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GRANDE ENTREVISTA – Patrícia Müller, autora de ‘O Arquiteto’: “Recebi mensagens de vítimas de filmes de sexo, de uma mãe… A filha matou-se!”

Patrícia Müller iniciou-se como jornalista e construiu percurso multidisciplinar entre imprensa, literatura e guiões de séries e novelas.

É uma das mais conceituadas guionistas da ficção nacional. Começou nos ‘Morangos’ a escrever a história do Pipo e da Joana e da amante do pai. Tem dois filhos, está sempre à procura de novos projetos e concretizou o sonho de trabalhar com Fernanda Serrano em ‘A Protegida’. No início de 2026, preparem-se para “A Balada de um Fuckboy”…

DIOGUINHO – Como é que acha que foi a recepção à série? O que é que lhe têm dito?
Patrícia Müller – Tem sido muito surpreendente, pela positiva. Parece que as pessoas andaram, de facto, a ver isto, que é uma coisa incrível, muito boa, não é? E, pronto, tenho recebido imensas mensagens, imenso apoio, estão a ver isto muito a sério, no sentido da abordagem que optámos por fazer. Falar sobre um tema que tem que ser falado. É como aquela série, ‘Adolescência’ da Netflix.Também fala sobre um tema que tem que ser falado, porque existe. As pessoas estão a ver isso por esse lado e é muito, muito, gratificante ver isso.

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– Foi uma inspiração livre?
– Claro. No entanto, estão lá referências ao shopping e essas coisas e, portanto, como há certos vídeos, portanto, é uma inspiração livre numa coisa que foi um escândalo.

– Na altura, quando a série foi anunciada, recebeu algumas pressões para não a fazer?
– Não, não, pelo contrário, eu vendi à TVI. A TVI comprou isto, sempre foi tudo absolutamente claro. Aliás, eu vendi a série, e continuo a defender que não é a história de um homem. É a história de duas mulheres. Isto é uma história de duas mulheres contra um homem, no sentido em que é a história de duas mulheres que, ao depararem-se com uma situação que elas não consideraram certa ou justa, decidiram agir.

– Mas o que é que responde a quem diz que aquele Tomé Serpa é o Tomás Taveira, o arquiteto?
– Argumento que não é, nem pode ser, porque eu não falei com ele. Inventei tudo. Por exemplo, hoje de manhã se da APAV tinha existido. Sim, a APAV foi criada naquela altura, eu descobri isso numa das minhas investigações. Mas em nenhum momento havia uma secretária, que eu saiba.

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– Foi uma personagem criada?
– Sim, a secretária e a amante que se juntaram para fazer o que quer que fosse. Ou seja, a história de duas mulheres contra um homem, foi completamente inventado por mim. Isso não existe. Existem só alguns factos que nós conhecemos, factos públicos, que compuseram um escândalo na altura, que foi toda a gente saber e ter acesso a cassetes onde mulheres eram filmadas. Pronto, isso, sim, sabe-se. O resto, eu inventei.

– Da mesma forma que fez quando escreveu a série ‘A Filha’?
– Exatamente. ‘A Filha’ correu muito bem, também foi assim. Olhe, como fiz com a ‘Madre Paula’. Chamou-me à atenção porque, uma vez, vi uma notícia que referia D. João V e a sua amante, uma freira. E achei genial. É a partir dali que eu trabalho. É igual, A Filha também. A Filha é um caso que nos chamou à atenção na altura, completamente público, numa coisa que me interessou muito, a luta de duas famílias por uma criança.

– A Patrícia é jornalista…
– Eu era jornalista, tirei o curso de jornalismo, exatamente, na Universidade Nova. Mas trabalhei pouco em jornalismo. No entanto, mantive sempre esse pé na realidade. São coisas que me interessam muito. Pessoas interessam-me, as histórias das pessoas interessam-me.

