Big BrotherBig Brother VerãoGeral

Tatiana Durão e a ‘Curva da Vida’ no ‘Big Brother Verão’: um projétil na casa em 1992 e a luta contra a discriminação.

A angolana, casada em 2017 e mãe de Wyoming, enfrentou a guerra em Luanda em 1992 e um projétil atingiu a sua casa.

Tatiana Durão abriu o coração na Gala do ‘Big Brother Verão’ de 9 de agosto de 2026, revelando a sua ‘Curva da Vida’, um percurso marcado por perdas e reinvenções.

A concorrente angolana, nascida a 31 de março de 1981, é a mais velha de cinco irmãos, fruto de uma união precoce: a mãe tinha 16 anos e o pai apenas 15.

GoogleTornar o Dioguinho a tua fonte preferida no Google

A ausência da família materna, dizimada pela guerra em Angola, forçou a mãe a uma vida de resiliência. “Para conseguir criar-nos a todos, claro, tinha que ser uma mulher muito forte. E eu vejo muito nela”, contou Durão, sublinhando a força de quem a criou. Apesar de ter vivido em Luanda, a capital, a guerra civil deixou marcas profundas.

Leia também: Afonso surpreende no ‘Extra’ Especial na Gala do BB Verão e Marta Cardoso não hesita: “Por mim, estás contratado!”

Em 1992, confrontos em Luanda obrigaram a família a fechar-se em casa, sob o som de tiros. Um projétil, disparado com pouca força, atingiu a parede da sua casa sem a destruir. “Foi de momentos mais traumáticos que eu vivi”, recordou. Mais tarde, a perda do pai, aos 28 anos, marcou a sua adolescência.

“A presença paterna eu não senti. Talvez por isso tenha este meu lado mais bruto. Eu não tive essa referência”, admitiu. A morte do pai coincidiu com o início da sua carreira como modelo, uma transição impulsionada por Vitória Garcia, a quem atribui a sua formação e o facto de não ter “caído ou ido por caminhos errados”.

Leia também: Raquel a Boris: “É um desrespeito incrível” e ele garante: “Não sou machista, tive um comentário infeliz”

O ano 2000 levou-a ao ‘Miss Luanda’, o maior concurso de beleza em Angola, onde enfrentou pela primeira vez a discriminação. “Foi a primeira vez que fui preterida por causa do tom da minha pele e do meu cabelo clarinho”, lamentou. As críticas eram diretas: “Chamavam-me barata russa, tinha que ser mais escura”.

Cansada das limitações que sentia no seu país, Tatiana viu no anúncio do ‘Big Brother África’ uma oportunidade. “A minha vida deu uma reviravolta enorme”, atirou. Dentro da casa, viveu uma paixão intensa, apelidada de ‘Romeu e Julieta de África’. Essa exposição, contudo, trouxe-lhe julgamento.

“Apaixonar-me e viver essa paixão intensamente valeu-me o julgamento, porque ‘não devia’, porque ‘não sei o quê'”, revelou. A exposição pública, ainda um tabu em Angola, fê-la “aprender a defender-me”. Após o ‘Big Brother’, aceitou o desafio de apresentar um programa sobre educação sexual, uma tarefa árdua num país conservador. “Foi realmente difícil para um país com muitos tabus”, garantiu.

Jornais e até o Ministério da Saúde criticaram-na abertamente, mas Tatiana manteve-se firme.

O próximo passo foi a música. Aceitou o convite para se tornar cantora, mas a reação foi imediata e cruel. “‘Já era modelo, já era atriz, agora também quer ser cantora'”, ironizava a crítica social. Apesar do sucesso do primeiro single, as críticas persistiram. “Das coisas que mais me dói é isso: ‘O meu país não quer, a minha terra não quer aceitar o meu talento, a minha opção de ser cantora'”, desabafou, revelando que foi também por isso que decidiu sair de Angola.

Na sua vida pessoal, sentiu que “os homens tinham medo de se aproximar da Tatiana”. Contudo, no final de 2016, alguém se apaixonou e a 31 de março de 2017, casaram-se.

O casamento não trouxe a felicidade esperada. “Já não estava feliz no dia do casamento”, confessou. A 16 de outubro de 2017, nasceu o seu filho, Wyoming, mas a gravidez foi marcada por tristeza e depressão. “Não senti o meu filho porque estava sempre triste, nervosa, deprimida”, recordou, mencionando as constantes discussões.

A depressão pós-parto atrasou a sua recuperação. Quando finalmente “estava a desabrochar, a voltar a ser eu”, o marido recebeu uma transferência para Antuérpia, na Bélgica. Fomos para Antuérpia em 2019, com a esperança de que as coisas mudassem, mas não foi o que aconteceu.

Na Bélgica, Tatiana era uma ‘housewife’, dedicada a organizar eventos e jantares, anulando-se em função do marido e da família. “Vivia em torno dele e anulei-me. Dediquei-me por completo ao casamento e à família”, sublinhou.

A infelicidade levou-a a aceitar a proposta de um novo programa, que a trouxe de volta, acompanhada pelo filho. “Foi assim que saí da Bélgica para voltar a ser eu”, explicou. Apesar dos problemas, mantém uma esperança no casamento. “Por mais coisas más que me tenha feito, ainda tenho uma porta aberta, porque não me casei para me separar”, admitiu, salientando que o filho “precisa dos pais unidos”.

As suas próprias palavras de que nunca mais voltaria ao ‘Big Brother’ tiveram de ser engolidas. “As minhas palavras de que nunca mais voltaria a participar no ‘Big Brother’ vão ter de ser engolidas, porque voltei”, revelou. A sua participação no ‘Big Brother Verão’ é vista como um novo capítulo. “Entrei neste programa para continuar a minha carreira, para voltar a ser eu, para me reencontrar. É um recomeço”, concluiu.

Publicidade

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo