Especialista em profiling avalia linguagem não-verbal de Cristina Ferreira: “Ombros descaídos e ausência de dominância”
Susana Areal não deixou escapar nenhum detalhe da aguardada entrevista no Jornal Nacional. A perita garante que a comunicadora não se vitimizou e que a sua postura refletiu contenção sob pressão.
A aguardada entrevista de Cristina Ferreira no Jornal Nacional, onde quebrou o silêncio sobre a polémica do caso de violação, já foi alvo de uma análise rigorosa por parte de Susana Areal.
A especialista em Profiling avaliou ao detalhe a linguagem verbal e não-verbal da apresentadora da TVI e publicou um parecer técnico detalhado, onde garante que não existiu qualquer tipo de manipulação ou vitimização durante a conversa com José Alberto Carvalho.
Para a especialista, a prestação da diretora de entretenimento revelou uma faceta invulgar. “A entrevista de Cristina Ferreira mostrou algo raro na sua comunicação: não fragilidade… humanidade visível com controlo. Não fugiu a nenhuma pergunta, algumas duras, bem conduzidas por José Alberto Carvalho”, começou por destacar Susana Areal.
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Na sua avaliação técnica, o comportamento físico da apresentadora falou mais alto do que as próprias justificações. A profiler apontou diretamente para os sinais emitidos ao longo da emissão: “O mais relevante não está no que disse, mas no que mostrou: Mãos frequentemente debaixo da mesa, proteção e desconforto. Microexpressões de tristeza, raras na sua baseline, onde domina o desprezo e superioridade. Ombros descaídos, ausência de dominância. Tom de voz, congruente com tristeza e injustiça”.
Estes indicadores levam Susana Areal a concluir que a postura da comunicadora foi genuína perante a onda de críticas que enfrentou. “Isto não é fragilidade. É uma mulher que sente, mas tenta manter o controlo sobre a forma como se expõe. O silêncio não é incoerência, é contenção emocional sob pressão”, explicou, notando ainda que “há uma quebra evidente da baseline: não reagiu em impulso, nem ignorou, escutou opiniões e procurou enquadramento externo junto de especialistas antes de se posicionar”.
A especialista assumiu que também ela teve uma reação negativa imediata ao ver o vídeo isolado no “Dois às 10”, mas garante que “o contexto muda tudo”. Na sua perspetiva, e à semelhança do que a própria apresentadora defendeu, a questão levantada em direto não visava proteger criminosos. “A pergunta que gerou o ataque não foi defesa, foi tentativa de compreender: como alguém não processa um ‘não’? Até para prevenção de futuras potenciais vítimas. A distorção foi transformar isto numa alegada defesa de agressores“, avaliou. Areal reforçou que o objetivo foi “tentar perceber para prevenir”, destacando que a posição de Cristina Ferreira foi muito clara: “Não é não. Ponto. O que fez foi usar um momento televisivo para gerar consciência”.
Numa crítica direta ao tribunal das redes sociais, a profiler lamentou o rápido julgamento do público e de outros profissionais do meio. “O que mais impressiona é a facilidade com que se ataca alguém sem se querer perceber, só porque é poderosa. É mais fácil reagir a um recorte ou excerto do que assistir ao vídeo completo e entender o contexto”, apontou.
Em jeito de veredicto final sobre a entrevista ao Jornal Nacional, a especialista iliba a apresentadora de qualquer tipo de atuação premeditada para limpar a imagem. “Do ponto de vista técnico há congruência emocional, alinhamento e ausência de manipulação. Se fosse encenado, seria mais perfeito, e, por isso, menos verdadeiro. Não pediu desculpa porque não houve intenção de defender alegados agressores, mas de compreender comportamento humano num tema crítico”, justificou.
“Depois desta entrevista, já não estamos a discutir o que ela disse. Estamos a ver quem consegue, ou não, pensar para além de um excerto e de uma onda de influência”, rematou Susana Areal.