O comunicado de Cristiano Ronaldo, que rompeu o silêncio sobre a polémica com Jorge Jesus, foi o tema central na emissão de 7 de outubro de 2026 do ‘Passadeira Vermelha’.
A declaração do capitão da seleção nacional foi dissecada por Filipa Torrinha, com novas farpas a surgirem de Joana Latino.
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Liliana Campos não escondeu a sua ligação ao futebolista, que entrevistou quando este jogava no Sporting. “Acompanhei a carreira. Sou-lhe grata, porque ele chamou-me muitas vezes. Pediu ao banco com quem colaborava para me chamar para apresentar o evento, porque já tínhamos alguma confiança”, contou a apresentadora. “Não me esqueço nada disso e adoro-o. Fiquei com a vergonha alheia deste horário.”
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Filipa Torrinha não teve papas na língua sobre a declaração. “Achei este comunicado muito interessante porque nós tínhamos a dúvida se tinha sido uma birra e agora temos certeza absoluta”, atirou a comentadora, visivelmente entristecida. “Cristiano Ronaldo é um homem com 20 anos numa carreira extraordinária, o mais alto nível. É um homem com 41 anos de idade, que ao longo da vida derrubou os maiores obstáculos. Começando pela infância, a pobreza, derrubou a probabilidade que jogava contra ele, tendo em conta a sua origem, derrubou muitos oponentes e não derrubou o maior obstáculo de todos, que é o seu ego.”
Para Torrinha, é “este ego que está a destruí-lo e que vai destruí-lo”. O comunicado, garantiu, foi “errado por muitas razões”. Em primeiro lugar, por ter sido feito no mesmo dia em que Messi divulgou as suas notícias. “Não sei se foi propositado, gostava de acreditar que não, mas há de saber que era à data e poderia ter feito antes ou depois. Acho indelicado”, admitiu.
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A comentadora apontou ainda que o texto não foi redigido em português, o que considera “uma indelicadeza profunda em relação aos portugueses”. Além disso, Ronaldo “não deu a cara”, ao contrário de Jorge Jesus, que se tem pronunciado diariamente.
“O Cristiano Ronaldo fala da Federação e da Seleção como se fosse o quintal lá de casa, onde ele é senhor e dono das coisas”, criticou Filipa Torrinha. “E por mais prestígio que este homem tenha e possa ter, e o vejo validado nesse prestígio, a realidade é que ele não pode estar acima da hierarquia e das normas.”
Ainda sobre o comunicado, Torrinha frisou que o jogador “instrumentaliza o pedido de desculpas”. “Um pedido de desculpas não é verdadeiro sem uma questão de consciência. É mais um lamento. Acho que é pior do que o lamento”, explicou. “O que o Cristiano Ronaldo faz é peço desculpa, mas… E a seguir ao mas, vem uma justificação que, na cabeça dele, legitima toda a atitude. Não pode ser, isto anula o pedido de desculpas automaticamente. O pedido de desculpas é peço desculpas, ponto final.”
A disponibilidade de Ronaldo para “levar as sanções” é, na sua opinião, o “mínimo olímpico”. “Nós não vamos celebrar o mínimo”, atirou. “E se existir, não sei se existirá ou se está a existir ou não, um braço de ferro entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus, que ganhe Jorge Jesus. Neste momento, este homem merece o meu respeito.”
Filipa Torrinha, que admitiu não acompanhar muito futebol, elogiou a postura do treinador. “Jorge Jesus está a ter uma espinha de orçal profundamente admirável. E que eu espero mesmo que a corda não quebre para o lado dele.”
Joana Latino reforçou a ideia de que o comunicado revela uma atitude de superioridade. “Esta parte em que o Ronaldo fala do cumprimento da sanção é que o tom do comunicado é eu, Ronaldo, autorizo-vos a aplicarem uma sanção”, sublinhou, considerando a postura “uma enorme falácia”. Para Latino, o jogador “joga perfeitamente com aquilo que estamos aqui a debater, que é o facto de Cristiano Ronaldo achar que é ele que manda, que é ele que está acima do selecionador e acima… dos portugueses”.
A comentadora lembrou Pedro Fatela, comentador desportivo, que “disse que há aqui um… Eu começo a tender a acreditar com ele que há um problema de narcisismo gravíssimo da parte de Cristiano Ronaldo, que se está a começar a tornar preocupante”. Joana Latino concluiu que “isto já é alguém que está tão obcecado com o seu ego que não consegue de todo ver o que se passa à volta dele e encaixar-se como árvore numa floresta. Ele acha que é a única árvore num deserto e isso é o pior que pode acontecer.”
Filipa Torrinha acrescentou que, sendo Ronaldo uma figura tão mediática no futebol, “sempre foi um modelo”. “Acho que é muito importante termos atenção que tipo de modelo temos aqui, se vale a pena colocarmos este homem ainda como um modelo, uma referência, não só por isto, como também outras coisas”, ponderou.
Joana Latino concordou, chamando a atenção para a “enorme responsabilidade que tem como influenciador, por exemplo, de meninos mais novos que possam achar que este comportamento é o modelo. Acho que ele se esqueceu dessa responsabilidade.”