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“Decidi ir ao cemitério”: O comovente desabafo de Carlos Leitão após saber que tem cancro

Fadista Carlos Leitão recusa baixar os braços após diagnóstico devastador

Apoiado pela companheira e pelos amigos mais próximos, o músico iniciou os ciclos terapêuticos e mantém o olhar fixo na recuperação.

Carlos Leitão recorreu à sua página oficial no Instagram para partilhar com o público uma notícia inesperada sobre o seu estado de saúde. Numa reflexão emotiva e sem filtros, o fadista revelou ter sido diagnosticado com um tumor após a realização de exames médicos habituais, descrevendo o impacto imediato da notícia no seu quotidiano.

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‘É um cancro’. O tumor ocupa espaço e empurra para o lado tudo o resto: trabalho, contas, o empate do Benfica, as trombas do empregado ou o café frio, tudo se torna igual e esquecível. O sacana veio manso, de fininho, como um adolescente ébrio a entrar de madrugada. Castigou-me, instalou-se, e cresceu até as análises de rotina meterem a boca no trombone. E derrubou-me o lado racional que é fundamental para tratarmos do futuro: eu, ‘ele’, os médicos, a minha mulher, a minha família e os meus amigos“, começou por escrever o músico.

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O momento de choque levou-o a procurar refúgio junto das suas memórias mais íntimas e dos que lhe são mais queridos. “Decidi ir ao cemitério fazer não sei bem o quê em meia hora de silêncio desabafado em frente à campa do meu pai, abracei os meus enteados com a certeza de que a travessia tem de ser feita com amor. Fechei-me para depois proteger todos os que não têm cancro e gostam de mim. É como se preocupar-me comigo fosse coisa secundária: revolta superior às dores, o medo a medir o desconhecido, e quando claudiquei foi para poder ter colo e suportar as horas capituladas do desespero“, desabafou.

Apesar da fragilidade provocada pelos procedimentos hospitalares, Carlos Leitão destacou a importância dos afetos para superar as dores físicas e emocionais: “Com a arrogância de achar que sou preciso, sei que ando a ser valente; sinto-o quando o corpo me fraqueja. Às dores dou-lhes o abraço da Vanda, que tudo serena, e elas amagam-se. Às da alma ofereço o que escrevo, as visitas dos amigos, os jantares no terraço, os passeios esforçados pela minha linda vila“.

Recordou ainda o choque vivido no recobro: “Os vieses da doença desarmam mais quando se acorda numa cama de hospital sem um pedaço físico que desconjuntou o puzzle que era o meu corpo. Nasce a dor imensa da tangibilidade. É uma bizarria sem cabimento. ‘Sou tão vulnerável’, pensei quando ouvia o meu vizinho do lado, gemendo a dor, tão vulnerável quanto a perdiz que não se apercebe do caçador matreiro atrás da moita. É duro, as armas são desiguais“.

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Com o início do plano clínico agendado para o final do mês de agosto, o artista recusa baixar os braços e traça metas para o futuro: “Vejo lá à frente a esperança, ignorante, esparvoada de tão infantil que pode ser. Ando a arrumar-me e a aproveitar a baixa para decidir futuros. Dizem que ajuda em tempos adversos. E daqui por um ano quero contar todos os passos em frente que dei no cancro e na vida, com roupas leves de linho e um chapéu Borsalino, ao género Bogart, que ando a adiar na minha vida. Os tratamentos começaram hoje. Seguimos. Juntos“.

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