“Primetime”: Robert Pattinson encarna apresentador implacável em thriller que enfurece o verdadeiro caçador de pedófilos
O doentio mundo da caça a pedófilos: "Primetime" leva Robert Pattinson aos Óscares debaixo de intensa polémica
Apesar dos rasgados elogios da crítica internacional, o verdadeiro apresentador arrasou a obra e equaciona avançar judicialmente devido ao retrato assustador da sua pessoa.
Robert Pattinson volta a surpreender o mundo do cinema com a sua prestação na nova longa-metragem “Primetime”, que já se encontra em exibição nas salas portuguesas. O ator britânico de 40 anos assume o papel principal num “thriller” psicológico denso onde interpreta um apresentador de televisão dedicado a atrair e expor pedófilos em direto.
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Esta obra marca a sua estreia como produtor e a primeira incursão na ficção do realizador Lance Oppenheim, de 30 anos, conhecido por documentários aclamados como “Some Kind of Heaven” e “Ren Faire”.
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O filme baseia-se nos polémicos bastidores de “To Catch a Predator”, um programa transmitido pela estação norte-americana NBC entre 2004 e 2007.
No projeto original, o jornalista Chris Hansen utilizava perfis virtuais falsos e atores a fingirem ser crianças para atrair predadores sexuais, confrontando-os posteriormente perante as câmaras. Sobre este novo desafio profissional, o ator revelou durante o Festival de Veneza: “Senti-me extremamente ligado a este projeto desde o início, assim como a todos os que nele estão envolvidos“.
A preparação para encarnar uma personagem tão complexa exigiu muito do protagonista, especialmente num período preenchido por outros grandes sucessos de bilheteira, como “A Odisseia”, onde deu vida ao vilão Antínoo, ou “O Drama”, ao lado de Zendaya. “Achei o sotaque muito difícil“, admitiu aos jornalistas, brincando que, mesmo noutras gravações, a voz da sua inspiração teimava em não desaparecer: “Consigo definitivamente ouvir um pouco de Chris Hansen em ‘A Odisseia’ quando o vejo“.
O envolvimento da estrela de Hollywood foi muito além da representação, investindo no projeto através da sua própria empresa, a Icki Eneo Arlo. O realizador Lance Oppenheim elogiou profundamente esta parceria, referindo à agência France-Presse que o britânico “não foi apenas o meu protagonista. Foi um verdadeiro colaborador de confiança, e construímos isto juntos“.
A escolha do elenco contou com a sua aprovação, destacando-se a surpreendente inclusão da cantora norte-americana Phoebe Bridgers no papel de isco na casa vigiada. “Ela estava tão tranquila e fiquei tão impressionado; ela captou perfeitamente o tom“, enalteceu Robert Pattinson.
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“Primetime” teve uma receção apoteótica na sua estreia mundial, garantindo uma ovação em pé demorada por parte do exigente público de Veneza, colocando o ator na rota das premiações pela forma como explorou as inseguranças e o ego da figura central. Contudo, a obra gerou forte indignação no homem que lhe serviu de musa.
Se no final de agosto Chris Hansen confessou ao Entertainment Tonight que notou “uma imitação muito boa ali no trailer”, a sua opinião inverteu-se drasticamente após o visionamento completo.
Num longo vídeo publicado no seu canal no YouTube, o antigo apresentador não poupou nas críticas. “Foi tão bizarro e tão fora da realidade. Obviamente que não sou objetivo porque a personagem sou, bem, eu, mas estava tão desligado da realidade ou de qualquer coisa que tenha vivido na altura“, atirou revoltado, apontando falhas à representação da sua equipa e ao dramatismo excessivo. Hansen foi implacável sobre a prestação construída por Robert Pattinson, lamentando que o filme mostre uma versão de si mesmo “tão distante, tão desequilibrada, tão sombria, tão antipática”.