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Família, trabalho e sueca: Os pilares da vida de Jorge Jesus, o novo líder da Seleção

Numa retransmissão especial, o treinador da Seleção Nacional revelou como a educação e o trabalho na adolescência forjaram o seu caráter.

Jorge Jesus, o recém-empossado selecionador nacional, abriu o livro da sua vida numa entrevista ao programa ‘Alta Definição’, da SIC.

A conversa, originalmente transmitida em 2020 e reexibida esta semana pela estação de Paço de Arcos, precisamente quando o técnico assume o comando da equipa das quinas, revelou um percurso marcado por valores sólidos e uma infância de luta na Amadora.

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A Federação Portuguesa de Futebol oficializou a contratação de Jorge Jesus na passada sexta-feira, dia 10 de julho, um passo inédito na sua carreira, pois é a primeira vez que comanda uma seleção nacional. O treinador de 71 anos, que sucede a Roberto Martínez, tem um contrato de quatro anos pela frente e já prometeu que Portugal “vem para vencer”, garantindo que Cristiano Ronaldo “nunca será um problema” na sua gestão.

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Na entrevista a Daniel Oliveira, Jorge Jesus recuou no tempo para falar do papel fundamental do pai, Virgolino António de Jesus, também ele ex-futebolista do Sporting. “Meu pai deu uma educação que eu hoje agradeço, da educação que ele me deu, uma disciplina rígida”, contou. Desta base, o técnico aprendeu “vários princípios: princípio da responsabilidade, o princípio da disciplina e o princípio da solidariedade e de respeitar o próximo e de saber partilhar as coisas que eram poucas”.

A casa da família, na Amadora, era um porto de abrigo para muitos. Além dos três filhos, os pais de Jorge Jesus acolheram dois primos, a Nicas e Carlos, e um menino de sete anos que, após passar o Natal com a família por iniciativa da catequese, nunca mais saiu, sendo criado até aos 29 anos. Esta realidade de “quantidade não era muita” ensinou-lhe cedo “o que é partilhar com os outros”, frisou.

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Na adolescência, Jorge Jesus não dependia dos pais para ter dinheiro. “Eu fui criado num sítio que é, como eu disse, muito industrial, do cobre e o metal tem aceitação naquilo que era os ferro-velhos”, explicou. Todos os dias, antes mesmo de ir para a escola, levantava-se às seis da manhã para recolher cobre e metal nas zonas industriais, vendendo-o depois. “Eu tinha sempre dinheiro, até tinha dinheiro para dar aos meus pais”, afirmou, sublinhando que o fazia por si, pois “tinha que lutar”, embora a família nunca tivesse passado fome.

A união familiar, um traço marcante, foi legado da mãe. “A minha mãe ensinou-nos sempre: a família está muito unida, hoje ainda sou assim”, disse Jorge Jesus. A sua maior alegria é juntar a família, que hoje soma “alguns 50, 60” elementos, para almoçar e jantar juntos. O carinho, esse, “nunca faltou”. O treinador defende que em famílias sem abundância financeira, há uma “obrigação” de serem “mais carinhosos uns com os outros”. Observa, até, que os seus próprios filhos, que “têm tudo”, são “muito mais individualistas”. Daniel Oliveira concordou: “O essencial não tem preço”, e Jorge Jesus assentiu.

As recordações da Amadora incluem também o jogo da sueca, um ritual noturno e de festas com o pai e os irmãos, José e Carlos. “Era um jogo que para mim também era familiar e que eu adorava jogar”, lembrou. A convivência na Amadora estendeu-se a outras comunidades, nomeadamente a cigana. “Tratavam-me sempre bem e convivi muito com eles”, disse. Hoje, quando ouve falar destas comunidades, o técnico considera que “não são aquilo que dizem”, sentindo que “são um bocadinho marginalizados”.

Apesar de reconhecer que a formação dos ciganos é “um pouco diferente” e que muitos pais “não deixavam os filhos irem à escola”, Jorge Jesus defendeu que “as pessoas não se definem pelo sítio de onde vieram”. Conheceu de perto os seus hábitos, as fogueiras para aquecimento que o faziam chegar a casa “a cheirar a fumo por todos os lados”. Tudo isso, concluiu, ajudou-o “a ser hoje um cidadão com muito mais responsabilidade e também tendo mais tolerância pelos outros”.

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