A polémica em torno da participação de Portugal na Eurovisão 2026 está a ganhar contornos de crise institucional.
O que começou como um descontentamento nas redes sociais transformou-se numa onda de pressão formal: uma petição pública, lançada a 5 de dezembro para exigir a retirada do país do certame devido à presença de Israel, ultrapassou as 12 mil assinaturas em poucos dias, exigindo uma tomada de posição ética por parte da estação pública.
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No texto, os subscritores classificam a postura da RTP como “inaceitável perante a contínua catástrofe humanitária na Faixa de Gaza” e exigem o cancelamento da viagem a Viena. O documento é duro, citando a “manipulação comprovada dos resultados como ferramenta de propaganda” e a “vergonhosa posição de apoio” manifestada pelo voto português na reunião da UER.
A contestação alastrou também aos corredores da própria empresa e as estruturas representativas dos trabalhadores da RTP manifestaram-se contra a continuidade no concurso, defendendo, num plenário realizado no âmbito da greve geral, que o canal deve assumir uma postura alinhada com os princípios de serviço público.
Contudo, o golpe mais mediático na decisão da RTP chegou pela voz de Salvador Sobral. O vencedor da Eurovisão 2017 reagiu publicamente após atuar no concerto solidário “Juntos por Gaza”, ironicamente transmitido pela estação pública, não poupando nas palavras.
“A RTP, o canal do Estado, decidiu participar na Eurovisão mesmo com a presença de Israel. A expressão ‘dar uma no cravo e outra na ferradura’ nunca fez tanto sentido”, lamentou o músico num vídeo partilhado no Instagram, e foi mais longe e classificou a opção como “cobardia política, coerente com a cobardia institucional das instituições públicas”, defendendo que o boicote seria uma decisão “simplesmente humana e óbvia”.
Para resolver o impasse, o artista propôs um modelo alternativo: manter o Festival da Canção como celebração da música nacional, mas sem enviar o vencedor à Eurovisão, premiando-o de outra forma para evitar legitimar o palco internacional no atual contexto.
Com a pressão pública a aumentar e as assinaturas a subir, a RTP mantém-se, para já, firme na decisão de marcar presença na Áustria em maio de 2026, navegando águas cada vez mais agitadas. Poderás ver a petição aqui.