A jornalista acusou a empresária de promover uma cultura de trabalho abusiva e de ignorar os limites legais e o direito ao descanso dos colaboradores.
A recente publicação partilhada por Vanessa Martins nas redes sociais, na qual aderiu ao desafio viral “contrata ou despede” para expor os critérios de seleção e gestão de equipas na sua marca, a Frederica, esteve em análise no programa «Passadeira Vermelha», na SIC Caras onde, conduzida por Liliana Campos, a emissão abordou a onda de contestação que atingiu a influenciadora após defender a necessidade de disponibilidade total dos funcionários fora do horário laboral.
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Perante a tentativa de justificação da empresária, que alegou que “o work-life balance passa muito por viver a marca” e que precisa de elementos sempre contactáveis para resolver imprevistos, Joana Latino teceu duras críticas à sua postura.
A comentadora começou por apontar um profundo desconhecimento das normas laborais e dos direitos fundamentais conquistados pelos trabalhadores: “A Vanessa é uma ignorante no que diz respeito à Lei Geral do Trabalho, é uma ignorante no que diz respeito à história da luta dos trabalhadores para não serem escravos, basicamente, para trabalharem horas decentes e para terem tempos de descanso que são absolutamente necessários para serem produtivos“.
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A jornalista argumentou que a visão apresentada pela empresária confunde autoritarismo com capacidade de liderança: “A Vanessa é uma ignorante em relação ao que é ser um líder. Ela é só uma chefe que é para mandar, já percebi, não é uma pessoa que se preocupe efetivamente com a liderança e em inspirar pessoas, porque ela acha que 24 sobre 24, 7 sobre 7 horas e dias de disponibilidade é o que faz um bom trabalhador“.
Ao dissecar as consequências deste modelo de gestão, a comentadora alertou para o impacto severo do esgotamento profissional na saúde mental e no rendimento das equipas: “Esta mentalidade completamente retrógrada que ela está aqui a mostrar, obviamente levou a que muitas pessoas se insurgissem (…) Às pessoas mais novas que hoje em dia valorizam muito mais terem vida pessoal do que serem o que antigamente se chamava workaholics, que depois entram em burnout, em depressão, que depois de repente se tornam pessoas absolutamente inúteis dentro de uma empresa porque estão completamente desgastadas, fatigadas, completamente esgotadas já na sua capacidade de trabalho porque foram levadas até ao limite“.
Joana Latino sublinhou que a busca por visibilidade nas plataformas digitais acabou por expor uma conduta patronal inaceitável: “Estupidez das pessoas que às vezes resolvem responder a trends porque acham que vai ser muito giro, não é, Vanessa? E depois levam com o backlash (…) que é como quem diz: quem cospe contra o vento acaba por levar com a sua própria cuspidela na cara, que foi o que te aconteceu“.
A concluir a sua intervenção, a comentadora reiterou a gravidade das exigências partilhadas pela fundadora da marca: “Faz mesmo muita confusão como é que alguém no século XXI (…) está aqui a achar toda fresca e fofa que as alarvidades que disse sobre escravizar pessoas para trabalharem para a sua empresa (…) É um retrocesso civilizacional que esta miúda deita cá para fora quando responde àquela trend, como se estivesse a querer ser boa patroa, e é só a pior do mundo. Eu não trabalhava para ti“.
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