Betty Grafstein: advogado revela a frase chocante que resume anos de sofrimento…
Alexandre Guerreiro detalha o depoimento da empresária e a sua incrível força...
Betty Grafstein depôs no Tribunal de Cascais a 29 de setembro de 2026, através de videoconferência a partir dos Estados Unidos.
As suas declarações, aguardadas com grande expectativa, confirmaram tudo o que a defesa, amigos e os profissionais que fizeram a primeira denúncia no hospital já tinham adiantado. Alexandre Guerreiro, advogado da empresária, esteve no ‘Passadeira Vermelha’ da SIC Caras para comentar o testemunho.
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Liliana Campos, apresentadora do programa, sublinhou a importância deste depoimento, que gerava incerteza devido ao estado de saúde de Betty. Alexandre Guerreiro confirmou que as dúvidas persistiam, lembrando que em junho de 2026 a empresária não reunia condições físicas e psicológicas para depor.
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O advogado explicou que foi necessário um pedido ao tribunal e à equipa médica que acompanha Betty Grefgstein para que houvesse uma maior preparação. “O seu depoimento parece-nos que é fundamental para toda a descoberta da verdade”, garantiu, após a equipa médica dar luz verde.
Liliana Campos referiu o impacto das declarações de Betty na imprensa, classificando-as como “relatos chocantes”, e questionou se tudo o que era essencial tinha sido dito. Alexandre Guerreiro admitiu que “há sempre mais coisas que podem ser ditas”, mas assegurou que “o essencial foi dito” a 29 de setembro.
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“Foram descritas as agressões que a senhora Betty Grafstein sempre nos tinha relatado e tinha relatado aos profissionais de saúde e até aos órgãos de polícia criminal”, detalhou o advogado, explicando que a empresária descreveu a “duração, a tipologia de agressão, o seu modo de vida”. Guerreiro considerou que seria “muito estranho” se Betty conseguisse precisar datas e momentos exatos das agressões, pois “a senhora Betty foi muito clara ao dizer que os abusos e as agressões eram sistemáticos, portanto eram quase normalizados e faziam já quase parte da sua vida”.
O advogado elogiou a “capacidade de resistência” de Betty, que depôs “mais de uma hora sem qualquer tipo de tema proibido e com aquela vontade”. Para Alexandre Guerreiro, é “um registo que deve ficar até para a história e deve ajudar a inspirar outras vítimas de violência doméstica”.
A apresentadora abordou a crítica comum de que Betty só agora se manifestou após décadas de alegada violência, lembrando que é uma realidade frequente em casos de violência doméstica, onde muitas vítimas nunca chegam a denunciar. O advogado concordou, citando uma frase da empresária: “Ela própria disse que sentia como um rato preso numa ratoeira, não tinha como sair”.
Alexandre Guerreiro destacou a importância de uma rede de suporte, elogiando “o papel dos profissionais de saúde e de outros amigos próximos que conseguiram criar as condições de confiança para que a senhora Betty Grafstein sentisse que finalmente poderia dar um passo para sair desta relação”. Lembrou que Betty, com 95 anos na altura da denúncia e quase 98 atualmente, “continua determinada em fazer justiça por si e também por outras mulheres”. A empresária só avançou quando “sentiu que o alegado agressor não iria mais conseguir importuná-la nem tentar manipulá-la”, especialmente após o incidente de 20 de abril de 2024, quando “percecionou que a sua vida estava em risco”.
Liliana Campos questionou se a decisão da juíza de impedir a presença de José Castelo Branco, desligando a câmara e o microfone, contribuiu para o conforto de Betty Grefgstein. Alexandre Guerreiro confirmou que o pedido para afastar o arguido partiu da defesa, “para evitar qualquer tipo de perturbação”. Explicou que, mesmo em silêncio, a simples imagem de José Castelo Branco “podia ser o suficiente para que o seu depoimento fosse condicionado”, dada a “situação psicológica de estar extremamente perturbada com tudo aquilo que viveu”. O tribunal “não hesitou e avançou certamente para a criação de condições para que a senhora Betty não pudesse ter esse constrangimento”, acrescentou.
A apresentadora notou a presença de jornalistas em tribunal, questionando se o pedido da defesa de Betty para exclusão de publicidade tinha sido recusado. O advogado confirmou que o pedido foi recusado a 29 de setembro. “Não concordamos naturalmente com isso por causa das circunstâncias”, admitiu, mas frisou que o objetivo principal era “garantir todas as condições de estabilidade para que a senhora Betty Grafstein pudesse falar, porque era a testemunha principal”. Apesar da recusa, o facto de Betty não ver os jornalistas na sala contribuiu para o seu conforto. “Na nossa opinião, foi extremamente importante para que ela conseguisse falar”, concluiu, garantindo que não é “algo que nós fizéssemos aqui uma questão de honra”.
Liliana Campos mudou de assunto, perguntando sobre o andamento do processo de divórcio. Alexandre Guerreiro revelou que haverá uma audiência prévia “na semana de 5 de outubro”, mas evitou fazer previsões. “Não posso naturalmente fazer previsões porque depende sempre também da decisão do tribunal em última instância e de qualquer eventual ou possível acordo outra parte, que em princípio não está aqui em cima da mesa”, explicou.
Por fim, a apresentadora perguntou como Betty Grafstein se sentia após o depoimento. Alexandre Guerreiro contou que falou com a empresária antes e depois da audiência. No dia anterior, Betty estava “com determinação” e até com “humor”, brincando: “Eu espero cumprir e conseguir falar”. O advogado tranquilizou-a, garantindo que o tribunal seguiria o seu ritmo. Após a audiência, Betty mantinha “o mesmo estado de espírito, mas acima de tudo uma sensação de alívio, como se tivesse cumprido a sua missão de ter conseguido falar”. Guerreiro explicou que Betty receava não conseguir “precisar os pormenores”, mas ele assegurou-lhe que era “perfeitamente natural que ela não se lembre dos detalhes todos, porque às tantas foi normalizado. Foi quase como beber água ou almoçar ou jantar”.