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Seleção não está preparada para jogar sem Cristiano Ronaldo

João Félix surge como alternativa com recursos interessantes na finalização, enquanto Gonçalo Ramos traz intensidade na pressão e maior disponibilidade defensiva

A decisão de Roberto Martínez sobre a titularidade de Cristiano Ronaldo promete ser o tema mais debatido antes mesmo de Portugal pisar o relvado para o Mundial, frente à República Democrática do Congo.

Sofia Oliveira e Diogo Luís, apesar de reconhecerem que o capitão já não é o mesmo jogador de outrora, inclinam-se para um “sim” no que toca à estreia.

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A memória de Fernando Santos a sentar Ronaldo no banco, nos oitavos de final do Mundial de 2022 contra a Suíça, ainda está fresca. Gonçalo Ramos respondeu com um hat-trick e muitos pressentiram ali o início de uma nova era. Quatro anos depois, a questão persiste: deve Cristiano Ronaldo começar no onze? Mesmo quem já o vê fora da melhor solução admite que a seleção pode não estar pronta para jogar sem ele.

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Sofia Oliveira, comentadora da CNN Portugal, tem a sua opinião formada. “Eu já sou há um tempo da opinião de que o Ronaldo não devia ser o titular indiscutível da Seleção – nem sequer o principal titular naquela posição”, começou por dizer, “mas também sou da opinião de que a Seleção não se preparou para jogar sem ele”. A equipa habituou-se a jogar em função do avançado ao longo dos anos, com cruzamentos direcionados e dinâmicas criadas à sua volta. Por isso, a sua saída do onze não é uma garantia de melhoria imediata.

Seleção não está preparada para jogar sem Cristiano Ronaldo

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“Retirar uma peça que é uma peça dura para dinâmicas já trabalhadas, não sei se isso melhoraria automaticamente a Seleção porque eu acho que para tudo tem de existir um método”, argumentou. Neste cenário, a comentadora levanta uma dúvida: “Entre jogar o Ronaldo a titular, ou jogar alguém cujas dinâmicas e cuja parte técnico-tática não estão propriamente treinadas, não sei sinceramente o que seria melhor”.

Diogo Luís também concorda com a titularidade de Ronaldo para o Mundial, pelo menos no “no primeiro jogo”. Não é por acreditar que o capitão esteja “não está em grande forma”, mas sim porque Roberto Martínez construiu a equipa com Ronaldo em campo. “O Roberto Martínez esteve a trabalhar sempre com ele. Ele jogou sempre todos os jogos. Então, eu acredito que vai jogar pelo mesmo onze”, explicou.

No entanto, Diogo Luís é perentório: o “estatuto” de Ronaldo não o deve proteger. “Se não estiver a render, deve ser substituído como todos os outros. Se tiver o rendimento que teve nos últimos dois jogos, é sair logo o mais cedo possível e dar oportunidade a outro”, atirou. Para o comentador, é crucial que “O Ronaldo tem de perceber quem é que ele é neste momento. E as pessoas que o gerem também têm de ter essa noção”.

Se as alternativas tiverem de entrar em cena, João Félix é a opção que “mais agrada” a Sofia Oliveira. Trata-se de “um jogador com recursos muito interessantes ao nível da finalização”, com uma relação apurada com a baliza, “não só pela facilidade que tem em armar o remate, mas também pela qualidade técnica que utiliza para tirar os jogadores da frente e tentar a meia distância”.

Seleção não está preparada para jogar sem Cristiano Ronaldo

Gonçalo Ramos é outra hipótese para a comentadora, um jogador que “quando é chamado acaba por deixar sempre uma boa imagem”. O campeão da Champions League traria intensidade na pressão e “maior disponibilidade defensiva”, pois “Não se poupa tanto a recuperar bolas mais adiantadas como o Cristiano e isso poderia levar a Seleção a criar situações de golo”. Contudo, Sofia Oliveira lembra que Ramos chega ao Mundial longe do contexto ideal, pois “não estará a ser muito estimulado para ser titular” entre PSG e seleção, o que afeta a sua confiança.

Diogo Luís, por seu lado, aponta Gonçalo Guedes como uma solução “mais móvel”, destacando a sua “capacidade de romper”, lamentando que “Paulinho infelizmente não foi convocado”. O comentador partilha da ideia de que Ronaldo poderia ser mais útil como um “super-sub”: “Eu acho que ele era muito mais importante e mais útil a entrar no jogo e abanar com o estádio e com os adversários desgastados, mas aceito que no primeiro jogo jogue. Vamos ver no que dá”.

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