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O desabafo de Toy sobre a indústria musical: “O 25 de Abril ainda não chegou à rádio”

Em entrevista a Margarida Pinto Correia, o artista abordou o seu lado político, a falta de liberdade artística e a sua longa carreira.

Toy foi o mais recente convidado do canal Conta Lá, numa entrevista conduzida por Margarida Pinto Correia, onde abordou o preconceito musical em Portugal, o estado das emissoras e a sua extensa carreira artística.

O cantor não deixou nada por dizer e recordou a essência do seu tema “Aguenta-te com Esta”, uma resposta direta a quem sempre desprezou a música popular portuguesa.

Desafiado a revelar se tem receio do ridículo, o artista assumiu uma postura descomplexada e garantiu que o seu único medo é ficar doente. Com uma filosofia de vida virada para a alegria, atirou: “Ser feliz é fazer os outros felizes. Esta é a minha frase preferida, porque realmente é a essência da vida. É tu fazeres qualquer coisa e vês tudo à tua volta a rir, tudo bem-disposto”.

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A conversa rapidamente evoluiu para um tom de crítica à indústria musical nacional, com o cantor a confessar ter canções de intervenção que nunca passaram nas grandes estações. Recordando o seu disco “É Só Sexo”, que assume ser um trabalho altamente político, Toy lamentou o rótulo que lhe foi imposto: “Posso gravar heavy metal, posso gravar jazz, posso gravar o que eu quiser que não passo naquelas rádios na mesma”.

Sem rodeios, o músico apontou o dedo às escolhas das emissoras portuguesas e à falta de liberdade: “O 25 de Abril ainda não chegou à rádio. É uma coisa impressionante. Estamos no ano de 2026 e continua a haver uma coisa que eu acho inacreditável chamada playlist”. O artista revelou ainda o paradoxo de ser convidado para atuar ao vivo nas manhãs de rádios de renome, mas ver os seus temas bloqueados na emissão regular.

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Apesar de valorizar a sonoridade das palavras, o intérprete não esconde a sua vontade de fazer o público refletir, aproveitando o facto de ser uma personalidade conhecida e de destaque para quebrar barreiras sociais: “Quando nós chegamos a um determinado patamar e achamos que há música para pobres e música para ricos, há leitura para pobres e leitura para ricos, eu sou completamente contra isso. Acho que todas as pessoas devem comer camarão do bom, mas também provar um bom tremoço”.

Com uma carreira que começou aos cinco anos em Setúbal, a vida de Toy é pautada pela versatilidade. Aos dezassete anos emigrou para a Alemanha, onde trabalhou como torneiro-mecânico, foi produtor e até vocalista de um grupo de jazz. O regresso a Portugal no final dos anos oitenta marcou o nascimento do fenómeno nacional, eternizado por sucessos como “Chama o António” ou “Coração Não Tem Idade”, tendo sido também pioneiro na lambada cantada em português.

Além da música, a televisão sempre foi a sua segunda casa. Presença assídua em emissões de entretenimento, tem brilhado recentemente no Taskmaster e prepara-se para apresentar o programa Só Rir na TVI. Aos 63 anos, casado com Daniela Correia e pai de três filhos, incluindo a sua enteada Beatriz, Toy mantém a vitalidade que o transformou num dos nomes mais incontornáveis do panorama artístico do nosso país.

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