“A podridão desta sociedade”: Rute Sousa justifica viagem a Israel e ‘desmente’ jornalista em direto no ‘NOW’
Ameaças de morte e violação: Rute Sousa expõe consequências da viagem a Israel
A influenciadora digital aceitou o convite para falar no «Jornal à Hora de Almoço» do canal NOW e esclareceu os contornos da visita.
A influenciadora digital Rute Sousa marcou presença esta quarta-feira, 29 de julho, no «Jornal à Hora de Almoço» do canal NOW, conduzido pela jornalista Marisa Caetano Antunes. A entrevista ocorreu na sequência da polémica iniciada pelas denúncias de Kiko is Hot sobre o reforço do orçamento de propaganda do Estado de Israel e o recrutamento de criadores de conteúdos para promoverem uma imagem favorável do país.
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Logo no início da intervenção, Rute Sousa lançou uma farpa à SIC, canal onde havia sido entrevistada recentemente e do qual criticou a edição da sua participação. “Gostaria de agradecer o convite por parte do NOW. Foi bom saber que vocês não são como outros meios de comunicação social, que me fizeram uma entrevista de 20 minutos e emitiram 9 segundos. Portanto, obrigada desde já a esta casa por nos disponibilizar este espaço e por nos deixar vir a repor a verdade“, atirou.
Questionada sobre os contornos da viagem e as suspeitas de instrumentalização, a influenciadora, que também é investigadora académica na área da Ciência Política e terrorismo, negou qualquer tentativa de controlo sobre o seu discurso.
“O convite foi feito por parte da embaixada de uma forma muito natural (…) Disseram: «em julho vai haver uma semana em que nós queremos levar influenciadores digitais a Israel, vocês não vão ser pagos para isso, só vamos assumir as despesas, vocês não estão condicionados de forma nenhuma em relação ao conteúdo»“, explicou.
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Para Rute Sousa, a ausência de um guião deitou por terra a tese de propaganda orquestrada. “Quando dizem que isto é uma operação de branqueamento, se o é, então o Estado de Israel precisa urgentemente de um novo gabinete de comunicação, porque se é uma operação de branqueamento e não há uma cartilha para aquilo que nós devemos dizer, torna-se meio estranho“, ironizou.
A convidada esclareceu ainda os detalhes logísticos: “Como é habitual em todas estas delegações, [foram pagos] o avião e os hotéis. E depois nós tivemos o almoço e o jantar. Tudo o resto (…) foi pago por nós“.
A entrevista subiu de tom quando a jornalista questionou as intenções e o alcance da deslocação, especialmente após a passagem pela Faixa de Gaza. “Se Israel quisesse fazer um genocídio em Gaza, já o teria feito. Sabe porquê? Porque Israel controlou o Irão (…) em 40 dias. Portanto, com a Faixa de Gaza, se Israel quisesse fazer um genocídio, fazia em 8 horas“, defendeu Rute Sousa.
Para fundamentar a sua perspetiva, a investigadora citou dados estatísticos: “O Gabinete de Estatística da Palestina emitiu um relatório em 2025, no Dia da População, a dizer que nasceram 100 mil bebés desde a guerra. Num genocídio não nascem 100 mil bebés“.
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Ao abordar as dificuldades de acesso da imprensa internacional a Gaza, Rute Sousa desafiou a tese de bloqueio total por parte do governo israelita, garantindo que “existem fotografias de jornalistas no mesmo túnel” que visitou, publicadas há alguns meses. “O jornalista do NOW que não consegue lá entrar, eu peço, por favor, que entre em contacto comigo e a direção do NOW que entre em contacto comigo, que eu faço questão que ele vá ao mesmo túnel que eu fui. Eu trato do assunto“, assegurou.
Na reta final da conversa, a influenciadora expôs a gravidade das repercussões que tem enfrentado desde que a viagem se tornou pública. “Já recebi ameaças de morte, ameaças de violação em grupo (…) Esta viagem e o que se está a passar (…) diz mais sobre a sociedade portuguesa do que sobre Israel“, desabafou.
Segundo Rute Sousa, a reação do público destapou um preconceito enraizado. “A polémica que se está a passar não é sobre o Estado de Israel, é sobre o estado da podridão desta sociedade, é sobre as narrativas capturadas dos meios de comunicação social em Portugal, é sobre o antissemitismo europeu que nós achávamos que tinha acabado“, rematou.
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