“A Sentença” perde gás e vive sob pressão da SIC e RTP1
Ontem registou 3,0% de audiência média na última terça-feira, confirmando uma trajetória descendente de duas semanas que contrasta com os máximos alcançados no verão.
O programa de tribunal simulado “A Sentença”, um dos pilares de audiência das tardes da TVI, atravessa uma fase de clara desaceleração no canal de Queluz de Baixo.
Na edição transmitida na última terça-feira, 3 de novembro, o formato registou uma audiência média de 3,0% (rating) e uma quota de mercado (share) de 13,9%, o equivalente a cerca de 296,5 mil espectadores. Embora tenha conseguido manter uma vantagem milimétrica sobre a concorrência direta no arranque do horário, o programa esteve longe do conforto que ostentava em meses anteriores.
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No confronto direto com as estações rivais ao longo da tarde, a disputa pelas preferências do público mostrou-se viva e dividida. No canal de Paço de Arcos, a SIC iniciou a tarde com o talk-show “Júlia”, que fixou 2,9% de rating e 13,0% de share (284,0 mil espectadores), ficando ligeiramente atrás do formato da TVI na primeira faixa de confronto. Contudo, a estação liderada por Daniel Oliveira conseguiu dar a volta aos números com a exibição do especial da telenovela “Razão de Viver”, que alcançou 3,1% de rating e 15,0% de share (308,0 mil espectadores), ultrapassando o desempenho médio da TVI nessa faixa de horário. Mais ao final da tarde, a SIC consolidou o crescimento com a edição especial de “Eta Mundo Melhor!”, atingindo 3,6% de rating e 16,2% de share.
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Por sua vez, a RTP1 teve um início de tarde particularmente forte impulsionado pela reexibição da telenovela “A Escrava Isaura”, que registou 3,9% de rating e 17,1% de share (383,5 mil espectadores), impondo-se como o programa mais visto na sua faixa de transmissão.
Seguiu-se o concurso “Negócio Fechado”, que baixou os índices do canal público para 2,3% de rating e 11,2% de share, permitindo à TVI recuperar o fôlego temporariamente, antes da subida da reposição de “Agarra-me Se Puderes!”, que obteve 3,1% de rating e 13,6% de share.
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A análise à evolução dos dados do CAEM/MediaMonitor revela que o resultado de terça-feira não é um facto isolado, mas sim o reflexo de um desgaste progressivo acumulado nas últimas duas semanas. Durante os meses de verão, “A Sentença” afirmara-se como um fenómeno incontroverso de audiências, chegando a fixar marcas de 5,4% de rating e 19,4% de share no início de agosto, e mantendo registos frequentemente acima dos 4,0% de rating e 17,0% de share ao longo de setembro. Ainda em meados de outubro, a produção mantinha uma fasquia sólida entre os 3,5% e os 3,8% de rating, assegurando lideranças tranquilas.
A viragem no comportamento do público começou a desenhar-se a partir de meados do mês passado. Na semana de 19 a 23 de outubro, as audiências do formato recuaram para patamares entre os 3,3% e os 3,4% de rating, descendo pontualmente aos 2,9%. A erosão aprofundou-se visivelmente na semana de 26 a 30 de outubro, período durante o qual o programa oscilou entre os 2,9% e os 3,3% de rating, acabando por atingir um mínimo de 2,7% de rating e 12,3% de share na sexta-feira, 30 de outubro, quando se ficou pelos 265,0 mil espectadores.
A entrada em novembro manteve os sinais de alerta acesos na estação da Media Capital. Na segunda-feira, 2 de novembro, o programa não foi além dos 2,8% de rating e 12,7% de share (274,1 mil espectadores). O ligeiro ganho registado na terça-feira (3,0% de rating e 13,9% de share) trouxe alguma oxigenação, mas confirma que o formato perdeu perto de metade do seu fulgor estival e mais de um ponto percentual de share em relação a meados de outubro.
Este arrefecimento da curva de audiência coloca novos desafios à grelha vespertina da TVI. Ao perder a capacidade de esmagar a concorrência na primeira metade da tarde, “A Sentença” deixa de funcionar como o motor blindado que catapultava o canal para a liderança destacada no total do dia. Com a SIC a reagir através de edições especiais e a RTP1 a mostrar vitalidade na faixa das 14h30, o cenário vespertino da televisão portuguesa volta a ficar marcado por um equilíbrio renhido onde cada décima de rating conta.
