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Das ruas de São Vicente ao estrelato mundial: A história por trás da alcunha de Vozinha

O herói de Cabo Verde que tem o coração no Luxemburgo: As visitas de Vozinha à "irmã" de infância

O guarda-redes que travou a seleção de Espanha no Mundial mantém uma ligação estreita com o Luxemburgo, onde reside a sua grande amiga Sílvia Delgado.

O novo fenómeno do futebol mundial, Josimar José Évora Dias, conhecido nos relvados como Vozinha, tem estado no centro das atenções após a exibição histórica que travou o favoritismo da seleção de Espanha. O empate alcançado pela estreante seleção de Cabo Verde desencadeou uma autêntica loucura digital, com o guarda-redes a somar cerca de um milhão de novos seguidores por dia, atingindo a marca dos 14,1 milhões. Longe dos holofotes das grandes competições, há quem acompanhe este sucesso com o orgulho de quem partilhou o mesmo teto na infância. Sílvia Delgado, residente em Rumelange, no Luxemburgo, recorda o percurso do homem que considera um irmão.

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Tratamo-nos por irmãos, conhecemo-nos desde muito pequenos e sempre mantivemos contacto, sempre nos preocupámos um com o outro“, partilha Sílvia Delgado, natural da ilha de São Vicente, onde cresceu em frente à casa dos avós do atleta. O eterno relvado era, na altura, uma pequena rua de terra batida onde o jovem já improvisava defesas. A emigração aos 18 anos separou-os geograficamente, mas a ligação manteve-se intacta ao longo das passagens do futebolista por Portugal – onde representou o Desportivo de Chaves – e por Angola.

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O Grão-Ducado acabou por se tornar um ponto de paragem habitual na rota do internacional cabo-verdiano pois, após uma primeira viagem em contexto desportivo, Vozinha regressou ao Luxemburgo em 2024 e 2025 para passar temporadas em casa de Sílvia e do marido, o DJ Chu. “É uma animação quando o Vozinha vem cá ao Luxemburgo, vamos sempre a concertos de música cabo-verdiana. Ele gosta de rever os amigos, […] mas as visitas são sempre muito rápidas, de dois dias“, revela, acrescentando, entre risos, que o veterano já prometeu regressar com mais tempo para confecionar a sua “maravilhosa cachupa”.

Para além do sucesso desportivo e da gestão da escola de futebol que fundou na sua terra natal, Sílvia enaltece as qualidades humanas do guarda-redes de 40 anos. “Tem um coração enorme, ajuda os seus sem fazer disso alarido“, garante. A própria alcunha que hoje enche estádios carrega uma memória familiar terna e caricata da infância em São Vicente. “Ele sempre foi muito competitivo e sempre que alguma coisa corria mal, no futebol, sobretudo, […] ia fazer queixas à avó, porque foram os avós que o criaram. Um vizinho nosso adulto, o Nilton, […] perguntava-lhe: ‘Já foste fazer queixas à Vozinha?’. E foi assim que ficou, ele não gostava nada“, recorda a amiga.

O apelido de infância acabou por ser adotado profissionalmente em Angola para evitar homónimos, funcionando também como uma homenagem à avó.

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Mesmo perante o mediatismo global e as mensagens incessantes nas plataformas digitais, o atleta não esqueceu as origens e, no final do jogo com os espanhóis, fez questão de responder à amiga de infância para saber como todos estavam no Luxemburgo.

A expectativa foca-se agora no próximo embate contra o Uruguai, onde a comunidade cabo-verdiana promete unir-se para apoiar o guardião que, no topo da carreira, provou que “não se deve desistir dos sonhos”.

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