– Como é que chegou a guionista?
– Foi na velhinha Casa da Criação, comecei nos ‘Morangos com Açúcar’. A primeira vez que eu estive na Casa da Criação fiz uma adaptação, mas depois saí e voltei. A coisa mais significativa de que me recordo é mesmo os Morangos. É entrar numa equipa… Já havia seis episódios escritos, portanto eu não criei nada. Foi criado por uma equipa. Mas depois, a equipa que levou aquilo para a frente, a partir do sexto episódio, eu fazia parte dessa equipa, éramos uns miúdos. Eu lembro-me perfeitamente de me dizerem, isto eu lembro, ‘Ah, isto é uma série para às sete da tarde, para miúdos e não sei o quê. E de aquilo não ter a importância que tinha a novela das nove’. Mas depois, foi o fenómeno que foi. Ninguém estava à espera, era uma coisa para os miúdos. Era ótimo, claro, muito bem feito, muito bem produzido!

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-Qual foi a primeira cena dos Morangos que escreveu?
– Lembro-me do que mais me fez motivar para achar que aquilo era espetacular. Era uma coisa que hoje não me deixavam fazer, eu acho. O Luís Esparteiro fazia de pai da Benedita Pereira, a Joana, logo na primeira série do Pipo (João Catarré). E o pai era amante da Carla, a Filomena Cautela. A melhor amiga andava metida com o pai, e só tinha dezassete anos… E eu achei aquilo, quem pensou aquilo foi a outra equipa, mas achei aquilo do nível de uma transgressão e originalidade magníficas. Os Morangos foram transgressores e muito originais. Estive na primeira season (temporada), depois na quinta, a do de verão, que foi toda num circo. Essa sim criada por mim, num circo, com o Pedro Barroso. Foi gravada em Odeceixe, no Alentejo.

– E depois, escreveu uma novela para a SIC…
– Sim, fiz a ‘Rosa Fogo’. Foi a minha estreia na SIC, que foi ótimo porque fomos aos Emmys. Uma história criada ali à volta da dança, que também foi um tema novo. E um trio de protagonistas excelentes: a Cláudia Vieira, o Ângelo Rodrigues e o José Fidalgo.

– Na SIC também fez a ‘Poderosas’, que não correu tão bem. Ou foi o horário, que não era o ideal?
– Não sei. Às vezes as coisas também não correm exatamente como nós queremos ou estamos à espera. Eu gostava muito da novela. Mas houve ali coisas que não funcionaram. E está tudo bem. Seguimos.
Depois saí da SIC e, finalmente, fiquei freelancer.

– Prefere escrever séries ou novelas?
– Eu gosto muito de ficção, ponto. Portanto, eu escrevo qualquer coisa que me interesse. Uma série de seis episódios acaba por ser diferente de fazer uma novela de 200. O tempo é maior, consegues pensar melhor, explicar as coisas melhor. Mas não há nada como a adrenalina de fazer uma novela. Isso é absolutamente extraordinário. Fiz agora uma, ‘A Protegida’, está na TVI. Ficou super bem. E, adoro essa adrenalina e esse trabalho de equipa. É muito, muito interessante. Portanto, gosto. Eu gosto de tudo. A minha génese é ficção, sabe? Portanto, tudo o que tem a ver com ficção, eu adoro, literalmente. A minha melhor criação é sempre a próxima. É que aí vem.

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– Mas já há uma próxima? Já está a pensar nisso?
– Claro, claro. Estou sempre a andar em frente. Vem aí um livro, uma data de coisas. A ‘Madre Paula’ começou por ser um livro. Vou publicar outro livro no início do ano. Acho que o livro é giro. É o resultado de um estudo que tenho feito. O livro chama-se ‘A Balada de um Fuckboy’. Porque eu comecei a ver, isto é uma coisa super contemporânea, as minhas amigas a queixarem-se, muitas vezes, as solteiras, de que conhecer rapazes novos está muito difícil. E porquê? Porque há um fenómeno, depois eu fui à procura, e há um fenómeno que Freud explica, chamado ‘donjuanismo. São homens, e isto está a ser muito exponenciado pelas redes sociais, e por isso é que eu me interessei, são homens que vão atrás de mulheres, apenas para as conquistar e depois largar. Ou seja, o fascínio é a conquista e, quando conquistam, adeus. Largam-nas elas estão apaixonadas. E a partir deste ponto, deste pressuposto, eu fui à procura de ver se isto era real. Atrás de cada pedra está um ‘Fuckboy’.

