Dezassete anos após a morte do cantor, a gestão do testamento volta a estar envolta em grande controvérsia devido a um conflito aberto entre os herdeiros e os responsáveis financeiros.
Dezassete anos após a morte de Michael Jackson, a colossal fortuna do artista volta a ser o centro de uma intensa batalha judicial. Paris Jackson, de 28 anos, avançou com um pedido num tribunal de Los Angeles para exigir a transferência imediata de 600 milhões de dólares do espólio do pai para um fundo pertencente a si e aos seus irmãos, Prince e Bigi.
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A petição, submetida no final de outubro, traz novamente a público o longo conflito entre a família e os gestores do património.
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De acordo com a ação movida, a filha do icónico artista garante que os herdeiros ainda não tiveram acesso às verbas estipuladas no testamento, mesmo após as gigantescas receitas geradas desde a perda do pai, em 2009. Nos documentos judiciais, a defesa sustenta que “o fundo ainda não recebeu os recursos previstos”, sublinhando a inércia na distribuição dos valores devidos.
O principal alvo desta investida legal é o advogado John Branca, atual responsável pela administração da fortuna, bem como a gestão levada a cabo por John McClain, que desempenhou o mesmo cargo até falecer em maio deste ano. Paris Jackson cobra explicações rigorosas sobre a movimentação do dinheiro e contesta fortemente diversas despesas.
Entre as acusações apresentadas, constam gastos inexplicáveis com jatos privados, saídas de mais de 604 mil dólares sem a devida justificação detalhada e o pagamento de 3,8 milhões de dólares em honorários a advogados.
Apesar de Michael Jackson ter deixado uma dívida estimada em 500 milhões de dólares quando morreu, as vendas de catálogos musicais reergueram as finanças de forma notável. Negócios como a cedência da participação na editora EMI Music Publishing, em 2018, e os direitos musicais negociados com a Sony renderam lucros astronómicos.
Segundo os relatórios oficias, a herança acumulava cerca de 850 milhões de dólares de liquidez imediata no final de 2024. A equipa legal da jovem defende que, mesmo retirando todas as obrigações fiscais, haveria sempre “600 milhões disponíveis para transferência“.
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Em sua defesa, John Branca rejeita categoricamente qualquer irregularidade. Os representantes legais do espólio argumentam que a retenção dos fundos está ligada a litígios pendentes com a autoridade tributária norte-americana, que chegou a exigir 700 milhões de dólares em impostos e multas.
A administração frisa ainda que as parcelas da herança só podem ser libertadas nas idades exatas estipuladas no testamento – aos 30, 35 e 40 anos – e assegura que já foram distribuídos mais de 200 milhões de dólares em benefício dos irmãos.
O desfecho deste braço de ferro está agora dependente da decisão do juiz numa audiência marcada para o dia 4 de dezembro.