“Lembro-me de estar completamente bêbado a fazer coisas estúpidas”: Manuel João Vieira corta com o álcool e assume descontrolo no passado
"Deitar-me no meio da estrada e cenas de pancadaria": O relato cru de Manuel João Vieira sobre os excessos com a bebida
Sem consumir substâncias etílicas há quatro meses, o artista plástico garante que já consegue interpretar as suas personagens sóbrio.
A desinibição exibida em palco ao longo de quatro décadas escondeu, durante muitos anos, uma timidez profunda que Manuel João Vieira tentava combater com recurso a substâncias. Na emissão deste sábado do «Alta Definição», o convidado de Daniel Oliveira admitiu que o nascimento da personagem de palco nos Ena Pá 2000 exigiu um esforço de representação que começou apoiado no álcool.
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“Eu acho que o personagem que eu consegui arranjar para o Zé na Pá 2000 é um personagem que consegue ultrapassar a timidez através de uma espécie de salto de teatro (…) eu não era, digamos, frontman, eu estava a tocar os meus instrumentos lá atrás, portanto não tinha que fazer absolutamente nada de teatral para o público. E a partir do momento em que sou frontman (…) foi preciso um salto de teatro para fazer esse personagem e mesmo assim havia alguma timidez. Eu depois recorria à bebida“.
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A dependência desse ritual prévio foi-se desvanecendo nos últimos tempos: “Agora é engraçado, tenho feito alguns espetáculos sem beber (…) Correm bem. Acho que já consegui libertar-me dessa necessidade absoluta de beber um copinho ou um café com bagaço antes de ir para o palco (…) No início dava jeito. Uma cervejinha, duas, qualquer coisa assim. Tinha que passar por esse ritual“.
Os descontroles dos anos dourados da noite lisboeta foram recordados sem pruridos: “Eu lembro-me de certa altura, vou num concerto, tenho cá além de cerveja, estava a beber uma garrafa de whisky e no fim do espetáculo um tipo do público deu-me uma garrafa de bagaço, que eu bebi bem (…) Portanto, eu bebia um bocado. Lembro-me de estar completamente bêbado a fazer coisas completamente estúpidas, tipo bater em carros (…) Lembro-me de andar em cenas de pancadaria. Lembro-me de me deitar no meio de uma estrada e ‘não saio mais daqui’. Coisas de bêbado”.
Apesar das noitadas intensas, o docente universitário afastou o diagnóstico clínico de dependência crónica: “Eu tenho um beber que a primeira fase é agradável e muito social, depois chega uma determinada fase em que fico o contrário (…) Não precisei de ajuda clínica porque estranhamente nunca fiquei alcoólico (…) tenho conseguido fazer os concertos porque acho que já consegui colar esse personagem mais ou menos sem necessitar do álcool“.
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