A suspeita, que se encontrava fugida da prisão onde cumpria pena por violência doméstica, alterou a fisionomia para tentar escapar às autoridades.
Um crime de extrema violência está a chocar a cidade de Olhão e a motivar duras críticas ao sistema de justiça português. Uma mulher de 40 anos foi detida pela Polícia Judiciária (PJ), na passada quarta-feira, 15 de julho, por estar fortemente indiciada pelo homicídio da própria mãe, de 58 anos. O corpo da vítima foi descoberto ocultado num canteiro na varanda da residência onde ambas coabitavam, apresentando “evidentes sinais de morte violenta“.
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O homicídio terá sido consumado na segunda-feira e o alerta para o desaparecimento partiu de uma pessoa próxima da vítima. De acordo com a PJ, a suspeita ainda tentou esquivar-se às autoridades. “Foi possível recolher suporte probatório sólido, identificar a filha como autora dos factos e localizá-la, em Olhão, apesar da alteração fisionómica que efetuou, visando preparar-se para abandonar a região“, revelou a polícia de investigação em comunicado.
A alegada agressora possuía antecedentes criminais e encontrava-se evadida de um estabelecimento prisional desde janeiro de 2024, altura em que não regressou após uma saída precária. Cumpria pena, precisamente, pelo crime de violência doméstica e, o regresso à casa da mãe resultou num histórico de conflitos frequentes e discussões que eram do conhecimento da vizinhança.
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O desfecho trágico motivou uma reação indignada de Tânia Laranjo pois, a jornalista da CMTV recorreu às redes sociais para expor as falhas graves na proteção à vítima e na fiscalização da reclusa evadida. ““Ausência ilegítima”. É assim que o Estado chama a uma reclusa que saiu em precária e passou três anos e meio sem regressar à prisão. Três anos e meio. Não dois dias, nem três. Não três semanas. Três anos. Mais seis meses!“, começou por escrever.
A jornalista lamentou a falta de coordenação e de acompanhamento policial no terreno, mesmo perante sinais óbvios de perigo. “Nesse tempo viveu em casa da mãe. Os vizinhos sabiam. As agressões continuavam. A PSP foi lá. A mãe, como tantas vítimas, mentiu para proteger a filha. E, pelos vistos, isso bastou. O Estado foi embora. Porque, no papel, talvez estivesse tudo tratado“, criticou.
Tânia Laranjo acusou ainda as autoridades de negligência e de ignorarem o comportamento padrão em casos de violência doméstica. “Passamos a vida a repetir que as vítimas de violência doméstica protegem os agressores. Fazemos campanhas, ações de formação, distribuímos folhetos. Sabemos tudo. Mas, quando chega a hora de agir, o conhecimento transforma-se numa extraordinária capacidade para olhar para o lado“, apontou, concluindo de forma implacável: “E depois há o desfecho: a filha matou a mãe. Não foi uma tragédia imprevisível. Foi um falhanço anunciado. Um daqueles que ninguém assume, porque a culpa, em Portugal, tem o estranho hábito de morrer órfã. A reclusa estava em “ausência ilegítima”. O Estado, esse, esteve em ausência absoluta“.
A detida será agora presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das respetivas medidas de coação, estando o inquérito entregue ao Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Faro.
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