O avançado analisou a sua frieza na marcação de grandes penalidades e recordou a noite que mudou a sua carreira no Catar.
A frieza no momento da finalização tornou-se a imagem de marca de Gonçalo Ramos nos palcos internacionais e, em entrevista ao programa «Alta Definição», o avançado detalhou a sua abordagem psicológica na marcação de grandes penalidades, nomeadamente na final da Liga dos Campeões, rejeitando a necessidade de estudar o comportamento dos guarda-redes adversários.
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“Não me foco muito no guarda-redes, até porque nós que estamos a bater é que temos a responsabilidade, temos a bola do nosso lado. […] Eu tento sempre rematar de forma que, mesmo que o guarda-redes consiga adivinhar o lado, não defenda, seja indefensável. […] Prefiro arriscar no ângulo do que o guarda-redes adivinhar o lado e depois eu ficar a pensar porque é que rematei assim“, explicou o jogador, assumindo uma forte preferência pela pressão dos instantes cruciais: “Eu gosto do momento decisivo“.
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Essa fortaleza mental foi testada à escala global durante o Mundial do Catar, na noite em que substituiu Cristiano Ronaldo na equipa titular e assinou três golos frente à Suíça. “Foi uma loucura tal. Eu passei de um jogador que tinha acabado de chegar à seleção portuguesa, um atleta do Benfica, primeiro Mundial, e do nada era falado no mundo todo. […] Foi uma avalanche de mensagens, de notícias, de sentimentos. Eu liguei aos meus pais, o meu pai estava sem palavras“, recordou com detalhe, assumindo que o golo inaugural com o pé esquerdo funcionou como um desbloqueio emocional: “Consegui baixar os níveis de nervosismo, de ansiedade… Consegui descansar um pouco“.
Apesar do mediatismo conquistado nessa noite histórica, o atleta natural de Olhão garante que preserva a mesma postura simples do início da carreira. “Eu faço questão de continuar a ser igual, independentemente de fazer um hat-trick, dez hat-tricks, ou falhar três penáltis consecutivos. […] Não quero deixar de ser o Gonçalo que as pessoas conheceram quando eu estava na equipa B do Benfica“, vincou.
Com os olhos postos no Mundial 2026, e apesar de confessar uma fobia invulgar para um algarvio – o medo de mergulhar e de profundezas -, Gonçalo Ramos demonstra total confiança no valor da comitiva lusa orientada por Roberto Martínez. “É possível Portugal ganhar o Mundial. Eu acho que sim, acho que temos que ter essa ambição, mas é a tal coisa, eu acho que temos que ir passo a passo. Temos as ferramentas todas, é só alimentar-nos e confiar uns nos outros“, concluiu, focado em carimbar mais uma página de sucesso na história do futebol nacional.
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