Despedida emocionada do fundador: O adeus de Rodrigo Guedes de Carvalho a Francisco Pinto Balsemão
Rodrigo Guedes de Carvalho assume a dor da perda, mas revela a missão na SIC: "Ensiná-los a pensar o que achará Francisco Balsemão do que fizemos hoje".
O dia que ficará marcado como o mais triste na história da SIC, pela perda do seu fundador, Francisco Pinto Balsemão, foi paradoxalmente encerrado com uma nota de felicidade e gratidão por parte de Rodrigo Guedes de Carvalho.
O pivô da SIC, uma das caras mais emblemáticas da estação de Queluz de Baixo, usou o final do Jornal da Noite para traçar um elogio emocionado à vida de Balsemão e, ao mesmo tempo, deixar um alerta sobre o futuro do jornalismo.
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Numa citação longa, com um tom de profundo reconhecimento, Guedes de Carvalho recordou o privilégio da sua geração e o papel crucial do fundador da primeira televisão privada em Portugal.
“A fechar este dia tão triste, o dia mais triste da história da SIC, permitam-me falar de felicidade. Que privilégio tive de ter vinte e poucos anos quando comecei a carreira de jornalista nos anos 80. Que afortunado fui por ter sido escolhido para a equipa fundadora da primeira televisão privada. Que tempos absolutamente irrepetíveis, que bênção teve a minha geração e outras com quem nos fomos cruzando, de ter vivido uma era do jornalismo, que se não tivermos cuidado, acabará por se extinguir. A partida de Francisco Pinto Balsemão traz esse receio: o de termos cada vez menos líderes que realmente pretendem deixar o mundo melhor do que o encontraram. É talvez ainda cedo para todos os portugueses perceberem a dimensão do que nos deixa.
O adeus de Francisco Pinto Balsemão, antigo primeiro-ministro e uma figura central na política e nos ‘media’ portugueses, não é apenas a perda de um empresário e mentor, mas também o prenúncio de uma inquietação profissional. O jornalista expressa claramente a preocupação com o definhar de uma certa “era do jornalismo” que Balsemão ajudou a construir, marcada pela fundação do Expresso e, mais tarde, da SIC. O receio reside na escassez de lideranças com a mesma visão e a mesma ambição de “deixar o mundo melhor do que o encontraram”.
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No seio da estação que Balsemão sonhou e concretizou, a dor da orfandade convive com a promessa de continuidade e de honra ao legado. Rodrigo Guedes de Carvalho fala em nome de uma família profissional, que se sente agora desamparada, mas determinada a prosseguir o trabalho sob a sombra do seu inspirador.
“Nós por aqui fomos felizes e sabíamos. Hoje somos órfãos que continuarão a levantar-se, dia a dia, e aos mais novos que entretanto chegaram à família vamos ensiná-los a pensar o que achará Francisco Balsemão do que fizemos hoje, e amanhã, e amanhã, e amanhã. Boa noite, obrigado.”
O legado de Francisco Pinto Balsemão será, para a equipa da SIC, uma bússola moral e profissional a ser transmitida às novas gerações.