Luís Miguel Henrique estreou-se nas páginas do jornal A Bola com a coluna de opinião ‘Advogado do Diabo’.
A chegada do jurista (advogado de Jorge Jesus) ao diário desportivo acontece depois da sua saída da Media Livre, dona da CMTV e de outros títulos, grupo onde Cristiano Ronaldo detém uma participação de 30%, na sequência das divergências públicas entre o capitão da equipa das quinas e o selecionador Jorge Jesus
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O novo cronista explica que o título do espaço bebe da expressão popular e da antiga figura da Igreja Católica, o ‘Promotor Fidei’, que tinha o papel ingrato de questionar canonizações e procurar fragilidades para “impedir que a devoção substituísse o rigor e olhar para além do óbvio. É algo de que o futebol sempre precisa.”
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Com Jorge Jesus a divulgar a nova lista de convocados esta sexta-feira, 6 de novembro, Henrique coloca de imediato as cartas na mesa: “relembro a relação pessoal e profissional que nos une, declaração de interesses que aqui sempre vigorará, quando se imponha”. O foco central é o castigo imposto a Ronaldo pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que sancionou o jogador com 30 dias de suspensão e 255 euros de multa depois de este ter abandonado o estágio da comitiva na Dinamarca sem consentimento.
Como a penalização expira antes dos encontros de 14 e 17 de novembro, o capitão está elegível. Nas palavras do advogado, o avançado pode voltar “se o treinador quiser, o jogador aceitar e ambos forem coerentes com o que assumiram: o interesse de Portugal acima de tudo.”
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Para Henrique, existem seis argumentos sólidos para viabilizar o regresso. O primeiro ponto prende-se com a imagem pública do craque: “Seria a reabilitação mais rápida da sua imagem perante a nação”. Em segundo lugar, a decisão “Fecharia o ciclo disciplinar com humildade e respeito, em vez de prolongar uma polémica que extravasou em muito o episódio de ter aquecido e não entrado”. O terceiro motivo passaria por dar uma “demonstração de liderança altruísta, com o coletivo acima do mal-estar pessoal”.
O quarto argumento toca na ligação emocional ao país. O jurista sublinha que Ronaldo não carece de provas sobre o seu lugar na história, necessitando antes de refazer os laços com os portugueses, “de quem se sente afastado e menos valorizado do que gostaria (e merece)”. Aponta ainda que a comparação com Lionel Messi na Argentina lhe causa amargura, mas adverte que “o povo não se reconquista com comunicados: reconquista-se com presença, golos, esforço, generosidade e humildade”. A fechar a lista dos prós, lembra que o avançado tem recordes ao alcance que ganharão outra dimensão se alcançados pela equipa nacional, rematando que “A melhor resposta às críticas sobre compromisso é comparecer, ajudar dentro e fora de campo e ser exemplo para os mais novos.”
Do lado do recuo, Henrique só enxerga um obstáculo concreto: “o orgulho. Por isso mesmo, deve ser dominado por ambos.”
O cronista reconhece que o entendimento privado entre as duas figuras dificilmente regressará ao ponto de partida. Por isso, a prioridade passa por viabilizar uma convivência laboral sólida no balneário, o que implica “uma conversa franca, direta e brutalmente honesta: sem intermediários, sem fugas para a imprensa, sem mensagens cifradas.”
Na perspetiva do comentador, a federação, a equipa técnica e o restante grupo têm de garantir que Ronaldo mantém a dignidade devida ao seu percurso, pois “não se pede a um homem como ele que aceite ser mais um nome na lista”. Ainda assim, Henrique deixa uma advertência final sobre limites: “o estatuto não é um cheque em branco: o coletivo está sempre acima do individual. Um capitão é respeitado não porque impõe condições, mas porque aceita as regras do grupo e eleva quem o rodeia.”