“Marco Paulo acabou prisioneiro na vida que ele escolheu”, revela Cláudia Jacques
Cláudia Jacques analisou no V+ Fama o arrependimento de Marco Paulo no final da vida, destacando os sacrifícios pessoais do cantor e a relação com Dudu.
A recente entrevista de Eduardo Ferreira, também conhecido por Dudu, a propósito do aniversário do cantor Marco Paulo e do impasse burocrático na divisão da herança, marcou a emissão do V+ Fama.
As revelações do jovem, que detém 10% do património do artista, sobre a alegada infelicidade do músico foram dissecadas no painel.
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O apresentador Adriano Silva Martins lançou o tema, recordando as palavras de Dudu: “Morreu Marco Paulo, mas a novela que envolve a sua herança permanece e parece não ter fim. Eduardo Ferreira, mais conhecido por Dudu e herdeiro da sua fortuna em 10%, diz que a burocracia está a travar aqui a divisão de bens. E numa entrevista recente chocou ao afirmar que Marco Paulo era o homem mais infeliz de Portugal”.
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Cláudia Jacques tomou a palavra e validou as declarações do afilhado do cantor, confidenciando que, na fase final da vida, o músico admitiu ter cometido erros. “É verdade, ele aos poucos, e com o passar do tempo e com tudo que se vai falando, ele vai dizendo algo mais. Esta frase é um bocadinho forte, mas explica exatamente aquilo que o Marco sentia. O Marco sentiu, a uma dada altura da sua vida, mas agora, um tempo antes, quando já estava muito doente, sentiu arrependimento por não ter feito tudo de uma maneira diferente”, explicou. A comentadora revelou uma conversa entre o artista e o jovem: “Porque ele disse, inclusive, ao Dudu, contou-me o Dudu: ‘Eu estou arrependido, se fosse agora tinha feito tudo de outra maneira'”.
As motivações desta infelicidade, segundo Cláudia Jacques, radicam em escolhas antigas, influenciadas pela pressão familiar, nomeadamente a do pai. “Porque o Marco acabou prisioneiro na vida que ele escolheu mostrar ao mundo. Ele ficou cativo daquilo que ele escolheu. Ele escolheu, por algumas imposições desde logo e muito cedo, pelo pai, que nunca aceitou a sua orientação sexual e a sua… ser artista e ser cantor. Também não queria que ele fosse nada disso. E o pai era, de facto, um homem também duro, um homem com uma personalidade forte. A mãe era mais frágil e, portanto, acatava o que o marido dizia e fazia, sofria e tentava apoiar o filho nas costas do pai, não se impondo na frente do pai, não enfrentando o pai”, detalhou a comentadora.
A imagem pública também condicionou o artista. Cláudia Jacques assinalou os sacrifícios exigidos pela popularidade: “E isso desde novinho ditou aquilo que o Marco Paulo decidiu para ele, que foi viver… ok, não abdicou de ser um artista e de ser cantor, não abdicou disso, mas abdicou de fazer a vida às claras e na sua plena liberdade, de fazer o que ele gostava e de viver da maneira que ele queria. Então escondeu sempre esse lado, depois também muito em função das fãs e de todo o fascínio que as mulheres tinham com as músicas românticas que ele cantava, e se ele mostrasse um outro lado da vida dele, todo esse fascínio iria ser alterado. E, portanto, ele manteve… em nome depois também da carreira musical que fez, de grande sucesso, abdicou da sua vida pessoal”.
A relação com o compadre Tony foi outro ponto abordado, com Cláudia Jacques a explicar como o cantor se sentiu aprisionado na família que adotou: “Depois também ficou muito refém de uma outra decisão que tomou, que foi a decisão de pôr o Tony, e na altura a Maria Violante, porque eram casados, aliás, fizeram o casamento na casa deles, feito por Marco , a viverem todos juntos. E ele viveu com esta família que adotou como família dele e que adotou o filho deles como se dele fosse. E depois afinal ficou refém disto também, porque o Tony também era um homem muito impositivo, um homem controlador do trabalho, dos dinheiros, da vida do Marco. E, portanto, eles também tinham alguns confrontos”.
Adriano Silva Martins interveio para relativizar os confrontos entre ambos e relembrar o testamento, referindo que o músico atribuiu a Tony 45% da herança: “Portanto, eu sei que tu não o estás a fazer, mas digo isto para a opinião pública: demonizar um homem a quem depois se deixa 45% da tua herança também eu acho que não faz muito sentido”. Cláudia Jacques defendeu a sua posição: “Não é questão de demonizar, porque o Marco também tinha o seu feitio. Olha, de alguma forma vamos estabelecer aqui um paralelo. Aquilo que nós dissemos aqui entre a Betty e o Castelo Branco é o que se passava ali. Os dois tinham o seu feitio. O Tony também tinha que aturar muitas coisas do Marco Paulo”.
A concluir a sua intervenção, Cláudia Jacques revelou o refúgio do cantor nos seus últimos anos. Longe da vida em Sintra, era no norte do país que encontrava paz. “E por isso, quando ia para Braga, ficava numa grande felicidade porque estava fora de casa, fora do ambiente, hospedado no hotel onde ele gostava de ficar e passava ali 10, 12 dias muitas vezes, às vezes 6, e estava feliz na companhia de pessoas que ele gostava. A Tita, a grande amiga do Marco que eu conheço e que tu agora também já conheces, que é amorosa, muitas vezes também o acompanhava e levava-o para Braga e passava lá dias com ele. Ele fez ali uma série de amigos, não era só Dudu, atenção, que ele tinha lá uma série de amigos”, terminou a comentadora.