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“No dia em que estiver a pensar no que não posso dizer, está na hora de ir embora”: O alerta de Cristina Ferreira

A apresentadora aproveitou o espaço no Jornal Nacional para refletir sobre a perigosa cultura de cancelamento. A comunicadora definiu o seu papel no feminismo ao longo de 20 anos.

A polémica que envolveu Cristina Ferreira nos últimos dias serviu de rampa de lançamento para um debate mais profundo sobre o estado atual da sociedade, da liberdade de expressão e da regressão nos direitos das mulheres.

Em conversa com José Alberto Carvalho no Jornal Nacional, a apresentadora partilhou a sua preocupação com o clima de intimidação que se vive nas plataformas digitais.

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“O que eu não quero é receber mensagens de algumas pessoas que me disseram assim: ‘Eu tentei pôr o meu comentário sobre aquilo que eu achei (…) e assim que a opinião era contrária, eu fui chacinada.’ Mais pessoas que me disseram eu tenho medo de dizer o que penso”, relatou a comunicadora. Para Cristina Ferreira, este é um sintoma alarmante: “Quando estamos neste ponto da sociedade, quando temos medo de dizermos o que pensamos porque vêm os outros dizer que a opinião deles é melhor do que a nossa, estamos a entrar por caminhos muito difíceis”.

Garantindo que esta controvérsia não lhe irá ditar as regras da profissão, a apresentadora foi perentória quanto ao seu futuro. “O Cláudio [Ramos], no dia a seguir, brincou comigo e disse ‘vê lá o que é que vais dizer’. Eu disse-lhe, no dia em que eu me sentar nesta cadeira e estiver a pensar naquilo que vou dizer, no que não posso dizer, naquilo que não me permitem dizer, está na hora de ir embora”, atirou. Cristina recordou ainda que o ódio online é uma batalha antiga para si: “Eu já fui à Assembleia da República para tentar que as leis fossem mais severas no conteúdo de ódio que existe nas redes sociais de hoje em dia (…) Acho que está na hora de todos (…) da sociedade perceber que é preciso mesmo combater esta onda de julgamento e de ódio que existe”.

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O debate tocou também nos perigos da chamada “manosfera” e do recrudescimento do machismo entre os mais jovens, algo que Cristina classificou como “uma regressão completa”. Aproveitando as pesadas críticas de que foi alvo, a diretora da TVI fez questão de definir o seu papel na defesa das mulheres e antecipar novas reações. “Não tenho dúvida que (…) há outras pessoas que estão a fazê-lo, a dizer que me estou a vitimizar, que sou narcisista, que não tenho perceção dos meus comportamentos, que não tenho qualquer tipo de responsabilidade social”, afirmou.

Para combater esses rótulos, a comunicadora evocou a sua história: “A minha responsabilidade social, e agora vou-te dizer porquê que eu me considero feminista. Porque nestes 20 anos de televisão, no palco que me deram, e que eu uso há 20 anos, eu marquei essa posição muito clara. Neste sentido, ser feminista é, acima de tudo, mostrar que qualquer mulher é capaz. Mostrar, através do meu exemplo e do exemplo que partilhei de outras mulheres, que é possível, que a igualdade se pode conquistar, que é mais difícil. É. Mas isso não se faz com o derrube do homem”, rematou.

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