Príncipe Harry admite estar de luto pelo afastamento de Carlos III e William
Em entrevista à revista GQ, o duque de Sussex defende a reconciliação familiar e explica as razões do regresso britânico com os dois filhos.
O príncipe Harry quebrou o silêncio sobre o distanciamento da coroa britânica numa longa entrevista concedida à revista GQ em Nova Iorque, no passado mês de setembro, e divulgada esta terça-feira, 20 de outubro.
Pouco tempo depois da primeira aparição pública ao lado de Meghan Markle no regresso a solo britânico, o duque de Sussex falou abertamente sobre o conflito que o separa de Carlos III e do príncipe William, admitindo passar por um processo doloroso.
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A zanga familiar continua a ditar o compasso da relação com o monarca e com o irmão mais velho. Questionado sobre o impacto dessa rutura, numa conversa citada pela USA Today, Harry não escondeu que vive um período de “luto” pela ligação com ambos. “Sim, claro”, respondeu, desenvolvendo logo a seguir o raciocínio com prudência: “Acho que, do ponto de vista familiar, mais uma vez, outro tema extremamente relacionável para tantas pessoas, desentendimentos entre irmãos, relações rompidas entre crianças e pais, crianças e um dos pais”.
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Para o duque de Sussex, o escrutínio e o “fascínio” em torno da desavença nascem da vontade que o público tem em ver espelhadas e resolvidas as suas próprias dificuldades domésticas. “As pessoas podem olhar para nós e perguntar ‘como é que vais resolver isto? Talvez isso me ajude a resolver as minhas coisas'”, apontou, antes de deixar uma reflexão que suscitou dúvidas: “Há pessoas que não querem que corra bem. Eu quero que corra bem”. Um porta-voz de Harry apressou-se mais tarde a esclarecer que o comentário não visava a família real.
Apesar da frieza que ainda subsiste desde a rutura de 2020, o príncipe assegura que o caminho deve passar pela união, embora com marcas visíveis. “Com tudo o resto que está a acontecer no mundo, o mais importante é reconciliar-se”, declarou, salvaguardando contudo que “as cicatrizes ficam para sempre”, pelo menos no seu caso.
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O regresso à Grã-Bretanha com Meghan Markle e os dois filhos do casal, Archie, de sete anos, e Lilibet, de cinco, prendeu-se sobretudo com novas “oportunidades”. Entre as prioridades esteve a vontade de “poder colocar as crianças numa escola britânica”. O duque sublinhou que a opção não representa qualquer reparo ao ensino norte-americano, mas frisou que “significava muito” proporcionar aos dois rapazes o contacto com as origens paternas.
A proximidade geográfica pesou na decisão de fazer as malas num processo descrito como “muito curto”. Estar “mais próximo” de amigos e de familiares com filhos pequenos foi visto como o melhor cenário para o crescimento de Archie e Lilibet.
Na mesma entrevista, Harry lembrou também a mãe, a princesa Diana, que morreu há 29 anos. O duque confessou que ainda sente a sua “energia” em “certos momentos”, admitindo carregar uma ponta de remorso por ter despachado a última conversa telefónica que teve com ela.
“Eu não me sento ali, e provavelmente devia, mas não fico ali a mergulhar profundamente no que sinto. É só um rápido, ‘bem, tenho saudades tuas. Pergunto-me como seria o mundo se ainda estivesses aqui. Pergunto-me como seria a minha família se ainda estivesses aqui'”, partilhou Harry, frisando que conta com uma rede de apoio sólida e que recorre com regularidade a “diferentes formas de terapia”.