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De banhos no quintal à apanha do melão: As memórias humildes que moldaram Ana Arrebentinha

Ana Arrebentinha sobre o trabalho no campo aos 12 anos: "Havia dias que eu fechava os olhos e pensava: um dia vou morrer disto"

Sem luxos e a trabalhar desde cedo na agricultura, a convidada de Daniel Oliveira garantiu que nunca sentiu complexos em relação às suas origens.

A infância e as raízes alentejanas de Ana Arrebentinha estiveram em grande destaque no programa «Alta Definição», conduzido por Daniel Oliveira e, a convidada, natural da Amareleja, viajou no tempo para recordar uma infância marcada por uma grande liberdade no campo, mas também por muito trabalho e algumas carências financeiras que a ajudaram a dar valor à vida.

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Começou a trabalhar com os pais na apanha da azeitona e do melão quando tinha apenas 12 ou 13 anos. “Às 6 da manhã já estávamos a ir para o campo. Às 9 da manhã já estava um calor insuportável“, lembrou, assumindo a dureza da agricultura. “Havia dias que me custava muito, havia dias que eu fechava os olhos e pensava assim: um dia vou morrer disto tudo que estou a passar aqui.

Apesar das dificuldades e de ter brincado “muito pouco” para perseguir os seus objetivos, a artista descreve esses anos com enorme carinho. “Fui uma criança muito feliz. Era a menina do meu pai“, garantiu. As memórias mais simples, como comer uma linguiça assada num lume no chão do campo, são as que lhe deixam mais saudades.

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A humildade da família refletia-se também nas condições em que viviam. A casa demorou a ser construída e, durante muito tempo, não tinham chuveiro nem banheira. “A minha mãe metia-me em frente ao lume de chão que nós temos no Alentejo e tomava banho ali. De verão, o meu pai improvisava no quintal uma mangueira ligada à torneira (…) e tomávamos banho no quintal“, revelou com um sorriso.

Quando questionada por Daniel Oliveira se sentia vergonha na comparação com os colegas, a resposta foi perentória. “Nunca senti vergonha nem daquilo que tinha calçado, nem daquilo que tinha vestido, nem da casa que tinha. (…) Eu sabia que as minhas amigas tinham uma casa bem, tinham uma banheira, tinham tudo, mas estava o essencial, que era o amor“, concluiu.

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