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Filipa Torrinha revela: “Fico mesmo muito feliz por este processo estar a andar!”

A comentadora do 'Passadeira Vermelha' reage ao julgamento de José Castelo Branco e Betty Grafstein...

A mais recente audiência do julgamento de José Castelo Branco e Betty Grafstein voltou a agitar o ‘Passadeira Vermelha’ na noite de 7 de outubro de 2026.

Joana Latino e Filipa Torrinha, comentadoras do programa, não pouparam nas palavras, criticando a forma como a sociedade e a opinião pública encaram os casos de violência doméstica.

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Joana Latino começou por atirar que é tempo de mudar a abordagem a estes processos, sobretudo no que toca a perguntas que considera “inaceitáveis”. Referia-se à recorrente questão de “porquê que, durante tanto tempo”, a que as vítimas são frequentemente sujeitas. “Basta prestarmos atenção ao que é ser vítima de violência doméstica para percebermos que esta pergunta não faz qualquer sentido. A resposta é óbvia e universal a todos os casos”, garantiu.

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A comentadora explicou que “uma pessoa não se torna vítima de violência doméstica de um dia para o outro”. É um caminho gradual, que começa com o isolamento da vítima e onde o agressor vai “testar até onde pode ir com a violência física e psicológica”. Não se trata de uma mudança repentina, mas sim de “anos de desenvolvimento”, onde o agressor pede desculpa e a vítima, fragilizada, acaba por aceitar.

Latino lembrou que, nestes contextos, “a linguagem do amor se transforma em violência”, levando as vítimas a acreditar que os atos de agressão acontecem “porque aquela pessoa as ama muito”. Esta dinâmica dificulta que a vítima consiga “sair daquele cerco feito pelo agressor e ter condições psicológicas equilibradas suficientes para denunciar”.

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“Faço este apelo: por favor, não voltem a achar que as pessoas, ao primeiro sinal, tinham de ter denunciado, porque não é assim. Isto é, de facto, um processo, é uma maratona, não é um sprint”, sublinhou. A jornalista manifestou ainda o seu desconforto com a tendência de “transformar isto num concurso de popularidade”, especialmente quando o acusado é uma figura pública.

“Acho que temos todos de dar um passo atrás e, para já, deixar a justiça resolver o caso, avaliar, fazer prova dos factos, se for possível fazer, por parte de quem acusa, ver o que é possível provar e chegar a conclusões e a um veredito, e nós aceitarmos”, disse.

Segundo Joana Latino, esta é “uma manobra feita pela parte de quem está acusado neste processo”, que leva a uma “normalização da tomada de posição por parte da opinião pública meramente porque, se é uma celebridade, só porque é popular, isso, à partida, é uma espécie de prova de inocência”. A comentadora fez questão de frisar que a violência doméstica “existe nos condes, nas rainhas, nas pessoas que têm o rendimento mínimo social, em todas as classes sociais, em todas as classes académicas”. “Não é porque uma pessoa é mais ou menos culta, mais ou menos rica, mais ou menos urbana, mais ou menos portuguesa, que a violência doméstica deixa de existir. Isto é transversal e eu, às vezes, fico doente”, desabafou.

A jornalista recordou que, em casos de violência doméstica menos mediáticos, a indignação pública é imediata. “Quando temos uma notícia no ‘Casa Feliz’, na análise criminal de uma mulher que avisou não sei quantas vezes e que o homem está em prisão domiciliária ou tem pena suspensa, fica tudo… ‘Ah, como é que é a justiça, não sei quê, não sei quê’. Mas depois, quando é uma celebridade, já está tudo, não é? E nem temos falado aqui no ‘nome de saco’ – já foi duas vezes condenado com pena suspensa…”, atirou, criticando a dualidade de critérios.

Filipa Torrinha, por sua vez, admitiu que a justiça “neste tipo de caso não funciona bem assim de todo”, reconhecendo que há “coisas a afinar, sem dúvida”. Contudo, mostrou-se “muito feliz por este processo estar a andar”, sobretudo por “ter tido voz” o testemunho de Betty Grafstein, que “contra todas as probabilidades, conseguir falar”.

Para a comentadora, o caso já não é apenas “Betty versus Castelo Branco”, mas sim “uma guerra em praça pública, em que há muitas pessoas e um mediatismo envolvido”. Torrinha revelou um “especial prazer” em ver a situação avançar, considerando que é o que é justo.

A jornalista fez questão de esclarecer que não se trata de defender a inocência ou culpa de José Castelo Branco, pois isso “assim dirá a justiça”. No entanto, garantiu que ele “tem atitudes erradas, obviamente”, e que para isso “não precisamos que haja justiça nesse sentido”, dando como exemplo “o uso indevido da imagem de Betty Grafstein”.

Torrinha expressou satisfação ao ver que “todas as pessoas que comentam este assunto, seja nas redes sociais anónimas, seja figuras públicas em programas como este, e que defendem Castelo Branco, e que passam ao lado deste tipo de evidências, e dizem que toda a gente que está contra ele está a fazer um julgamento precipitado o que não é de todo verdade, dá-me prazer que vejam e que estejam expostos a este tipo de relatos”.

A falta de conhecimento sobre a violência doméstica foi outro ponto levantado por Filipa Torrinha. “Parte do motivo pelo qual uma vítima muitas vezes não denuncia é por este tipo de coisas”, disse, referindo-se às perguntas estigmatizantes e à ideia de que “uma coisa não invalida a outra” quando se trata da relação entre a vítima e o agressor.

A comentadora defendeu que “esta literacia no que respeita à violência doméstica tem de existir, tem de existir, mesmo por todos nós, e também em relação às forças de autoridade”, que, em alguns casos, “não são bem tratadas” as vítimas. “Esta literacia do que é a violência doméstica tem de começar a existir o mais rapidamente possível. E, em televisão, dizer isto é super grave”, concluiu.

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