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Conceição Queiroz relata agressões e ataques racistas: “Uma mulher negra que se projeta intelectualmente incomoda”

Sem filtros, a jornalista lembrou o episódio de violência que sofreu num direto e expôs a discriminação que ainda se vive em Portugal e nos bastidores da televisão.

Conceição Queiroz recordou os episódios de violência física e psicológica de que tem sido alvo ao longo da sua carreira.

No sofá do “The Leite Show”, conduzido por Flávio Furtado, a jornalista da TVI e CNN Portugal falou abertamente sobre o preconceito, não deixando nada por dizer.

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O episódio em que quase foi agredida na rua durante um direto foi um dos momentos mais tensos da conversa. A jornalista lembrou a dualidade de critérios da sociedade perante quem a atacou. “Se fosse uma mulher negra, naquela situação, o que é que se diria? Selvagens, guerra preta, etc. Como foi aquela senhora, o que eu ouvi foi ‘não ligues, não faças caso, é uma indigente'”, lamentou. A agressora mandou a jornalista “para as obras” e “para a sua terra“. “A certa altura eu tinha o microfone na mão direita, passo para a mão esquerda e empurrei-a de facto. Como quem diz, afasta-te de mim. Ela estava em cima de mim”, relatou.

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Para Conceição Queiroz, os ataques refletem um problema estrutural. “Existe uma frustração e incomoda, de facto. Uma mulher negra que se posiciona, que se projeta intelectualmente, incomoda muita gente. Eu chamo de racismo intelectual”, atirou. “Se a mulher negra dançar e cantar, o pessoal bate palmas (…) Se tu vais extravasar aquele ponto e entras num outro campo… Eu dou aulas no ensino superior. As pessoas chegam a olhar para mim a tentar saber para confirmar se eu realmente trabalhava desde 1994”.

Nas redes sociais, o ódio também se faz sentir, mas a jornalista garante ter estratégias de defesa apuradas, relembrando a resposta que deu a um internauta que questionou a sua permanência na televisão: “Eu disse ‘olha, tenho talento, beleza, inteligência, tudo aquilo que o senhor nunca terá'”.

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A rematar, Conceição Queiroz desvalorizou os que tentam diminuir o seu trabalho chamando-lhe “apenas ativista” e deixou um aviso aos críticos: “Faço o meu trabalho bem feito. Sou ótima naquilo que faço. Sou a jornalista mais premiada da TVI e da CNN Portugal”.

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