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Rita Ferro Rodrigues indignada com cenário de pobreza extrema em Portugal

"Pessoas a vasculhar no lixo por mais 10 cêntimos": Jornalista relata cenário chocante

Confrontada com a imagem de adultos e crianças a procurar garrafas nos contentores para sobreviver, a comunicadora expôs a realidade da desigualdade no país.

Rita Ferro Rodrigues recorreu às suas redes sociais para partilhar uma reflexão profunda e indignada sobre o lixo, a pobreza e a desigualdade em Portugal. A jornalista começou por abordar a gestão de resíduos na sua zona residencial, mas rapidamente desviou o foco para o drama social que testemunhou devido à implementação do novo sistema público de depósito de embalagens, que devolve dez cêntimos por cada garrafa de plástico ou lata entregue nos pontos de recolha.

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No seu longo desabafo, a comunicadora começou por expor a falta de civismo e de condições na recolha urbana. “Ninguém quer postar lixo no feed e até eu, que acho que sei das coisas, me apercebi, nas últimas semanas, que o lixo na minha rua estava revolvido e descontrolado, fora da norma (que já é terrível) do lixo que não é recolhido a tempo e horas, dos trabalhadores do lixo que são poucos e mal pagos, do horror de lixo que cada uma das nossas famílias produz sem qualquer consciência ambiental“, escreveu.

Contudo, a reflexão de Rita Ferro Rodrigues ganhou contornos muito mais sérios ao descrever as consequências humanas do sistema que cobra e devolve 0,10 € por garrafa. “Depois veio esta ideia do governo – aparentemente boa (…) E depois apercebes-te, porque vês com os teus próprios olhos, vês na tua rua, um adulto e uma criança a vasculhar no lixo, no teu lixo, sujeitos sabe-se lá a que doenças, a que destino, à procura de mais dez cêntimos para o orçamento mensal“, relatou com evidente consternação.

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A apresentadora fez questão de responder às correntes políticas que associam frequentemente a marginalidade e a pobreza extrema à imigração. “E não, senhores Cheganos, não eram ‘estrangeiros’ (e se fossem? Mas esta interrogação só interessa a alguns). Eram pessoas, nesta rua, choquem-se, ‘portugueses de gema’ no limiar da pobreza, e a partir daí, fosse qual fosse o BI, o que interessa o lixo espalhado, quando ninguém quer saber de quem o espalha, e porque o espalha? Que desespero é este?“, questionou.

Para Rita Ferro Rodrigues, o problema de fundo do país não é de cariz ambiental, mas sim de subsistência e dignidade humana. “Pessoas a vasculhar no lixo por mais 10 cêntimos num país que faz disto apenas uma questão de limpeza, e não uma questão básica de desigualdade, de quem não tem como comer, como viver. Estou cansada porra. Há os que se preocupam com o lixo nas ruas, e depois há os que se preocupam com quem só tem no lixo uma oportunidade“, acusou.

A fechar a sua intervenção digital, a comunicadora lançou uma pergunta direta aos seus seguidores, apelando à empatia pública. “De que lado estás? Consegues ver a tua família, ali, a lutar pelo lixo para sobreviver? Consegues ou não?“, rematou

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