Tom Skerritt morre aos 93 anos: a despedida da lenda de ‘Top Gun’
O artista norte-americano construiu uma carreira marcante de seis décadas no cinema e na televisão.
O ator norte-americano Tom Skerritt morreu na quarta-feira, 21 de outubro, aos 93 anos. A notícia foi confirmada pela família do artista, que comunicou que o falecimento ocorreu por causas naturais.
Em comunicado público, os familiares expressaram o sofrimento com a partida: “Estamos de coração partido com a sua perda. Enquanto o mundo conhecia o Tom através da sua notável carreira de ator, nós conhecíamo-lo pelo seu humor, curiosidade, sabedoria, generosidade e pelo amor que trouxe às nossas vidas. Ele preocupava-se profundamente com a imaginação, a criatividade, a narrativa, o serviço, os veteranos, o mundo natural e em ajudar os outros a encontrar e partilhar as suas próprias vozes.”
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Com um percurso de seis décadas marcado por personagens de autoridade, o ator ganhou projeção internacional em 1970 no filme ‘MASH’, realizado por Robert Altman. Na pele do cirurgião Duke Forrest, protagonizou logo a abrir o roubo de um jipe ao lado de Donald Sutherland, rumo a um hospital de campanha na Guerra da Coreia, onde se juntavam a Elliott Gould para ignorar regulamentos militares em nome de diversão e copos. A produção converteu-se num sucesso estrondoso de bilheteira e originou uma longa série na CBS, embora a sua personagem não tenha transitado para a televisão.
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Sobre a colaboração com Altman, Skerritt recordou no livro ‘Robert Altman: The Oral Biography’ (2009) a importância dessa experiência: “Adorei o homem logo desde o início. Ele fez-me perceber cedo que não se podia errar, desde que se tentasse. O pior que se podia fazer era fazer figura de parvo. E essa é a primeira coisa que temos de estar dispostos a fazer como ator, estar dispostos a fazer figura de parvo. O Bob deu-me isso.”
No final dessa década, recusou inicialmente interpretar o capitão Dallas no clássico ‘Alien’ (1979), por temer que os efeitos especiais esgotassem o orçamento. A contratação de Ridley Scott fê-lo mudar de ideias. No documentário ‘Alien Evolution’, de 2001, Skerritt explicou a reviravolta: “Esperem aí, deixem-me ver. Já ouvi falar deste tipo, o Ridley Scott, já ouvi dizer que fez uma coisa chamada ‘The Duellists’. ‘Posso ver isto?’ E eles disseram: ‘Sim, vamos organizar uma sessão para ti amanhã.’ Então fui ver ‘The Duellists’. E era uma obra-prima. Quero dizer, nunca vi um filme que captasse tanto valor de produção como ‘The Duellists’. Um filme com um aspeto magnífico, uma pintura do princípio ao fim. Portanto, naquele momento, tive de fazer ‘Alien’.”
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Em 1986, surgiu como o instrutor Mike ‘Viper’ Metcalf ao lado de Tom Cruise em ‘Top Gun’. O prestígio televisivo consolidou-se em pleno na década de 1990 através de ‘Picket Fences’, série de David E. Kelley na qual desempenhou o papel do xerife Jimmy Brock durante quatro temporadas, vencendo um prémio Emmy em 1993 e repetindo a nomeação no ano seguinte.
Nascido em Detroit a 25 de agosto de 1933, concluiu os estudos na Mackenzie High School em 1951 e ingressou na Força Aérea, acabando destacado em Austin como especialista de classificação. Estudou Inglês na Wayne State University e rumou depois à UCLA para estudar realização e escrita, onde começou a representar apenas para ultrapassar a timidez.
A estreia profissional deu-se em ‘War Hunt’ (1962), drama também focado na Guerra da Coreia que reuniu nomes como Robert Redford e Sydney Pollack. Em 2016, numa entrevista à revista Film Comment, Skerritt revisitou esses primeiros passos: “Pensei que continuaria a escrever e a representar se fosse para ser realizador. Por acaso fui visto como ator e fui contratado para um pequeno filme de baixo orçamento e pensei: ‘Olha, esta é uma ótima maneira de aprender a ser realizador, de ser um participante na realidade concreta de fazer um filme.’ Não se pode ser cineasta apenas por ir para a universidade, como sabem. O conhecimento prático, o conhecimento da rua que se pode adquirir ao estar num cenário de rodagem, ao estar perto daquilo, a rodear a forma como as pessoas falam, como abordam o negócio, foi realmente o benefício que vi nisso desde o início.”
A sua carreira cinematográfica conta ainda com participações em ‘The Turning Point’ (1977), ‘Up in Smoke’ (1978), ‘A River Runs Through It’ (1992), ‘Contact’ (1997) e ‘East of the Mountains’ (2021). Numa curiosidade de bastidores em ‘Harold and Maude’ (1971), substituiu um colega acidentado e assinou a participação com o nome Martin Bormann, justificando a escolha à Film Comment: “Faziamos coisas tontas naqueles dias, e ainda fazemos. E eu disse: ‘Sabes, Martin Bormann, o segundo no comando de Hitler, ninguém nunca descobriu o que aconteceu àquele tipo. Todos os outros conseguiram localizar, mas aquele tipo simplesmente desapareceu.’ Eu disse: ‘Sabes, acho que ele foi para Oakland e tornou-se polícia motociclista.'”
No pequeno ecrã passou por produções como ‘Bonanza’, ‘The Fugitive’, ‘Cheers’, ‘The West Wing’, ‘Brothers and Sisters’ e ‘The Good Wife’. Fora dos ecrãs, envolveu-se na criação da escola TheFilmSchool em Seattle e do Red Badge Project para apoio a antigos combatentes, mantendo também forte ligação à defesa ambiental através de iniciativas fluviais. O ator deixa a mulher, Julie Tokashiki, cinco filhos, cinco netos e dois bisnetos.