Papa Leão XIV regressa ao Vaticano após cirurgia a tumor no pulmão
Cirurgião revelou que o nódulo foi descoberto por mero acaso e garantiu que a recuperação clínica decorre de forma positiva...

O Papa Leão XIV teve alta este sábado, 17 de outubro, do Hospital Gemelli, em Roma, apenas quatro dias depois de ter sido submetido a uma intervenção cirúrgica para retirar um tumor cancerígeno do pulmão direito.
O regresso à Cidade do Vaticano aconteceu às 15h43 locais, momento em que a comitiva papal recolheu aos aposentos. À saída da unidade de saúde, através da porta principal, Leão XIV surgiu sorridente e foi recebido com aplausos por uma multidão que o aguardava no exterior. Antes de entrar na viatura, de onde ainda acenou aos fiéis, o pontífice de 71 anos cumprimentou várias pessoas e deteve-se a conversar com uma jovem que tinha uma ligadura no braço direito e segurava uma boneca com a imagem do próprio Papa.
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A previsão inicial apontava para que a permanência hospitalar se prolongasse até terça-feira, 20 de outubro. O processo acelerou na quinta-feira, dia em que Leão XIV retomou algumas tarefas de trabalho, cenário consolidado na sexta-feira quando as análises confirmaram “uma melhoria constante na sua recuperação”. A confirmação da saída surgiu formalmente na manhã deste sábado pela Santa Sé.
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O médico pessoal e cirurgião do líder religioso explicou, numa declaração à parte, que o doente foi “considerado apto para ter alta hospitalar” após a avaliação do quadro clínico geral, suportada pelos resultados das análises sanguíneas e por uma radiografia ao tórax efetuada durante a manhã.
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Apesar de ter sido removida uma secção do pulmão direito na sequência de um diagnóstico de cancro no início desta semana, não foram adiantados dados públicos sobre o prognóstico. Ainda assim, a agenda papal vai avançar de imediato. A Santa Sé já confirmou que o Papa vai recitar a oração do Angelus no domingo, 18 de outubro, à janela do apartamento papal.
O cirurgião Stefano Margaritora explicou ao Vatican News que o diagnóstico surgiu de forma inesperada. O médico adiantou que o tumor estava localizado na base do órgão e que o doente não apresentava qualquer queixa. Se o nódulo estivesse localizado “um pouco mais acima, certamente não teria sido visto”, admitiu.
O especialista resumiu o quadro: “O Santo Padre enquadra-se na categoria de pessoas que descobrem que têm cancro do pulmão totalmente por acaso – não porque estejam a fazer rastreios preventivos, mas porque realizam exames por outros motivos”. Margaritora garantiu igualmente ao canal do Vaticano que não existem impedimentos clínicos que afastem a visita apostólica agendada para o início de novembro ao Uruguai, à Argentina e ao Peru. Na sexta-feira, foi divulgada a lista de jornalistas credenciados para acompanhar a viagem a bordo do avião papal, sinal evidente de que a deslocação se mantém.
O período de internamento também não travou o trabalho de Leão XIV. Na sexta-feira, o Vaticano partilhou registos do Papa, nascido nos Estados Unidos, a presidir à missa de paramentos verdes no altar de uma pequena capela do Gemelli. Nesse mesmo dia, manteve um contacto telefónico com o presidente russo Vladimir Putin, ao qual “expressou a sua profunda preocupação com a grave situação humanitária na cidade de Oleshky”, na Ucrânia. No hospital, reuniu-se ainda, em audiências separadas, com o decano do Colégio Cardinalício, o cardeal Luis Antonio Tagle, e com o cardeal Baldassare Reina, vigário-geral da Diocese de Roma.