– E como está a decorrer esse trabalho?
– Comecei a encontrar uma data de rapazes que não se importaram de falar comigo amavelmente, muito porreiros, que obviamente mantiveram o seu anonimato, porque isto é um livro de ficção. Eu juntei todos num, e fiz a história.

– Parece ter tudo para também ser adaptado para a televisão, tem potencial…
– Não sei, vamos ver, vamos ver, agora vamos ver como é que isto corre. Eu acho que a história é boa, acho que as mulheres vão gostar de se rever aqui, e vão gostar de pensar um bocadinho sobre isto. Eu trabalho muito com mulheres, e trabalho muito com mulheres num mundo que às vezes é um bocadinho um estilo para elas. Nomeadamente, na relação com os homens, mas não só, na relação com elas próprias também. E então, espero que as mulheres que vejam isto, que leiam isto. Como aqui um bocadinho nesta história do arquiteto, não imagina a quantidade de mensagens que eu tenho recebido de pessoas muito seriamente a dizer-me, ‘olhe, a minha filha, ou a minha prima, ou eu própria, fui alvo de filmes sexuais, e isso destruiu a minha vida’. Ou, ‘a minha filha matou-se, também já recebi, ‘a minha filha matou-se porque haviam filmes sobre ela, e fotografias, sexuais.

– Nos últimos dias, as pessoas identificaram a autora, e então enviam-lhe mensagens. Mas já falou com alguma dessas pessoas, ou prefere não te ligar emocionalmente?
– Prefiro não me ligar emocionalmente, prefiro. Mas como é que uma autora fica depois de receber a mensagem de uma mãe a dizer que ‘a minha filha matou-se, exatamente porque havia um filme como ali na série’?! Isto é horrível. Eu tenho uma filha, e isto é terrível. E nós estamos a caminhar para esse sítio, nós não estamos a fugir dele. E isto tem que ser, acima de tudo, educação que nós damos não só às nossas filhas, como também aos nossos filhos. As histórias, entre aspas, os relatos que me enviam são de mães, de pessoas que viram a sua vida destruída porque deram… Conheço um caso, vivi isso na pele. É tudo de pessoas que acharam que estavam a fazer uma espécie de um jogo sentimental com a pessoa com quem estavam, vamos gravar a relação porque é giro, e depois viram a sua vida completamente destroçada e cheias de vergonha, ou da mãe que perdeu a filha por causa disto.

– É realmente assustador…
– Sim, sim, matou-se, matou-se. Também já recebi a dizer de fotografias também, ou seja, não só de filmes, porque por exemplo, isto na escola do meu filho, uma rapariga que mandou fotografias ao namorado, e o namorado passou isto. Na escola do meu filho. Ele tem 19 anos, isto foi já há quatro ou cinco anos.

– O seu filho vê, lê, as coisas que escreve, comenta?
– Não vê, mas comentamos muito sobre isso. E por acaso, isto foi, estávamos a falar sobre o tema, porque não é um tema fácil. E nem toda a gente gosta de falar sobre ele. Além de que eu acho que, ainda por cima, nós temos muita dificuldade, o português em geral, tem muita dificuldade em reviver alguns fantasmas sociais e coletivos. Porque isto é um fantasma coletivo. Mesmo.

– Na altura do grande escândalo, isso não foi trabalhado na sociedade…
– Trabalhado no sentido de que não foi sanado. Porque, na altura, era uma câmera de vídeo e uma cassete, e hoje em dia há todo um rol de dispositivos para fazer isso e muito mais. Isto é um horror, hoje estás à distância de um clique. Antigamente só havia isto, tinhas a cassete, tinhas que levar a cassete, tirar a cassete, por a cassete. Agora não, agora não é isso. Agora a pessoa pode pensar que vai ter um encontro com uma pessoa com quem tem uma relação e essa pessoa, de má fé, esconde um telemóvel ou qualquer coisa a filmar para depois fazer o que bem lhe apetecer. Porque acredito que há quem goste e está tudo bem. O problema é que, de repente, esse filme de consumo próprio não é de consumo próprio.

