“Senti-me muito julgado e muito excomungado”: Sérgio Rossi fala sobre arquivamento de processo
Sérgio Rossi reagiu em direto no V+ Fama ao arquivamento da queixa de violência doméstica interposta pela ex-companheira Ana Rita.
O cantor Sérgio Rossi esteve em direto no programa de televisão V+ Fama para reagir à recente decisão do Ministério Público, que arquivou a queixa de violência doméstica interposta pela sua ex-companheira, Ana Rita, e deu seguimento à acusação movida pelo artista contra a mesma.
Em conversa com o apresentador Adriano Silva Martins, o músico abriu o coração sobre os últimos dois anos de escrutínio mediático.
Tornar o Dioguinho a tua fonte preferida no Google
Sobre a facilidade das acusações e o impacto na sua vida, Sérgio Rossi foi claro: “Em primeiro lugar, deixa-me dizer-te que é muito fácil acusar outras pessoas. Hoje em dia qualquer pessoa pode chegar e acusar outra pessoa, só que depois existe uma investigação do Ministério Público, existem testemunhos, existem verdades, existe consciência tranquila, existe dignidade. Eu, como [pessoa conhecida], fui nos últimos dois anos bastante afetado. Andei e qualquer coisa a ser acompanhado por uma psicóloga especialista em violência doméstica. Dado tudo isto, todo este escrutínio que foi feito à volta da minha imagem, qualquer assunto que saía de um single novo iam buscar o assunto da violência doméstica. E para mim, neste momento, o que aconteceu e que o Ministério Público decretou sobre as duas queixas acabou por ser algo que foi devolver-me a minha dignidade, verdade e devolver a minha imagem pública a quem acreditou sempre em mim desde o início. Lamento que as coisas tenham corrido desta forma, lamento que o final de um relacionamento tenha sido desta forma, mas não fui eu quem empurrei as coisas para este campo. Eu simplesmente sempre tentei que as coisas fossem geridas com calma, mesmo no final do meu relacionamento com Ana Rita tentei que as coisas fossem faladas, fossem…”
Leia também: Tribunal rejeita pedido da defesa de Betty: jornalistas continuam em tribunal
O cantor confessou o peso do julgamento público durante o processo e detalhou a forma como recebeu a notícia, sublinhando as precauções que tomou: “Senti-me muito julgado e muito excomungado, e mais do que julgado, acusado. Senti-me acusado. E para mim foi ontem, quando o meu advogado me telefonou a dizer que o Ministério Público tinha arquivado a queixa da Ana Rita de violência doméstica contra mim, ou seja, o Ministério Público decidiu não me acusar e não seguir com a queixa para tribunal, mas seguir com a queixa que eu fiz contra ela. Ou seja, o que prova que os homens, no meu caso específico, não quero dizer que, não quero generalizar, que os homens também podem ser vítimas de violência doméstica. Embora eu sempre quisesse ser discreto neste processo, eu lembro-me quando fui, quando o meu advogado me pediu para ir fazer exames médicos, eu fui à Espanha, a uma clínica privada, já para não ser questionado. Aqui em Portugal e para ser sempre discreto na forma como estava a proceder em relação à minha companheira, neste caso minha ex-companheira. Não queria que as coisas tomassem estes rumos, não queria que tomassem estas direções. Ela agiu de uma forma muito intempestiva, talvez maliciosa, em relação à minha pessoa. E eu deixei o Ricardo Serrano, o meu advogado, a seguir as diretrizes. Seguir as diretrizes dele, sim.”
Questionado sobre uma possível aproximação à ex-companheira para resolver o assunto fora dos tribunais, Sérgio Rossi explicou as dificuldades inerentes ao foro legal, afirmando: “Não sei até que ponto é que não seria possível, não sei até que ponto é que não seria possível. Mesmo assim eu tentei resolvê-lo, mas pronto, sim, sendo processos públicos, estavam sob investigação do Ministério Público, não era assim tão fácil, não era assim tão fácil.”
