A jornalista da CMTV apontou a ausência de contraditório na visita a Israel, enquanto ‘O Arrumadinho’ defendeu a liberdade de expressão dos criadores de conteúdo.
A recente deslocação de oito influenciadores digitais portugueses a Israel, onde visitaram locais afetados pelo conflito e áreas próximas da Faixa de Gaza a convite do governo israelita, continua a gerar forte debate no espaço mediático.
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Tânia Laranja começou por analisar o propósito da viagem promovida, no seu entender, pelas autoridades de Israel, sublinhando a forma como o itinerário foi desenhado para condicionar a perceção dos convidados. “Oito influenciadores. Eu, pelo menos, não conhecia nenhum – o que diz mais sobre mim, do que sobre eles. Mas foram a Israel a convite do governo, com viagem, roteiro e visitas incluídas. Passaram por Gaza e pelos locais do massacre de 7 de Outubro. Uma visita muito completa, portanto. Sobretudo no que toca àquilo que interessava mostrar. Depois vieram dizer que ninguém lhes deu instruções sobre o que deviam contar. Ainda bem. Seria uma deselegância desnecessária“, escreveu a jornalista.
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A profissional da CMTV explicou a mecânica por trás da iniciativa, diferenciando o trabalho dos criadores digitais do rigor exigido à comunicação social. “Quem paga a viagem pode sempre limitar-se a escolher os convidados, o percurso, os sítios onde param, as pessoas com quem falam e, já agora, aquilo que não faz parte do passeio. A partir daí, cada um pensa livremente. É por isso que convém chamar as coisas pelos nomes: isto não é jornalismo. Um jornalista não estaria ali para agradecer o convite e reproduzir a realidade que lhe foi preparada. Estaria ali para desconfiar dela. Para perguntar o que ficou de fora. Para procurar quem não foi convidado. Para fazer perguntas que talvez tornasse a visita um pouco menos agradável. Aqui parece ter acontecido o contrário. Não lhes disseram o que pensar. Seria uma infantilidade. Levaram-nos apenas a ver o que queriam que eles vissem. E depois ficaram muito descansados: a conclusão já não precisava de ser dada por ninguém. Cada um podia chegar a ela sozinho“, acrescentou.
Em sentido oposto, Ricardo Martins Pereira escrveu na caixa de comentários do instagram da jornalista para afastar o cenário de controvérsia em redor da iniciativa. “Eu também não conheço todos os influenciadores, mas conheço alguns. E esses já diziam, há muito tempo, há anos, tudo o que disseram depois da viagem. Eles foram convidados, precisamente, porque durante muito tempo mostravam uma linha de pensamento e análise que se encaixava com aquilo que Israel acredita ser o correto. Nenhum deles é jornalista, nenhum deles tem um código deontológico que o obrigue a nada e todos eles são e devem ser livres de dizer o que pensam nas suas redes sociais – liberdade de expressão é isso mesmo. Não me parece que alguém que tenha uma linha de pensamento pró-Israel seja alguém desprovido de inteligência e que alguém que seja pró-Palestina seja, só por isso, um génio. Não consigo ver grande polémica neste tema“, afirmou ‘O Arrumadinho’.
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Perante a tomada de posição, Tânia Laranja reforçou a sua convicção inicial de forma categórica: “Eu consigo. Porque foi uma viagem de propaganda. Apenas isso. E não foi assumida como tal“.
Relmbrando da ida da criadora de conteúdos, Rute Sousa, que esteve em direto na emissão do canal NOW, a influenciadora procurou afastar a ideia de que o grupo teria sido instrumentalizado ou condicionado ao longo da deslocação ao Médio Oriente.
Rute Sousa assegurou que não recebeu qualquer tipo de roteiro formatado por parte dos organizadores da visita e revelou mesmo que a decisão de ir até à Faixa de Gaza partiu da sua própria iniciativa e responsabilidade.
Durante o depoimento prestado no canal de informação, a criadora de conteúdos salientou igualmente que tem conhecimento de que os jornalistas profissionais têm a possibilidade de deslocar-se àquele território para realizar a cobertura dos acontecimentos, procurando assim desmitificar as acusações de que a experiência do grupo teria decorrido num ambiente blindado ou inacessível à imprensa tradicional.
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Em suma, a controvérsia divide-se entre dois pontos de vista opostos: de um lado, quem critica a deslocação aponta que se tratou de uma ação publicitária e política do governo israelita para passar apenas a sua versão da história através de rostos populares das redes sociais; do outro, os defensores alegam que se trata de cidadãos privados, sem deveres jornalísticos, que se limitaram a exercer o direito de opinião e a partilhar a experiência no terreno sem qualquer tipo de coação ou guião pré-definido.
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