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– Patrícia, vou-lhe fazer uma questão pessoal. Se não quiser responder, é perfeitamente compreensível. Alguma vez se sujeitaria a fazer um filme destes, ou autorizaria, ou teria receio?
– Não, eu tenho pânico. Alguma vez?! Tenho pânico. Não. Não deixo. E estou sempre a gritar com a minha filha, coitadinha, e com o meu filho e não sei o quê, estou sempre a dizer, vocês nunca filmam, vocês não se ponham, vocês não mostrem, vocês não mandem, vocês nada! Eu também sei que ele não faz. Há uma educação. É que nem lhe passe pela cabeça, uma sova que eu nem sei, acho que o matava. Acho que o matava, literalmente.

– Quando foi anunciada a série, e quando o Rui Melo foi anunciado como protagonista, ele chegou a dizer que teve algumas pressões, não se sabe da parte de quem, mas supostamente, se pensarmos um bocadinho, poderemos chegar lá. Alguma vez ele chegou a comentar isso consigo?
– O Rui Melo, sim, acho que uma vez numa reunião que nós tivemos, andavam a chateá-lo. Mas sim, mas ao princípio, quando isto soube, houve muitas pessoas que começaram a falar sobre isto porque as pessoas ficaram com medo que houvesse a glorificação de uma personagem deste género. E portanto, e é compreensível. Porquê? Porque, não te esqueças que em Portugal, a maneira de reagir a isto foi através de ‘memes’…

– Gozar com a querida, está todo, essas coisas…
– E portanto, acho que não é natural que algumas pessoas mais atentas tivessem preocupação de que isso fosse o objetivo. Obviamente nunca seria, nem nunca foi. E portanto, eu entendo a preocupação inicial das pessoas, que obviamente já foi desfeita. Não há ninguém que agora diga que isto está a glorificar o que quer que seja.

– ‘O Arquiteto’ foi exibido durante toda a semana passada, em seis episódios, de segunda, 22, a sábado, 27 de Setembro, em horário nobre na TVI. Para além de que agora está disponível no TVI Player, na Prime Video. Teve bons números em termos de audiência?
– Sim, correu bem. Porque isto é um assunto, o título, o assunto, a história, é tudo muito apetecível. E as pessoas ficaram fãs e depois… Já há ficção em português, portuguesa, numa plataforma. Isso é incrível.

– Sobre ‘A Protegida’, que é agora a última novela da noite da TVI…
– Mas lidera… Eu adoro a novela. Foi uma das melhores experiências profissionais, eu não me canso de dizer isto, que eu tive nos últimos tempos, com a Plural. Eu gosto muito da Plural, gosto muito de trabalhar com eles E com o realizador, o Tó Correia. Foi espetacular. Foi absolutamente incrível. Foi mesmo das melhores experiências profissionais, humanas, que tive nos últimos tempos. Com um elenco incrível. Muito bom.

– Foi um ano de muito trabalho?
– Foi um ano de loucura, não é? Porque escrever novela é esta loucura, mas compensou em tudo, porque as pessoas que estavam comigo são mesmo as melhores. A trabalhar 12 horas por dia, quase todos os dias. Era sentar-me às 9 da manhã e levantar o ‘rabo’ 10, 11 horas depois. Fins de semana incluídos. Eu sabia de tudo, falava imenso com o Tó. Ele ia mostrando coisas, eu ia dando a minha opinião, mas claro, obviamente quem decide é ele, o realizador é ele, não estou aqui para dizer isso. Mas foi tão colaborativo, foi tão porreiro, foi tão bom.

Qual é a sensação quando assiste ao primeiro episódio?
– É um orgulho imenso, um orgulho. Aquele primeiro episódio estava um estrondo. E correu-me tão bem a estreia, a estreia foi brutal. O principal é ver mesmo uma equipa inteira, com tanta gente, e tão dedicada. Com as condições que, às vezes, nem sequer são ideais. Nós estamos em Portugal, portanto custa. Fazer arte em Portugal é um acto de resistência, porque nós temos um público pequeno, somos poucos, e não temos orçamentos milionários, talvez exatamente por essa razão, portanto estamos sempre a resistir, sempre, sempre a resistir, e é muito fixe ver como é que há pessoas que não desistem, que também não são artistas, mas programadores, produtores.

