A polémica visão de Cândido Pereira: Defesa na atuação da PSP na crise da habitação gera revolta
"A polícia tem de ser respeitada. Ponto final": Posição de Cândido Pereira sobre protestos divide opiniões e causa indignação
A publicação gerou uma enorme onda de contestação na caixa de comentários, com dezenas de seguidores a acusarem-no de falta de empatia e a invocarem o desrespeito pela Constituição.
As manifestações pelo direito à habitação que terminaram com intervenções policiais em Lisboa e no Porto continuam a gerar ondas de choque no debate público. Desta vez, foi Cândido Pereira a manifestar-se sobre os intensos acontecimentos que marcaram a madrugada na Praça do Rossio e na Praça D. João I.
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O antigo comentador social da CMTV e da TVI recorreu às plataformas digitais para partilhar a sua visão, elogiando a atuação das forças de segurança, o que rapidamente desencadeou uma enxurrada de críticas por parte dos internautas.
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Após um agradecimento inicial aos jornalistas que acompanharam a operação no terreno, o texto focou-se numa reflexão sobre os deveres cívicos e os limites dos protestos. “Vivemos num país democrático, mas a democracia não significa ausência de regras. A liberdade é um direito fundamental, mas implica responsabilidade e respeito pelos outros“, começou por escrever.
Embora reconheça a habitação como uma “causa justa e transversal à sociedade”, Cândido Pereira lamentou a polarização do movimento: “Quando uma manifestação termina por dividir os portugueses entre lados políticos e aqueles que não partilham determinadas posições são chamados de «fascistas» ou «ditadores», estamos longe de uma manifestação verdadeiramente inclusiva“.
O ponto de maior fricção da sua mensagem prendeu-se com a defesa acérrima da Polícia de Segurança Pública. “A polícia, enquanto autoridade responsável por fazer cumprir a lei e garantir a ordem pública, tem de ser respeitada. Ponto final“, sublinhou.
O antigo comentador argumentou que as autoridades revelaram uma tolerância que considerou “excessiva” ao longo de três horas de negociações, recordando que as regras do horário (00h30) eram do conhecimento geral. “Vimos um comandante da polícia pedir repetidamente que fossem retiradas as tendas (…) Do outro lado, assistimos a um constante desafio às forças de segurança, incluindo o arremesso de garrafas e outros objetos“, acrescentou, classificando a intervenção policial como “proporcional e estratégica“.
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A perspetiva partilhada transformou a caixa de comentários num autêntico palco de revolta. “Intelectuais e visionários como tu, Cândido, são precisamente a razão pela qual Portugal continua na cauda da Europa“, atirou um seguidor.
Outro utilizador, que assumiu ter marcado presença no protesto apesar de ter a sua situação habitacional resolvida, invocou a Lei Fundamental: “Nada se sobrepõe à Constituição Portuguesa, muito menos o decreto-lei alegado pelas autoridades (…) Somos o único país da Europa neste momento com protestos não violentos, nada justifica a carga policial e a perseguição que se viu ontem!“.
A indignação escalou ao ponto de sugerirem o “cancelamento” do comunicador, prometendo deixar de acompanhar o seu percurso. “Dormiu quentinho na sua casa??? Há quem não consiga! O Cândido quer mesmo ser cancelado. Até achei injusto estar afastado da TV, mas ultimamente o Cândido tem feito tudo para não voltar a ser chamado. Eu deixei hoje de o seguir“, sentenciou um internauta.
Apesar da esmagadora maioria de reprovações, houve ainda espaço para vozes discordantes que apoiaram a publicação: “Finalmente alguém com bom senso e não para aturar minorias“.
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