As organizações dos protestos acusam as forças de segurança de perseguição e violência desmedida, enquanto as autoridades justificam a atuação com o término do horário legal e o arremesso de objetos.
Os protestos pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto terminaram, na madrugada deste domingo, com fortes confrontos entre manifestantes e as forças de segurança. A intervenção da Polícia de Segurança Pública (PSP) resultou no desmantelamento das acampadas montadas no Rossio e na Praça D. João I, culminando em 31 detenções – 25 na capital e seis na cidade invicta -, além de dezenas de feridos e versões profundamente contraditórias sobre a dimensão do impacto hospitalar.
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A ação policial teve início por volta das 02:00, cerca de hora e meia após o término do horário legalmente previsto para a concentração, estipulado para as 00:30 e, de acordo com as forças de segurança, foram recolhidas 171 estruturas de acampamento instaladas sem licenciamento, sendo 117 em Lisboa e 54 no Porto. Além disso, as autoridades procederam à apreensão de artigos de pirotecnia e latas de tinta que terão sido atiradas na direção dos operacionais no norte do país.
Em declarações prestadas à SIC, o porta-voz da PSP, Sérgio Soares, explicou que a decisão de avançar surgiu após o esgotamento dos canais de negociação. “Foram mais de duas horas de tentativa de diálogo, de esforço no âmbito da sensibilização e da mediação, que não foi acatado por parte dos manifestantes, o que obrigou a uma intervenção mais coerciva, quer na Praça Dom João I, no Porto, quer na Praça Dom Pedro IV, em Lisboa“, esclareceu, assinalando que “há limites legais, nomeadamente a nível temporal, mas também as situações das estruturas de acampamento que não foram devidamente licenciadas“.
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No balanço oficial provisório emitido pela PSP por volta das 05:45, a polícia dava conta de 11 feridos no conjunto das duas cidades – cinco em Lisboa e seis no Porto -, englobando três elementos policiais e oito manifestantes.
Estes dados colidem abertamente com os relatos apresentados pelos coletivos que organizaram os protestos, os quais contabilizam mais de 57 feridos.
Em Lisboa, onde cerca de 300 pessoas planeavam pernoitar num complexo de cerca de 130 tendas, o movimento Acampada Lisboa denunciou uma atuação desproporcionada, garantindo que mais de 20 pessoas deram entrada no Hospital de São José e que outras dezenas foram assistidas no local.
O movimento acrescentou que os cidadãos foram perseguidos pela Baixa com recurso a cães e balas de borracha, alegando que a operação visou gerar pânico entre os manifestantes. Já a organização no Porto apontou para 37 feridos, dos quais sete em estado considerado grave, após o avanço do corpo de intervenção na Praça D. João I.
DEMITA-SE, LUIS MONTENEGRO @LMontenegro_PT https://t.co/uXxAXxS2CI
— Emma (@EmmaBat_) October 25, 2026