A recente entrevista de Tony Carreira a Luís Osório marcou a emissão do V+ Fama.
No rescaldo de uma conversa pautada pela emoção, Adriano Silva Martins, Cláudia Jacques, Marta Aragão Pinto e António Leal e Silva analisaram a forma como o cantor lidou com a trágica morte da filha Sara e encontrou respostas espirituais para sobreviver à dor.
Adriano Silva Martins introduziu o tema recordando que, mesmo nos momentos de maior infortúnio, surgem situações inesperadas. O apresentador notou que o cantor confessou que no funeral da filha acabou por fazer amizade, uma amizade que foi se prolongando ao longo dos anos com o cardeal Américo Aguiar.
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Cláudia Jacques sublinhou o impacto deste encontro na vida do artista, que se encontrava afastado da religião. A comentadora explicou que a pessoa tem que se agarrar a alguma coisa para conseguir sobreviver a esta tristeza arrebatadora e que a amizade com o bispo o fez novamente acreditar na religião, na fé, e explorar mais a vida para além da morte.
Segundo Cláudia, o cantor deparou-se com uma encruzilhada absoluta sobre o seu futuro. “Ou ficava amargurado, ficava azedo e ficava revoltado e vivia numa tristeza profunda, ou tentava ultrapassar esta situação de alguma forma arranjando ferramentas para poder continuar a minha vida”, relatou a comentadora citando o artista.
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O instinto de sobrevivência falou mais alto devido ao amor pelos restantes filhos, sendo que tirar a vida nunca foi uma opção. Cláudia Jacques mencionou ainda a necessidade diária que o artista sente de recordar a jovem. Para a comentadora, o facto de o cantor falar dela todos os dias serve para manter viva a memória da filha e é como se a mantesse perto dele diariamente.
Marta Aragão Pinto assumiu ter ficado comovida com a conversa e elogiou a coragem de Tony Carreira, referindo que o cantor se pôs completamente despido de qualquer coisa e fala com a profundidade da dor de ter perdido a filha. A comentadora destacou a procura por autonomia emocional, recordando a passagem em que o artista descreve a sua única sessão de terapia. “Passada uma hora disse para ele próprio: ‘Eu não preciso mais desta senhora, eu agora tenho que arranjar ferramentas que me vão permitir aprender a viver com esta dor'”, citou Marta, concluindo que o luto é isso, é aprender-se a viver com a dor e com a saudade.
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A ligação de Tony à filha mantém-se presente nos pequenos detalhes. Marta referiu que ele sente que ela está feliz ao vê-lo todos os dias e que adotou as cadelas da jovem, tratando-as como netas. A comentadora valorizou a partilha pública desta experiência e o impacto que pode ter. “E eu acho muito importante quando uma celebridade como o Tony Carreira dá uma entrevista destas, de certeza que ajuda muita gente e que muita gente se identifica com ele e que também essas pessoas decidem seguir o caminho do ir em frente e não de ficar amargas”, defendeu.
António Leal e Silva pegou no tema da amargura para deixar a sua reflexão, com o comentador a defender que a amargura, o ódio e o rancor são três sentimentos que nós devemos tirar do nosso corpo perante situações adversas. Assumindo-se um homem crente, António fez questão de separar os conceitos institucionais da verdadeira espiritualidade, frisando que a Igreja tem um papel muito importante na vida das pessoas, mas é uma instituição e que a fé é uma coisa que transcende tudo e todos, é uma coisa nossa com Deus.
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O comentador elogiou a união da família Carreira e reconheceu que, num momento de dor tão grande, a ajuda externa foi fundamental. António referiu que devagarinho, já lá vão 6 anos, têm vindo gradualmente a fazer a sua vida e notou que há padres e cardeais que são boas pessoas no sentido de nos poderem ajudar e que nos transmitem muita paz e essa paz faz-nos bem ao espírito.
O painel encerrou a análise ao focar-se na aceitação da tragédia e nas preocupações familiares. Cláudia Jacques recordou que o encontro com o cardeal deu-se na Basílica da Estrela, no pior dia da vida dele, e destacou a forma desprendida como o artista encara o acidente. “Também é de louvar que ele acaba por solucionar de alguma forma tudo o que aconteceu, dizendo que ninguém tem culpa, a culpa é do universo”, apontou.
A comentadora revelou por fim a atual apreensão do cantor em relação aos pais idosos, elogiando a mãe de Tony como uma mulher de fé que o terá ajudado muito nesta reaproximação à espiritualidade e sublinhando o medo do artista de que, caso um dos progenitores parta primeiro, o outro fique muito sozinho.
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