“A Betty tratava o Zé abaixo de cão”: António Leal e Silva fala tudo no V+ Fama
No V+ Fama, o comentador assegurou que Betty Grafstein era obcecada por moda, destratava o marido e negou qualquer tipo de cativeiro na relação.
O V+ Fama voltou a abordar o mediático processo judicial entre José Castelo Branco e Betty Grafstein.
A análise centrou-se nos testemunhos de figuras próximas do casal, nomeadamente as declarações de Abel Dias, de David Mota e de uma antiga funcionária, que relataram um ambiente de intimidação, humilhações e restrições alimentares.
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A comentadora Marta Aragão Pinto começou por sintetizar os relatos recentes que comprometem José Castelo Branco. Explicou que o jornalista Abel Dias denunciou violência verbal por parte do socialite, descrevendo-o como bruto, autoritário e obcecado por regras estéticas em relação à Betty. Mais graves foram as alegações de David Mota, que viveu com o casal em Nova Iorque e que garante ter testemunhado um murro desferido pelo negociador de arte.
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A estas denúncias juntou-se o depoimento de Maria da Luz, antiga funcionária em 2008 e 2010, que descreveu cenas de restrição alimentar severa, alegando ter visto a norte-americana subir a um escadote para procurar comida escondida pelo marido, num cenário de controlo extremo motivado pelo culto da magreza. “Isto são declarações fortíssimas, muito visuais”, considerou a comentadora.
O apresentador, Adriano Silva Martins, salientou que cabe agora ao tribunal avaliar a veracidade das acusações e determinar o desfecho do caso, referindo o impacto destes testemunhos: “São não, fortíssimas. […] E é o tribunal, o juiz, que terá que determinar o que é que lhe convence.”
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António Leal e Silva procurou apresentar uma perspetiva diferente. O comentador, que se assumiu como amigo do casal durante vários anos, começou por afirmar que nunca presenciou qualquer episódio de agressão: “Eu entendo, respeito, eu não tenho nada a contestar daquilo que eles viram. Se eles viram, é problema deles. Eu não vi. Foi exatamente as palavras que eu disse ao David e ao Abel: eu nunca vi. Se vocês viram, não sou eu que vou estar a dizer que é verdade, que é mentira, nem vou entrar para aí.”
Criticou ainda a incoerência das declarações do jornalista: “Se o Abel diz que a Betty lhe contou, isso eu deixo para umas pessoas que se acham superiores na verdade absoluta. […] Surpreende-me é que o Abel diga que a Betty lhe contou, mas que a Betty não seja capaz de reproduzir isso no tribunal.”
O comentador prosseguiu desconstruindo a imagem de vítima submissa muitas vezes atribuída a Betty Grafstein, caracterizando a antiga joalheira como uma mulher “fora da caixa” que assumia um papel ativo no estilo de vida do casal e na sua imagem pública.
Confirmou que a dieta era uma preocupação central, mas justificou-a com a obsessão mútua pela moda: “É verdade que eles cortavam na comida. Eles tinham os dois obsessão pelas magrezas para caberem nas roupas, que quanto mais pequenas, mais baratas, por razões de desfile.” Segundo o comentador, a norte-americana nunca se sentiu aprisionada. “Há uma diferença muito grande. Tu tens uma mulher em cativeiro que não lhe dás comida, e outra coisa é um casal, que são o que são, que vivia numa bolha. A Betty amava aquelas produções. A Betty não saía sem se produzir. Era ideia da Betty”, recordou.
Para refutar a ideia de abuso contínuo, António Leal e Silva garantiu que a relação era marcada por discussões, mas sublinhou que Betty muitas vezes adotava uma postura dura para com o marido e para com os funcionários: “Meu querido, eu posso ter muitos defeitos na vida, mas não sou mentiroso. A Betty tratava o Zé abaixo de cão, montes de vezes. A Betty punha-se muitas vezes com ar de quem estava do lado dela e destratava. Como aos empregados, a Betty não falava com empregados. A Betty era uma mulher muito simpática publicamente, mas era uma mulher com muito caráter, com uma maneira de estar muito própria.” Afirmou que José nutria por ela uma verdadeira “obsessão” e “adoração“, servindo-a “loucamente“.
Adriano Silva Martins levantou ainda uma questão pertinente sobre a narrativa do cativeiro e as supostas agressões, apontando para o facto de o casal ter o hábito de receber hóspedes, o que enfraquece a teoria de um ambiente permanente de medo: “Uma pessoa que exerce violência doméstica sobre outra convida uma terceira pessoa para ir morar com eles?” António Leal e Silva secundou a reflexão e relembrou a autonomia da norte-americana em determinadas fases do casamento: “A Betty esteve a viver sozinha em Nova Iorque dois anos e tal, enquanto o Zé esteve em Lisboa. A Betty era uma mulher livre.”
O tema da alimentação e dos gastos financeiros foi o remate final da intervenção do comentador, que descreveu a dinâmica insólita das refeições em casa do casal, confirmando que a fartura não era a norma na habitação de Sintra. “A comida nunca foi uma coisa que abundasse. Roupa, grifes, joias, chique, havia. O jantar era sarapatel. E comia-se aquele bocadinho de sarapatel e muitas vezes eu ia lá a casa ajudar nos jantares. E as pessoas ficavam encantadas.” No entanto, ressalvou que em contextos festivos a situação era diferente. “Nós fomos jurados da Miss Leitão… ela devorava meio leitão, como quem come pão de ló. A Betty comia tudo”, revelou o comentador.