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Pedro Chagas Freitas junta-se à onda de apoio a jovem que dançou com Zara Larsson

"A homofobia começa no policiamento da liberdade": Pedro Chagas Freitas defende jovem Afonso

O escritor manifestou-se publicamente após o rapaz português ser alvo de insultos e comentários homofóbicos na internet por causa da sua prestação no NOS Alive.

O caso do jovem Afonso, que subiu ao palco secundário do festival NOS Alive para dançar a coreografia do tema ‘Lush Life’ ao lado da cantora sueca Zara Larsson, continua a gerar fortes reações públicas e, depois de a jornalista Tânia Laranjo ter repudiado publicamente os ataques e os julgamentos direcionados à sexualidade do menor, foi a vez de o escritor Pedro Chagas Freitas recorrer às suas plataformas digitais para expor a sua perspetiva e manifestar solidariedade para com o rapaz.

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O autor começou por contextualizar o episódio e lamentar a postura dos internautas que transformaram um momento lúdico num espaço de agressão. “O Afonso dançou em palco, foi feliz, e foi atacado, ofendido, questionado na sua sexualidade, como se isso interessasse para alguma coisa“, observou, apresentando de seguida uma reflexão sobre as motivações psicológicas que alimentam o ódio virtual: “Eu acho que o ódio pode ser nostalgia mal resolvida“.

No seu texto, Pedro Chagas Freitas associou o comportamento dos agressores a repressões emocionais sofridas durante a infância e a imposições sociais de género. “Há homens que nunca puderam dançar, que nunca puderam chorar, que nunca puderam abraçar outro homem durante muito tempo, que nunca puderam dizer ‘tenho medo’, que nunca puderam ser delicados. Chamaram-lhes nomes, ensinaram-lhes que havia gestos proibidos, que havia emoções masculinas e emoções femininas, que havia uma maneira certa de ocupar um corpo. Eles acreditaram; depois cresceram. Transformaram a violência recebida em violência oferecida“, argumentou.

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O escritor defendeu que a discriminação é perpetuada através da castração precoce da espontaneidade das crianças. “É assim que a homofobia sobrevive, é assim que o preconceito se instala. Instala-se quando um rapaz de sete anos ouve: ‘Não sejas menina’ ou ‘Não fales assim’ ou ‘Não corras dessa maneira’ ou ‘Não dances’. A homofobia começa no policiamento da liberdade. O ódio não suporta um homem livre“, vincou, acrescentando que as críticas revelam mais sobre as frustrações dos adultos do que sobre o comportamento do menor: “Aqueles comentários não falavam do Afonso; falavam do medo. Há pessoas que passam cinquenta anos a tentar recuperar a liberdade que tinham aos nove. Não conseguem. A liberdade foi trocada por aprovação“.

A fechar a sua publicação, o autor lamentou o peso que as opiniões alheias muitas vezes exercem sobre as escolhas individuais e terminou com um incentivo direto ao jovem bailarino. “Passamos a vida a deixar que sejam os amargos a escolher a música da nossa vida, quando podíamos era estar a dançar que nem loucos no meio da nossa própria música. Dança, Afonso. Dança“, concluiu.

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