Claudisabel vista por amigo antes da tragédia: revelados detalhes das últimas horas…
Produtor do 'Domingão' contraria teorias sobre o acidente e recorda o último adeus.

Samuel Monteiro foi a derradeira pessoa a estar com Claudisabel antes da colisão na autoestrada A2 que tirou a vida à cantora, aos 46 anos, a 19 de dezembro de 2022.
O amigo da artista, membro do grupo musical Maxi e produtor do ‘Domingão’, da SIC, esteve à conversa no podcast ‘Fundo Branco’, de Santiago Lagoá, e partilhou pormenores sobre as últimas horas da artista, contrariando teorias que circularam sobre o acidente.
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As rotinas e hábitos de sono da cantora foram explicados pelo músico: “A Claudisabel é uma pessoa que dorme de manhã. Ela está a noite toda acordada e que só dorme no início da manhã. O horário dela dormir mais normal é a partir das 4 ou 5 da manhã. Nos tempos do covid, estávamos horas em ‘lives’ durante a noite toda, isto antes do início do ‘Domingão’.”
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O relato recua à madrugada anterior à emissão televisiva, quando se cruzaram na unidade hoteleira: “Nós estivemos na cavaqueira de Vizela para Castanheira de Pêra, e chegámos lá à uma hora e qualquer coisa da manhã. Quando chegámos ao hotel, estava lá a Claudisabel, que tinha acabado de chegar, e estava ao telefone com a mãe”.
A mãe da artista, Raquel, acabou por não marcar presença, algo que Samuel detalhou: “Ela, para descansar, precisa da manhã, ainda para mais tem de estar no programa ao meio-dia e vinha do Algarve. Estivemos a conviver à porta do hotel e fomos todos descansar e havia um quarto marcado para a Raquel, a mãe da Claudisabel: quando chegámos lá, perguntámos pela mãe e ela explicou que a mãe não tinha vindo porque a mãe tinha estado doente durante a semana e acharam por bem não ter ido”.
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Durante as gravações do programa da SIC, o comportamento da intérprete saltou à vista pela positiva. Samuel, que ainda guarda o número da amiga no telemóvel, lembrou que a luz de presença sobre a cantora falhou de forma misteriosa quando esta falava do futuro: “Fizemos o programa no outro dia, a Claudisabel estava muito mais feliz e comunicativa do que o normal. Se conseguiram tirar a informação do telemóvel dela, devem ter apanhado, ela connosco enquanto Maxi, para aí mais de 200 fotografias. Ela estava muito mais efusiva, uma alegria enorme, a falar com as pessoas, tirar fotografias e dar autógrafos”.
Após o término da emissão, os momentos de convívio estenderam-se durante o jantar, tendo Samuel acompanhado a artista até à partida: “Fui a última pessoa que esteve fisicamente com ela. No jantar não se calava, ela era a pessoa que tinha mais quilómetros para fazer e estava ali numa alegre cavaqueira. A equipa já tinha tirado todo o catering, já estava lá só eu, os meus colegas da Maxi e algumas pessoas da produção, e ela continuava”.
O momento do adeus no parque de estacionamento antecedeu a viagem: “Levei-a ao carro, despedi-me dela, ainda falámos de duas ou três coisas da carreira dela, porque ela estava a pedir conselhos, e depois arrancou. Ela tinha um Smart, e quem tem um sabe perfeitamente que se vai sempre em baixa velocidade”.
Já em plena autoestrada, a viatura dos Maxi acabou por ultrapassar a cantora: “Nós passámos por ela! Ela ia ali devagar, ela saiu primeiro que nós, que ainda tive a tratar de umas coisas com a equipa e arrancámos, apanhámo-la já a chegar a Tomar, passámos por ela e lá ia ela nos seus 85. Passámos por ela e ela disse-nos adeus e lá foi.”
Horas mais tarde, o telefone tocou com a notícia do fatídico desfecho: “Depois, nessa noite, às seis da manhã, começa o meu telefone a tocar insistentemente. (…) Tinha estado com a pessoa há bocadinho e de repente parece uma piada de mau gosto”.
Perante as dúvidas levantadas sobre uma possível quebra de rendimento físico ou sonolência ao volante, o produtor fez questão de refutar esse cenário: “Ela não estava com sono. Ela estaria com sono se não tivesse dormido bem até ao meio-dia desse dia, que não foi o caso: mesmo que tivesse adormecido às três da manhã, ela só tinha de estar no programa ao meio-dia e meia, e era ao lado.”
A terminar, Samuel reforçou que o ritmo da artista naquela noite correspondia inteiramente à sua normalidade: “Ela nem tomou o pequeno-almoço porque estava a dormir, ela partilhou isso comigo. Ela estava ótima, estava como sempre estava, aquelas viagens noturnas eram o normal”.