– Quando escreve uma novela, por exemplo, pensa em alguém, está a escrever para algum ator em específico?
– Não, quando penso em personagens ouço mais vozes, eu sei que é uma coisa meio esquizofrénica, mas estou a ouvir vozes, uma voz mais aguda, uma voz mais grave, uma voz mais intensa, uma voz mais calma, é mais vozes, não penso em atores específicos.

– Por exemplo, n’ O Arquiteto, foi a TVI que escolheu o Rui Melo?
– Foi a produção, aliás, a responsabilidade da escolha do Rui Melo até foi do produtor, do Gandarez, o Gandarez é que, um dia, liga e diz, ‘olha, o que é que achas do Rui Melo?’ E eu sei que o Rui Melo é incrível, e depois a TVI obviamente aprovou, porque de facto era difícil encontrarmos alguém mais que o Rui Melo. Antes de ver a primeira cena, bastou ver o figurino dele. Ele estava mesmo numa versão sebosa.

– Compensa ser guionista em Portugal, em termos monetários?
– Por isso é que eu digo, é um acto de resistência. Depende do negócio que eu fizer com a estação ou com a produção. Mas eu não posso queixar, percebe? Eu tenho trabalhado, continuo a trabalhar, trabalho muito. Tenho muitas propostas, estou sempre a inventar coisas, a inventar ideias, a tentar vender. Este arquiteto, para tu veres, eu já tenho em carteira há alguns anos, isto não é de agora. Demorou a vender, a encontrar os parceiros certos, e pronto. Se escreves uma novela, ainda ganhas uns dinheiros. Claro. Se escreves umas novelas, ainda ganhas uns dinheiros. Agora, o problema é que não estou sempre a escrever novelas. E também há uma equipa a pagar.

– Tem alguma atriz ou ator preferidos para os projetos que faz?
– Tinha. Por acaso, vou-te dizer, na ‘Protegida’… Já tinha tentado várias vezes, eu disse-lhe a ela, eu há anos que queria trabalhar com a Fernanda Serrano, desde que ela fez o filme ‘Jaime’ do António Pedro Vasconcelos. Ele dizia que ela era uma atriz incrível. E é. Nunca tinha trabalhado com ela. E já tinha tentado, mas olha, a vida ainda não tinha dado. E então, agora, na ‘Protegida’ ela fez a Clarice, incrível, maravilhosa. É muito boa atriz e foi uma grande alegria. Mas há outras atrizes que eu adoro, sei lá, e que fizeram trabalhos maravilhosos. A Dalila Carmo fez um trabalho incrível em ‘A Filha’. A Jéssica Athayde fez um trabalho incrível no ‘Pai Tirano’. O Diogo Morgado foi uma grande surpresa na Protegida. Adorei, adorei, adorei. O Paulo Pires é sempre o meu rei do coração, não é? E o Zé Condessa também foi muito bom na Filha. E agora, obviamente, todo o elenco do Arquiteto, claro. Espetacular. A Teresa Tavares, a Maria João Pinho, o Rui Melo. Absolutamente incrível.

– Que mensagem quiseste passar com o final de ‘O Arquiteto’?
– Eu espero, sem ter sido moralista, ter tido algum fundo moral no meio desta história toda. E, portanto, acho que fechei bem. Não sai impune. Não sai, não. Não podia. Cada um tem o que merece e o Arquiteto tem a paga dele. Vai, vai, vai. Graças a Deus, nós podemos contar esta história. Esta história diz-te que não se podem filmar pessoas sem consentimento. Ponto. Não importa quem tu sejas.

– Pegou numa história, tiveste uma inspiração numa coisa que tem 30 e tal anos e que é tão atual no dia de hoje…
– Então não é, caramba, com esta história agora de toda a gente que é acusada e dos atores e não sei o quê. Está tudo horrível, não é? Está horrível. E, portanto, isto ainda é mais atual. Eu achei isto incrível. Foi mesmo numa altura boa. Onde tudo é discutido. Onde tudo é pensado. Que bom estarmos numa altura em que podemos fazer isto.

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