Leia também: Cláudia Jacques: Ana Rita “foi violenta mais do que uma vez” e o Sérgio “apertou-lhe o braço a defender-se”
A relação atual entre ambos é inexistente, uma decisão tomada pelo cantor para se proteger de segundas intenções. Sérgio justificou o afastamento: “De maneira, nós cortámos completamente o contacto, até porque já há mais de um ano e meio que eu tenho um relacionamento e eu vivo muito bem com o meu relacionamento e estamos muito felizes. Na altura cortei completamente o contacto porque comecei a sentir que havia alguma malícia e havia alguma forma de tentativa de manipulação. E por isso mesmo já não era, já não era, já não seria um relacionamento depois de tudo aquilo que se passou. Já seria algo que não estava a acontecer de forma natural, certo? Eu comecei a sentir, enquanto eu enviava mensagens normais para a Ana Rita, ela respondia-me com mensagens de visualização única. Ou seja, ela sempre esteve de forma maliciosa, digamos assim. Não estava como eu, que estive de forma honesta, de forma tranquila.” Quando o apresentador indagou se sentiu manipulação, o artista confirmou de imediato: “Achei, achei, achei.”
Sobre os próximos passos legais e o desgaste provocado pelas suspeitas, o cantor garantiu que continuará a lutar pelo seu bom nome, revelando ainda a existência de um novo processo: “Olha, eu neste momento, o Ricardo Serrano está a estudar o processo, não sei de nada. Claro que ontem foi um dia difícil para mim, ao mesmo tempo que me serviu de, deixou-me Claro que quando nós, quando nós somos inocentes e somos acusados de forma bruta, e hoje em dia sendo [pessoa mediática], a minha vida levou-me um volte-face muito grande nos últimos 2 anos. E o meu advogado vai estudar e está a estudar o que é que vai acontecer de seguida. Eu recebi uma queixa de injúrias também da Ana Rita, que é um crime particular contra mim, o qual eu também O meu advogado irá responder. Vou, claro que sim, claro que sim, vou sempre defender a minha inocência até ao fim, como fiz com o crime de violência doméstica que acabou por ser arquivado. E desta forma, neste momento não temos prazos. Só tenho a dizer que sofri muito com o escrutínio nos últimos 2 anos e qualquer coisa, talvez 2 anos e de que a minha vida se tornou um mar de qualquer coisa que saia do Sérgio Rossi.”
O impacto estendeu-se à esfera profissional e psicológica, com o músico a relatar episódios de difamação pública. O músico desabafou: “Não, mais do que isso, já julgado. Sim, sim, sim. De toda a forma, quando eu via notícias minhas, havia sempre alguém que vinha dar uma bicada e que vinha falar. E isto acaba por ser uma coisa muito grave, porque é gravíssimo. Alguém levantou uma acusação de violência doméstica sobre a minha pessoa, que foi agora arquivada, e isto tudo tornou-me, difamou-me.” Acrescentou ainda detalhes sobre os prejuízos causados: “Sim, houve difamação, houve comissões de festas que puseram em dúvida se queriam realmente um artista, porque de facto a minha agenda não sofreu grandes alterações, felizmente, e o público ficou comigo nos concertos e tenho conseguido ter enchentes e tenho tido enchentes diárias. Mas que isto beliscou muito o meu psicológico, beliscou muito a minha vida pessoal, beliscou muito a minha integridade. Beliscou muito a minha dignidade, beliscou. E isso o meu advogado está a estudar neste momento.”
Para concluir a sua intervenção, Sérgio Rossi admitiu que a situação o deixou constrangido no início, mas espera que a sua história encoraje outros homens a não se calarem: “Olha, eu sinto, eu a início senti-me envergonhado, honestamente senti-me envergonhado e nunca pensei que ela quisesse seguir estes caminhos. Se estou a quebrar um tabu, se calhar posso estar a quebrar um tabu também na parte dos homens terem a coragem de assumir que foram que foram alvos de violência doméstica. De assumir que aconteceu e que também acontece ao contrário e que nem sempre as mulheres são as vítimas.”