judicial para o papel, editando um livro de cariz autobiográfico há cerca de uma década. O casal aguarda agora a definição das medidas de coação em tribunal.
Gritos e cânticos religiosos no posto da GNR onde estão a mãe e o padrasto dos menores franceses