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João Vicente reflete sobre a sociedade atual no «Alta Definição»: “Vejo uma nova geração mais racista e homofóbica”

"O individualismo está a desenvolver-se a uma escala absurda": João Vicente lança duro alerta a Daniel Oliveira

Em entrevista a Daniel Oliveira, o ator expressou inquietação quanto ao rumo da sociedade e ao impacto do consumo desenfreado nas redes sociais.

O ator João Vicente esteve este sábado, dia 24 de outubro, à conversa com Daniel Oliveira no programa «Alta Definição», da SIC. Ao longo de uma partilha intimista que passou pelas memórias de infância em Rio de Mouro, pela importância da família e pelo seu percurso na representação, o artista manifestou uma profunda inquietação em relação ao caminho que a sociedade contemporânea está a trilhar, apontando o dedo à degradação dos princípios fundamentais nas camadas mais jovens.

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Questionado sobre o que mais o perturba no presente, o ator assumiu o desassossego perante as novas realidades sociais. “Inquieta-me que as novas gerações estão a ser moldadas em imagens muito perigosas. Eu vejo uma nova geração mais racista, mais misógina, mais homofóbica“, confessou, admitindo o peso da constatação: “Isso assusta-me e dá-me a ideia que eu estou-me a aperceber disto tarde demais. Não sei se vamos a tempo de mudar aqui qualquer coisa na nova geração, mas espero que a que venha a seguir, de alguma forma, se consiga aqui dar uma volta qualquer“.

Para João Vicente, esta transformação negativa tem raízes vincadas no universo online e na forma como a informação é consumida sem filtros. “Toda esta ideia de redes sociais, de discussões e de desinformação, de não conseguirmos distinguir já o que é o certo e o que é errado, acho que isso está a vir ao de cima“, observou, frisando a erosão dos laços interpessoais: “Acho que estamos numa crise de valores muito grande, e para mim os valores mais importantes são mesmo o olhar para o outro, a tolerância, o vivermos em comunidade. Eu acho que isto é fundamental e eu acho que se está a perder isto. Acho que se está a desenvolver o individualismo a uma escala absolutamente absurda e é assustador“.

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O artista recorreu também à perda de memória histórica para ilustrar a normalização de discursos que antes eram consensualmente repudiados. “Falar do Hitler aqui há uns anos era mesmo sinal de coisa absolutamente errada e que não se pode repetir. Hoje em dia falar do Hitler é mais dúbio, não é tacitamente uma coisa má. Quer dizer, para mim é, continua a ser, mas antes era tipo Hitler era uma coisa proibida de ser louvada ou de ser enaltecida, era mesmo sinal de mal. E hoje em dia não é. Tudo isto é assustador“, lamentou perante Daniel Oliveira.

Atualmente integrado no elenco da peça «Catarina e a Beleza de Matar Fascistas», João Vicente considera a sua presença em palco um ato de resistência e consciencialização. “Não estamos aqui a fazer apologia da violência, estamos aqui a fazer apologia de como é que se mata uma ideia que fomenta a violência, que fomenta o extremismo, todo o tipo de preconceitos em relação à sociedade, às minorias“, explicou.

O ator encara este trabalho como “uma oportunidade de erguer uma bandeira que para mim é fundamental, que é a bandeira da liberdade, da democracia“, reiterando que, apesar do panorama sombrio marcado pela ascensão da extrema-direita à escala global, mantém a esperança de que o teatro e o pensamento crítico ajudem a preservar um futuro com dignidade humana.

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