
O Tribunal Federal do Distrito Leste de Nova Iorque agendou para o período entre 11 e 29 de janeiro de 2027 o julgamento do processo civil que envolve Nuno Lopes.
O ator português foi acusado pela escritora e cineasta A.M. Lukas de a ter drogado e agredido sexualmente em 2006, acusações que o artista rejeita por completo.
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A marcação foi determinada pela juíza Nina R. Morrison a 21 de outubro, na sala 6E Norte daquela instância judicial, depois do fracasso de duas sessões de mediação realizadas a 22 de setembro e a 8 de outubro.
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A equipa jurídica de Nuno Lopes recebeu com agrado a fixação do calendário. Conforme transmitiram os seus representantes, o ator pretende ver o processo terminado para ultrapassar este capítulo da sua vida, mantendo a plena certeza de que a sua inocência acabará reconhecida em tribunal. Do lado de A.M. Lukas, os advogados optaram por não tecer comentários sobre a data do julgamento.
A ação deu entrada nos tribunais a 20 de novembro de 2023 ao abrigo do Adult Survivors Act, legislação excecional do estado de Nova Iorque que permitiu instaurar processos civis relativos a alegações de agressão sexual cuja prescrição já tinha ocorrido.
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Os factos em causa remontam a 28 de abril de 2006, durante o Festival de Cinema de Tribeca. Lukas relata que compareceu num jantar com duas amigas e, mais tarde, na festa de estreia da longa-metragem ‘Journey to the End of the Night’, local onde conheceu Nuno Lopes através de uma conhecida comum. A realizadora descreve ter bebido um cocktail de vinho branco à refeição e mais vinho no evento, sentindo em seguida o corpo estranhamente pesado e a perceção a desvanecer-se, o que a leva a presumir que possa ter sido drogada.
Na petição inicial, a autora refere memórias fragmentadas da madrugada e sustenta que existiram relações sexuais quando se encontrava incapaz de consentir. Entre as poucas lembranças que afirma reter, Lukas atribui ao ator a frase: “Este preservativo está a matar-me”. Descreve ainda que tentou vestir-se, mas que o intérprete terá voltado a despir-lhe a roupa. Já na manhã de 29 de abril, perto das 7h30, Nuno Lopes terá chamado um táxi, entregando-lhe o seu contacto telefónico e 30 dólares para a viagem.
O estado de desorientação continuou nas horas seguintes. Ao falar com uma amiga que também tinha estado na festa, a realizadora reforçou as suspeitas sobre a ingestão involuntária de substâncias e pediu ajuda à Safe Horizon, organização de auxílio a vítimas de crimes. Encaminhada para o Long Island College Hospital, foi submetida a perícias forenses e ouvida por agentes policiais. O hospital prescreveu profilaxia pós-exposição ao VIH por receio de contacto sexual desprotegido, tratamento de um mês que lhe causou indisposição e dores abdominais, tendo também procurado apoio na área da saúde mental.
Três dias após os acontecimentos, a 1 de maio de 2006, Lukas contactou telefonicamente Nuno Lopes para tentar esclarecer a madrugada anterior. Na queixa apresentada, a cineasta reproduz a conversa então mantida: o ator ter-lhe-á dito que flirtaram e se beijaram durante a festa, apanhando depois um táxi rumo à casa dele. Nesse telefonema, Nuno Lopes terá contado que a deparou desmaiada no chão do quarto de banho e que, com o auxílio do colega de habitação, a levou para um colchão insuflável, dormindo ele próprio no sofá para lhe conceder espaço. Segundo este mesmo relato da queixosa, o ator terá acrescentado que foi ela quem começou a beijá-lo na manhã seguinte a pedir intimidade, tendo o casal voltado a envolver-se antes da chamada do táxi.
O ator rejeita as acusações de agressão sexual. A sua representação legal tentou evitar a realização de julgamento em julho de 2025, sustentando que anotações nos diários pessoais de Lukas comprovavam a natureza consensual dos atos. Contudo, em janeiro deste ano, a magistrada Nina R. Morrison indeferiu a pretensão, ditando que o litígio terá de ser dirimido perante jurados.
Lukas pede compensações monetárias e punitivas, bem como a cobertura de despesas legais, não se tratando de uma causa de natureza criminal. Na queixa, alega impactos graves na saúde mental, apontando diagnósticos posteriores de perturbação de stress pós-traumático e de perturbação bipolar, para além de prejuízos profissionais como a perda de agenciamento, ofertas de trabalho e uma bolsa de 75 mil dólares concedida pelo Tribeca Film Institute.
O ator tem mantido o seu percurso em aberto. Nuno Lopes gravou a série internacional ‘The New Look’, da Apple TV, e a novela ‘A Fazenda’, da TVI. Participou ainda na radionovela ‘Cataplana Paixão’, da RFM, percorreu palcos nacionais com a peça ‘Arte’, de Yasmina Reza, encenada por António Pires, mantendo igualmente atuações frequentes como DJ.