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Rebeca Caldeira chama pais de crianças obesas “criminosos” e Filipa Torrinha dá ‘puxão de orelhas’

Obesidade infantil gera debate acesso na SIC Caras

O painel analisou o conteúdo partilhado pela influenciadora digital em 2025, onde acusava os pais de crianças com excesso de peso de cometerem um crime.

O programa «Passadeira Vermelha» desta sexta-feira, 17 de julho, apresentado por Liliana Campos, colocou em debate um vídeo polémico da influenciadora digital Rebeca Caldeira, publicado originalmente em 2025, mas que voltou a circular nas redes sociais. No registo, a criadora de conteúdos falava sobre a obesidade infantil e descrevia como “criminoso” o comportamento de pais que não controlam a alimentação dos filhos.

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O painel da SIC Caras debruçou-se sobre as declarações, que geraram uma onda de críticas por parte de vários internautas que acusaram Rebeca Caldeira de simplificar um problema de saúde pública complexo, ignorando fatores genéticos, psicológicos e sociais.

Filipa Torrinha Nunes foi uma das vozes mais críticas em relação ao discurso da influenciadora. “A obesidade é um problema complexo e multifatorial e quando tu tentas analisá-lo com base numa equação tão simples que é os pais dão comida, os filhos engordam, então perdemos aqui a essência do problema“, explicou a comentadora.

Quando a Rebeca criminaliza estes pais, ela está a pôr de parte uma série de variáveis como a questão psicológica das crianças, as questões biológicas, genéticas, e até de conhecimento e de acesso a cuidados de saúde“, acrescentou Filipa Torrinha Nunes, reforçando que “a obesidade é uma questão de saúde pública e só é combatida com medidas públicas também“.

Para a psicóloga, “a palavra criminosa é muito forte” e o discurso, embora com “boa intenção”, acaba por ser “simplista” e “encerra uma série de tabus e até de preconceito“.

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Ainda assim, Filipa Torrinha Nunes admitiu que existe um grau de responsabilidade parental, referindo que “há pais que sabem que há determinado tipo de alimentos que são nocivos para as crianças, e ainda assim lhes dão, por uma questão de facilitismo, de querer agradar“. Liliana Campos interveio neste ponto para lembrar que as escolhas alimentares muitas vezes esbarram em questões financeiras. “Se fores ao supermercado e fores ver os alimentos biológicos comparados com os outros, ainda são bastante mais caros“, lembrou a apresentadora.

Por sua vez, Sofia Jardim procurou equilibrar o debate. “Não querendo defender a Rebeca (…) ela também diz que há uma responsabilidade do Estado, porque na escola também se deveria fazer toda a parte de educação, de alimentação“, notou a comentadora.

Concordando que o termo “criminoso” foi “infeliz”, Sofia Jardim sublinhou a importância do ambiente familiar na criação de hábitos alimentares. “Tudo o que tu comes em casa é um bocadinho que tu vais acabar por aprender a gostar de comer. Portanto, também tem que haver uma educação da parte dos pais para conseguirem pôr aos filhos para alimentarem-se melhor, mas não só, tem que ser um conjunto de coisas“, concluiu.

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