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As restantes declarações de Betty Grafstein em tribunal

O depoimento de Betty Grafstein no tribunal de Cascais revelou falhas de memória e contradições, com a defesa de José Castelo Branco a focar-se nos registos clínicos.

Ainda no seguimento das declarações de Betty Grafstein no tribunal de Cascais, hoje, 29 de setembro de 2026, surgiram novos elementos, marcados pelas contínuas falhas de memória da alegada vítima.

O advogado de Betty tentou questioná-la sobre a ajuda prestada por Marcela, mas a resposta foi evasiva, afirmando: “Não me consigo lembrar disso.” A inquirida acrescentou que tinha sempre muitas pessoas à sua volta. Esta afirmação contrasta com a descrição muito detalhada de Marcela sobre a importância da assistência que prestou. Isto não significa que Marcela não a tenha ajudado, mas demonstra que Betty não conserva memória própria dessa assistência.

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Sobre a alimentação, Betty fez uma imputação relevante ao declarar: “Ele controlava a minha alimentação.” Porém, quando questionada sobre como esse controlo funcionava concretamente, se comia às escondidas ou se deixava de comer, respondeu: “Bem, não me lembro disso.” Questionada sobre quais alimentos José Castelo Branco lhe proibia, repetiu: “Não me consigo lembrar disso.” Existe a afirmação genérica de controlo alimentar, mas a depoente não conseguiu identificar o alimento proibido, o episódio, o mecanismo de controlo ou a consequência concreta. Isto cruza-se com o testemunho de Marcela, que anteriormente afirmou que dava alimentos a Betty e reconheceu que José nem sequer sabia necessariamente que ela o fazia.

Quando lhe perguntaram se, no último período em Portugal, foi ela ou José quem decidiu que iria para o hospital, a resposta expôs novamente a falta de recordação: “Já não sei mesmo.” Logo, Betty não consegue atribuir atualmente a decisão a qualquer um deles. Também não conseguiu explicar o motivo pelo qual regressou aos Estados Unidos, dizendo: “Não sei. Já não sei mesmo.” Trata-se de mais uma limitação de memória relativamente a acontecimentos próximos dos factos em julgamento.

Com o início do interrogatório da defesa de José Castelo Branco, foi questionada a razão da última viagem a Portugal. Inicialmente, Betty referiu: “Não me lembro disso.” Contudo, quando lhe foi perguntado especificamente se veio para um batizado, passou a recordar, dizendo: “Sim, lembro-me de vir para um batizado.” Apesar disso, não conseguiu identificar de quem era o batizado, o que demonstra que a memória pode ser parcialmente ativada através da pergunta, mas permanece fragmentária.

Um ponto potencialmente muito importante abordado pela defesa prende-se com os cuidados de saúde e higiene antes do hospital e antes da instituição onde agora se encontra. Betty respondeu: “Havia uma equipa de pessoas a cuidar de mim.” Confirmou ainda que eram essencialmente profissionais e que tinha pessoas à sua volta “a toda a hora, todos os dias.” Isto permite contextualizar o seu grau prévio de dependência funcional. Ou seja, a necessidade de assistência para higiene, mobilidade ou outros cuidados não surgiu necessariamente apenas durante os acontecimentos em Portugal.

A defesa voltou ao tema dos sapatos, perguntando se existia algum tipo específico que lhe causava dor ou se vários sapatos lhe provocavam desconforto. Betty não identificou especificamente os saltos altos. A resposta foi no sentido de que os sapatos que eram desconfortáveis lhe causavam sofrimento. Anteriormente, já tinha referido que eram diferentes tipos: “rasos, de salto alto, de salto médio.” A prova oral não parece sustentar simplesmente a tese de que o marido a obrigava a usar saltos altos que lhe provocavam dor, uma vez que a própria refere diferentes tipos de calçado.

Quando a defesa perguntou se a expressão “a minha vida não era normal” estava relacionada com a enorme exposição pública, Betty respondeu: “Sim, exatamente.” A defesa começou assim a estabelecer uma explicação contextual alternativa para determinados aspetos da apresentação pessoal. Roupa, maquilhagem, calçado e preparação estética integravam uma vida pública e mediática muito particular. Isto articula-se diretamente com uma resposta anterior muito importante de Betty sobre a roupa e a maquilhagem, quando justificou: “Era o nosso estilo de vida.”

Ainda sobre a alimentação, a defesa perguntou diretamente: “O que é que ele lhe dava para comer? E o que é que queria comer e não comeu?” A resposta manteve a falta de concretização: “Também não me lembro disso.” Apesar de ter afirmado que existia controlo, Betty não conseguiu concretizar o que lhe era dado, o que era proibido, o que desejava comer ou como funcionava esse controlo, o que enfraquece a imputação factual.

O acompanhamento médico anterior também foi escrutinado, com referência ao médico doutor Gary Abrams. Perguntada sobre quem normalmente a acompanhava às consultas, referiu pessoas relacionadas com os seus cuidados e amigos. Diretamente questionada se José a acompanhava normalmente, revelou: “Não, normalmente não.” Depois confirmou que recorria frequentemente a hospitais e médicos, mas não conseguiu explicar o motivo: “Fosse por que motivo fosse… eles tinham lá os registos… eles saberiam melhor do que eu.” A própria depoente remeteu para a documentação clínica como fonte mais fiável do que a memória atual.

Betty afirmou ter sido casada três vezes, descrevendo o segundo marido, com quem esteve cerca de trinta anos, de forma muito positiva. A defesa perguntou diretamente: “Houve alguma situação de abuso nos seus casamentos anteriores?” Betty respondeu: “Não.” Assim, não atribui maus-tratos aos anteriores maridos, afastando a hipótese de confusão entre agressões atribuídas a diferentes cônjuges.

O ponto mais forte da sessão voltou a ser a documentação clínica, com a própria Betty a referir que os hospitais “saberiam melhor do que eu”. Face à incapacidade de recordar as causas das hospitalizações, o mecanismo das quedas, as circunstâncias dos empurrões, a origem concreta de determinadas lesões ou mesmo os acontecimentos imediatamente anteriores ao internamento de março de 2024, torna-se essencial o confronto objetivo com os registos médicos para verificar a consistência da acusação e da defesa.

Leia também: Julgamento // Todas as declarações de Betty Grafstein em tribunal: ‘I don’t remember…”

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