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“Sentia-me culpado por ser feliz”: O longo caminho do príncipe Harry na superação do luto de Diana

Príncipe Harry recorda o trauma reprimido e o colapso emocional longe da realeza

O filho mais novo do rei Carlos III participou num projeto sobre saúde mental e abriu o coração sobre o impacto físico e psicológico da morte da mãe.

Quase três décadas após a morte trágica de Diana, o príncipe Harry continua a explorar os caminhos complexos da perda e do sofrimento. O duque de Sussex participou recentemente no projeto Redefinir o Luto: Construindo Resiliência Através da Perda, liderado pela neurocientista norte-americana Mary-Frances O’Connor, onde partilhou testemunhos em vídeo sobre a forma como escondeu a sua dor durante anos, resultando em episódios severos de ataques de pânico e depressão.

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O trágico acidente de viação em Paris, ocorrido em agosto de 1997, roubou a mãe a um jovem de apenas 12 anos. Longe dos olhares do mundo, que chorava a Princesa do Povo, Harry tentava processar o vazio. “Durante 15 ou 20 anos, quando me perguntavam se estava bem, a minha resposta era: ‘Estou’“, recordou.

O príncipe assumiu ter vivido num estado de entorpecimento emocional, impulsionado pela necessidade de mostrar ao público que conseguia seguir em frente. “Era mais uma razão para dar a impressão de que estava bem, de que estava tudo bem“, explicou.

Aos 20 anos, encontrou nas forças armadas o escape ideal. “Poder usar um uniforme, o mesmo uniforme que todos os outros, não foi apenas um alívio. Deu-me o propósito e a segurança de que precisava naquele momento“, assumiu o duque. Contudo, o regresso de uma missão no Afeganistão, em 2013, marcou um ponto de viragem. Os traumas reprimidos vieram à tona com contornos físicos assustadores. “Quando vestia uma camisa, o aperto da gola fazia-me sentir que estava a sufocar. Chegava a ter ataques de pânico no carro, a caminho do trabalho“, confessou, reconhecendo a necessidade de procurar ajuda.

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A drástica mudança para o Canadá no final de 2019, acompanhado por Meghan Markle e pelo filho Archie, trouxe novos desafios à sua saúde mental. Ao afastar-se do stress da família real, Harry sentiu uma quebra vertiginosa. “Em dois ou três dias, tive uma queda de adrenalina como nunca tinha sentido”, partilhou. O corpo, habituado a uma tensão constante, cedeu: “Entrei numa depressão durante cerca de duas semanas e sentia que não conseguia funcionar sem adrenalina“.

No mesmo projeto, a especialista Mary-Frances O’Connor explicou que o luto prolongado mantém o organismo num enorme desgaste, gerando consequências não apenas emocionais, mas também físicas. Uma realidade que o duque de Sussex ilustrou com a sua confissão mais íntima: a imensa dificuldade em aceitar a alegria na sua vida, pois, durante muito tempo, admitiu: “Sentia-me culpado por ser feliz“.

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