A partir do caso Mafalda Matos, Joana Gama reflete sobre a moda do autismo e TDAH
Joana Gama desabafa sobre autodiagnósticos de neurodivergência
Joana Gama refletiu sobre a proliferação de diagnósticos de saúde mental não formais impulsionada pelas redes sociais.
A recente polémica entre Mafalda Matos e Joana Marques, espoletada após uma emissão do «Extremamente Desagradável» dedicada às afirmações da ex-atriz sobre ser autista, foi o mote para uma longa reflexão de Joana Gama no seu podcast, «Não Sei Ser». A comediante abordou a temática da saúde mental, as dinâmicas das redes sociais e o perigo dos autodiagnósticos.
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Joana Gama começou por contextualizar o caso: “É o episódio em que a Joana Marques decide versar sobre Mafalda Matos (…) reparei que havia uma temática central que era a do autismo, dela ser autista, de ser tudo autismo“.
A comunicadora assumiu ter-se identificado com a necessidade de justificação de Mafalda Matos, recordando a sua própria experiência. “Eu identifiquei-me com isso, não por ser ou não ser autista, mas quando recebi o meu diagnóstico (…) diria bipolar. (…) Isto ajudou-me imenso, imenso a sentir que tinha uma identidade afinal“, partilhou.
A partir desse ponto, Joana Gama traçou um paralelismo com o comportamento da ex-atriz. “Foi assim que eu comecei a ver a Mafalda Matos (…) como uma pessoa que abraçou o seu diagnóstico com muito entusiasmo e que estava numa fase maníaca, para usar uma expressão que eu se calhar posso, de o viver e de se justificar e até de criar uma comunidade“, explicou, alertando contudo para os riscos de liderar grupos de pessoas fragilizadas. “As pessoas que tanto têm o diagnóstico ou que procuram o diagnóstico ou que gostavam de ter o diagnóstico são pessoas que andam à procura mesmo de algum tipo de guia. Será que esta pessoa é o guia indicado para o fazer? (…) É duro ver que o nosso espírito crítico diminui quando estamos fragilizados“, advertiu.
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Alargando a reflexão ao panorama digital, Joana Gama mostrou-se preocupada com a atual tendência para a normalização de condições do foro mental. “Aquilo que se anda a passar (…) é que toda a gente hoje em dia não é autismo, tem TDAH (…) isto vem de uma desinformação geral (…) e porquê que existe este autodiagnóstico, a meu ver, para além da necessidade de pertença (…) porque efetivamente começou (…) uma onda (…) de autodiagnóstico de TDAH“, sublinhou.
A podcaster criticou ainda a forma superficial como o tema é tratado. “Existe, por outro lado, também um entusiasmo muito grande com a saúde mental, que andamos a falar muito sobre saúde mental, mas isso não quer dizer que andemos a falar bem“, notou, apelando a que o público procure ajuda especializada. “Eu queria que se retirasse daqui é que as pessoas que se estão a autodiagnosticar com isto (…) procurem, por amor de Deus, um diagnóstico formal, se conseguirem“, rematou.
Susana Dias Ramos reage a criticas de David Motta e Filipa Torrinha em direto na TVI