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Barbra Streisand implacável com Donald Trump após polémica com o Kennedy Center

"Ego desmedido de um único homem": Barbra Streisand arrasa Donald Trump por ameaças a monumento histórico

A consagrada artista norte-americana reagiu com indignação à intenção manifestada pela administração presidencial de encerrar e demolir o célebre espaço cultural.

A cantora e atriz norte-americana Barbra Streisand manifestou publicamente a sua revolta contra as mais recentes tomadas de posição do presidente Donald Trump, acusando o chefe de Estado de agir movido pela vaidade ao ameaçar o futuro de uma das mais prestigiadas instituições culturais dos Estados Unidos, o Kennedy Center, em Washington.

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A tomada de posição da consagrada intérprete foi transmitida através de uma extensa nota divulgada no seu espaço pessoal na internet, onde lamentou a instrumentalização de um espaço com valor histórico. “É fácil imaginar a minha indignação ao ver esta venerada instituição tornar-se objeto de uma disputa tão amarga por causa do nome e do ego desmedido de um único homem“, criticou a artista, demonstrando repúdio pelo impasse criado em redor do edifício.

O posicionamento de Barbra Streisand surge na sequência de uma decisão judicial proferida pelo juiz federal Christopher Cooper, que determinou que a administração liderada por Donald Trump tem a obrigação de comunicar qualquer intenção de demolição da infraestrutura com um prazo mínimo de 30 dias de antecedência. A ordem do magistrado procura “evitar qualquer confusão a este respeito, dados os acontecimentos mais recentes“, surgindo pouco tempo depois de o governante ter deixado no ar a possibilidade de deitar o imóvel abaixo por ter sido impedido pelos tribunais de fixar o seu nome pessoal na fachada principal.

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A polémica ganhou ainda maior visibilidade pública quando uma fotografia captada por Brendan Smialowski, da agência France-Presse, documentou o presidente dos Estados Unidos a exibir, através de uma das janelas da aeronave oficial Air Force One, um cartaz com a inscrição “Demolição do Kennedy Center“.

Recordando o enquadramento histórico da instituição, a artista explicou que, em 1964, “após o chocante assassinato do Presidente John F. Kennedy, o Congresso aprovou uma lei que designava o Centro Cultural Nacional como um memorial vivo em sua homenagem“. Desde essa altura, a infraestrutura “consolidou-se como um dos grandes espaços culturais dos Estados Unidos“, palco onde “muitos dos atores, músicos, cantores e bailarinos mais conceituados do mundo têm-se apresentado“.

Na perspetiva da intérprete, o complexo artístico “simboliza a convicção da importância da arte para a vida democrática“.

A disputa pelo complexo cultural tem vindo a arrastar-se na sequência da tentativa frustrada de anexação do nome do atual governante. “Quando Donald Trump tentou pôr o seu nome ao lado do nome do Presidente Kennedy na fachada do edifício, a iniciativa provocou uma rejeição generalizada por parte dos artistas e de grande parte do público“, recordou, sublinhando que a justiça viria a ditar a retirada dessa menção por falta de aprovação no Congresso norte-americano.

Perante a inviabilidade da alteração da denominação, as movimentações da administração viraram-se para o encerramento do local. “Um Trump totalmente derrotado anunciou o encerramento do Kennedy Center para realizar o que o conselho – composto inteiramente por pessoas alinhadas com ele – descreve como uma grande renovação. Curiosamente, quando o nome de Trump ainda constava no edifício, o encerramento não foi equacionado em momento algum!“, denunciou a atriz.

Criado com a finalidade de perpetuar a memória de John F. Kennedy e defender o princípio de que a expressão criativa traduz a vitalidade de um povo em liberdade, o centro cultural transformou-se num campo de batalha institucional. A cantora rematou a sua mensagem com uma chamada de atenção para o poder do voto popular: “Eis mais uma razão pela qual é tão importante que os americanos exerçam o seu direito de voto nas próximas eleições intercalares!“.

Paralelamente a esta intervenção política, a imprensa internacional deu nota de que a cantora cancelou a sua deslocação ao Festival de Cinema de Cannes, evento a decorrer em território francês onde estava prevista a atribuição de um galardão de reconhecimento de carreira, devido a problemas de saúde.

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