O comentador do ‘V+Fama’ atacou a escolha visual da artista na passadeira vermelha dos Globos de Ouro na SIC e gerou polémica no meio artístico.
A 30.ª edição dos Globos de Ouro, realizada no passado sábado, 26 de setembro, no Coliseu dos Recreios, continua a suscitar reações intensas. Filipa Nascimento marcou presença na passadeira vermelha da SIC com um coordenado arrojado que deixava visível a barriga da sua atual gravidez, opção que acabou por motivar comentários muito duros por parte de António Leal e Silva na sua rede social – instagram.
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Através do seu perfil no Instagram, o comentador do «V+ Fama» reprovou publicamente a indumentária com observações contundentes: “Não sei o que é que aconteceu. É um colete de forças, está com problemas do foro psiquiátrico, está contida para não atacar ninguém dentro da festa, está isolada, tem que ser isolada. Não percebo, amor, não consegui perceber esse fato, filha. Não chego lá. Sou eu que sou muito estúpido, não consegui chegar lá, querida. Mas parabéns. Beijinhos, vá para casa, querida“.
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As afirmações geraram indignação pública e levaram Sónia Tavares a sair em defesa da atriz, questionando a aceitação destas palavras: “Enquanto andamos todos atarefadíssimos a apontar o dedo aos humoristas deste país, vamos achando um piadão a António Leal e Silva. Mas se calhar sou eu que sou muito estúpida e não chego lá…“.
Perante a repercussão da controvérsia, Filipa Nascimento decidiu quebrar o silêncio e publicar um longo manifesto nas suas redes sociais, acompanhado da fotografia do visual usado na cerimónia. “Não tencionava tecer mais comentários sobre tudo aquilo que se tem dito por aí. Sou uma mulher segura, confiante e, acima de tudo, orgulhosa de quem sou. Mas hoje acordei a pensar de outra forma. Eu sei quem sou e sei aquilo em que acredito. Sei também que nem todas as mulheres têm a mesma segurança ou a mesma capacidade de ignorar determinadas palavras. Como mãe de uma menina, isso importa-me. E, se tenho voz neste meio, é agora que a devo usar“, começou por declarar.
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Sem ignorar o direito ao escrutínio estético, a atriz sublinhou a fronteira entre opinião e ataque gratuito: “Não temos de gostar todos da roupa de alguém. Não temos de concordar com aquilo que alguém diz ou escolhe mostrar. Não temos sequer de pensar da mesma maneira. Mas não temos o direito de humilhar, julgar ou atacar. Desde ontem, várias mulheres falaram comigo. Algumas para me apoiar. Outras para partilhar histórias que mostram como este tipo de julgamento ainda condiciona, e muito, a liberdade de tantas mulheres e que pode ainda extrapolar para outros lugares. E é isso que me preocupa. Todos temos direito a uma opinião. Mas uma opinião não é um passe livre para invadir o espaço do outro e diminuí-lo. Eu poderia responder na mesma moeda. Poderia procurar algo em cada uma dessas pessoas para usar contra elas. Seria bem fácil. Mas seria também descer ao mesmo lugar e eu não quero lá estar!“.
A concluir a mensagem, a artista apelou à autonomia feminina e à rejeição de pressões que limitem a autoexpressão. “Não quero diminuir ninguém para me sentir maior ou melhor. Não quero alimentar uma cultura em que uma mulher é julgada pela roupa que veste, pelo corpo que mostra ou pela liberdade que escolhe exercer. Gostava que todas as mulheres se sentissem livres. Livres para vestir o que quiserem, para mostrar o que quiserem, para ocupar o espaço que quiserem. Para serem quem são. Sem pedir licença, sem pedir desculpa, sem medo do julgamento alheio. A liberdade de uma mulher não ameaça a liberdade de outra. E quando tentamos ensinar uma mulher a ter vergonha de si, não estamos a protegê-la, mas sim a limitá-la. Acredito que devemos caminhar para a frente e não para trás! Não se esqueçam de uma coisa muito importante… quando uma de nós cai, todas caímos“, rematou.
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