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Polémica no festival de César Mourão: Críticos arrasam boicote de artistas portugueses a Jerry Seinfeld

Festival de humor vira campo de batalha: De Ricardo Araújo Pereira a Rita Blanco, as reações à polémica com Jerry Seinfeld

A presença do humorista norte-americano na MEO Arena motivou a saída em cadeia de vários nomes do cartaz, gerando duras críticas de comentadores e colegas de profissão.

O Commedia a La Carte Fest – Festival Internacional de Humor transformou-se no centro de uma das maiores controvérsias do panorama cultural português. O anúncio de Jerry Seinfeld como principal atração do evento desencadeou uma sucessão de cancelamentos por parte de artistas nacionais, motivados pelo posicionamento público do comediante norte-americano em relação ao conflito entre Israel e a Palestina. Contudo, as recusas em subir ao palco acabaram por suscitar uma vaga de críticas em sentido inverso.

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No espaço de comentário «O Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer», na SIC Notícias, Pedro Mexia considerou que alguém com consciência cívica “nunca teria dito que sim no início”, frisando que o pensamento político de Seinfeld era amplamente conhecido. Por sua vez, Ricardo Araújo Pereira utilizou a sua crónica semanal no jornal «Expresso» para ironizar com aquilo a que chamou uma espécie de “solidariedadezinha”, apontando a incongruência temporal das decisões: “Se participar naquele cartaz é concordar com um massacre, então eles concordaram durante quatro meses“.

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As reprovações estenderam-se às páginas do jornal «Público», onde João Miguel Tavares classificou como “deprimente” o facto de os intervenientes apenas terem percebido meses mais tarde quem era o cabeça de cartaz, acusando os desistentes de cederem ao “pensamento de manada”. Na ótica do cronista, o cancelamento de atuações com base nas posições de terceiros espelha “desprezo por opiniões divergentes” e traduz uma conduta “dogmática” em detrimento do espírito democrático.

A contestação arrancou nas redes sociais através de apelos que visavam o alinhamento do evento devido à postura pró-israelita do comediante e, de imediato, sucederam-se anúncios de abandono, a começar pelo projeto Tributo Pop – que juntava Carolina Deslandes, Tatanka e Bárbara Tinoco – e pelo coletivo musical Cuca Monga. A debandada alastrou-se a Pedro Tochas, ao artista visual Vhils, a Inês Aires Pereira e à dupla Cebola Mol, composta por Eduardo Madeira e Filipe Homem Fonseca.

Ao esclarecer a sua saída, Inês Aires Pereira afirmou não aceitar a presença de alguém que “defende insistentemente ideias e atos” que considera indefensáveis, recusando-se a “relativizar ou normalizar um genocídio”.

Já os Cebola Mol optaram por partilhar o símbolo de uma melancia, associado à causa palestiniana, garantindo que irão celebrar “justiça, liberdade e alegria” noutro momento, ao passo que Vhils solicitou formalmente a remoção do seu trabalho da iniciativa.

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Em contrapartida, diversas vozes manifestaram solidariedade para com César Mourão, mentor da iniciativa pois, em declarações à RTP, Rita Blanco sustentou a necessidade de “criar pontes entre diferentes opiniões”, sublinhando que jamais cancelaria um compromisso artístico unicamente por divergir dos pontos de vista de outro interveniente. Na mesma linha, Bruno Nogueira associou a debandada à cedência perante a agitação virtual, considerando a escolha “desleal para com um festival”.

José Diogo Quintela criticou igualmente o peso do escrutínio nas plataformas digitais e lamentou o avanço de uma postura “intransigente e radical”. Já Fernando Rocha fez notar que, embora compreenda as opções individuais, “nunca falharia um compromisso profissional por discordar das opiniões de alguém“.

Agendado para o período entre 29 de outubro e 1 de novembro, o festival mantém inalterada a exibição de Jerry Seinfeld na MEO Arena, enquanto a organização estuda alternativas para preencher as vagas deixadas pelos espetáculos anulados.

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