Dois anos após o desaparecimento do popular intérprete, o processo de inventário continua bloqueado pela burocracia das contas no estrangeiro e promete terminar nos tribunais.
Dois anos volvidos sobre a morte de Marco Paulo, a partilha do património deixado pelo artista permanece mergulhada numa batalha sem entendimento entre as partes. A discórdia em torno da herança coloca em lados opostos Eduardo Ferreira, o companheiro e amigo de longa data António Coelho (Toni) e o afilhado, Marquinho.
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Apesar do bloqueio nas negociações, o bombeiro de Braga assegura que encara o compasso de espera com serenidade. “Eu estou-me a deixar ir, o início foi muito duro, a espera, não responderem… Mas o advogado diz-me que o que é meu por direito será meu“, revelou em declarações à revista TV7 Dias.
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O património em avaliação inclui bens de elevado valor imobiliário, nomeadamente a célebre quinta em Sintra onde o cantor passou os seus últimos dias, uma moradia em Quarteira, no Algarve, e um apartamento situado em Sesimbra, somando-se a estes o saldo bancário do intérprete. No entanto, a liquidez financeira deixada pelo artista gerou grande perplexidade entre os envolvidos, visto que o saldo apurado e declarado nas contas nacionais não foi além dos 26 mil euros.
A existência de alegados depósitos no estrangeiro tem arrastado a conclusão do processo, dada a morosidade no envio dos registos bancários internacionais. Sem pontes de diálogo entre os herdeiros, tudo indica que o desfecho terá de ser decidido perante um juiz. Ainda assim, Dudu recusa o desespero e apoia-se nas orientações da sua defesa. “Estamos nesta luta há um ano e meio, desde saber-se que eu era herdeiro e iniciar o processo. Mas é como diz o meu advogado, ‘não é preciso ter pressa, o tempo é o nosso melhor amigo’. As coisas valorizam, já saíram leis a meu favor“, garantiu.
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Se a divisão das propriedades se mantém paralisada, o mesmo não acontece com os dividendos da obra musical de Marco Paulo, que constituem uma fonte de rendimento garantida para o bombeiro.
Eduardo Ferreira confirmou que já viu cair na sua conta bancária os montantes associados aos direitos de autor e direitos conexos. “Já recebi mais uma tranche, no outro mês, num intervalo de mais ou menos seis meses… Aquilo diz lá que é referente ao ano de 2024, mas também ainda não percebi bem“, partilhou.
A quantia arrecadada mereceu um comentário bem-humorado, embora o herdeiro garanta que não pretende desperdiçar a verba. “É um bom valor, mas não vou dizer quanto. Dá para umas boas férias, à grande e à francesa. Mas não vou usar, entrou na minha conta e está lá. Fica guardado para quando um dia precisar. Está como pé-de-meia“, rematou.